Redação Plenax
Proposta avalia inclusão de Talzenna® no rol da ANS; combinação terapêutica reduziu em 53% o risco de progressão da doença em estudo clínico
Está aberta até 1º de março a consulta pública que avalia a inclusão do medicamento Talzenna® (talazoparibe), da Pfizer, na lista de cobertura obrigatória dos planos de saúde.
A análise é conduzida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), vinculada ao Ministério da Saúde, e trata da incorporação da terapia combinada de talazoparibe com enzalutamida como opção de primeira linha para pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração (mCRPC), especialmente aqueles com mutações nos genes de reparo por recombinação homóloga (HRR).
Caso seja aprovada, a inclusão no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde tornará o tratamento de cobertura obrigatória na rede privada.
Doença é a mais incidente entre homens no Brasil
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2026, o câncer de próstata representa 30,5% dos novos casos de câncer entre homens no país, sendo também a segunda principal causa de morte por câncer na população masculina.
O estágio metastático resistente à castração ocorre quando o tumor continua a evoluir mesmo após o bloqueio hormonal, considerado tratamento padrão inicial. Parte dos casos está associada à predisposição genética, mas fatores como obesidade, inflamações prostáticas e infecções sexualmente transmissíveis também podem elevar o risco.
Redução de risco e resultados clínicos
Talzenna® é um inibidor da enzima PARP (Poli ADP-ribose polimerase), mecanismo que interfere na capacidade de reparação do DNA das células tumorais. Quando combinado à enzalutamida, potencializa o efeito terapêutico em pacientes com mutações nos genes HRR.
Os dados que embasam a proposta vêm do estudo clínico de fase 3 TALAPRO-2. Segundo os resultados apresentados:
Houve redução de 53% no risco de progressão da doença;
A probabilidade de morte foi reduzida em quase 40%, em comparação ao uso de enzalutamida associada a placebo.
Para Adriana Ribeiro, diretora médica da Pfizer Brasil, a possível incorporação representa avanço no acesso à inovação.
“O câncer de próstata avançado exige abordagens cada vez mais individualizadas. A eventual inclusão da combinação no rol da ANS amplia o acesso e oferece uma alternativa terapêutica relevante para uma doença desafiadora”, afirma.
Como participar da consulta pública
A consulta pública nº 167/2026 é um instrumento de participação social que permite a qualquer cidadão enviar contribuições antes da decisão final da ANS.
Para participar:
Acesse a página de consultas públicas no site da ANS;
Clique em “Participar”;
Localize a “Consulta Pública nº 167”;
Preencha o formulário com sua contribuição e envie.
A decisão final poderá impactar diretamente pacientes atendidos pela saúde suplementar em todo o país, ampliando as opções terapêuticas disponíveis na rede privada para um dos tipos de câncer mais prevalentes entre homens brasileiros.

