Redação Plenax – Flavia Andrade
Depois de um 2025 marcado por endurecimento de regras, aumento da judicialização e rigor inédito na análise documental, o processo de reconhecimento da cidadania italiana inicia 2026 sob um novo clima de expectativa. Especialistas avaliam que o ano pode representar uma virada estratégica para descendentes que desejam iniciar ou retomar seus pedidos.
O principal fator por trás desse cenário é a audiência prevista para o início de março, na Itália, quando o Judiciário irá analisar a constitucionalidade das mudanças legais implementadas no ano passado. As alterações impactaram diretamente os pedidos de cidadania por descendência e levantaram questionamentos sobre possíveis restrições a direitos historicamente consolidados.
“O que vimos em 2025 foi um sistema sobrecarregado, tentando responder a um volume elevado de demandas. Houve um pente-fino rigoroso na linha sucessória e na consistência documental. Em 2026, existe uma possibilidade real de ajustes, especialmente a partir das decisões judiciais que devem ser tomadas nos próximos meses”, avalia Gabriel Del Bello, fundador da Gold Traduções, empresa especializada em cidadania italiana e tradução técnica.
Além do debate jurídico, fatores econômicos e demográficos reforçam o otimismo cauteloso. A Itália enfrenta déficit estrutural de mão de obra e queda no índice de imigração regular. Como resposta, o governo italiano autorizou, no fim de 2025, a abertura de um número recorde de vistos de trabalho — inclusive para brasileiros — numa tentativa de conter os impactos da crise populacional e produtiva.
“Esses movimentos mostram que restrições excessivas têm efeitos colaterais importantes. A cidadania e a imigração são temas sensíveis para a economia italiana. Há um esforço de correção de rota, ainda que com critérios técnicos mais definidos”, explica Del Bello.
O momento de agir
Se 2025 foi um ano de atrasos, indeferimentos e exigências adicionais, 2026 tende a consolidar uma nova fase: processos mais técnicos, porém mais previsíveis para quem se antecipa. Entre os principais reflexos do último ano estão a redução de vagas consulares, o aumento do tempo de espera para agendamentos e a migração de um número crescente de pedidos para a via judicial — tendência que deve se manter ao menos no primeiro semestre.
“A via judicial deixou de ser exceção e passou a ser estratégia. E, com a possível redefinição de entendimentos jurídicos nos próximos meses, quem já estiver com o processo estruturado sai na frente”, afirma o especialista.
Nesse contexto, Del Bello é categórico: 2026 pode ser o momento mais estratégico para dar início ou retomar o processo. “Se as decisões de março apontarem para flexibilização ou reorganização do sistema, a consequência imediata será uma nova sobrecarga. Quem se antecipa agora evita filas, disputas por agenda e gargalos documentais”, diz.
Documentação vira diferencial competitivo
Independentemente do cenário jurídico, um ponto é consenso: o nível de exigência documental não deve diminuir. Divergências em nomes, datas, traduções imprecisas ou certificações inconsistentes — que antes passavam despercebidas — hoje estão entre as principais causas de atrasos e indeferimentos.
“A tradução deixou de ser detalhe e passou a fazer parte da estratégia. Um termo mal interpretado pode comprometer anos de investimento e expectativa”, alerta Del Bello.
Para quem pretende avançar em 2026, o especialista recomenda atenção a pontos-chave: organização prévia de toda a linha documental antes mesmo da definição da via escolhida; revisão técnica de certidões antigas; traduções juramentadas feitas por profissionais com domínio do vocabulário jurídico italiano; e acompanhamento constante das decisões judiciais e mudanças administrativas.
“Aplicamos à cidadania o mesmo padrão de precisão exigido no comércio internacional. Em um cenário cada vez mais técnico, isso faz toda a diferença”, conclui.
Com decisões judiciais no radar e sinais de reequilíbrio no sistema, 2026 desponta como um ano-chave para a cidadania italiana — especialmente para quem estiver preparado para agir no tempo certo.

