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Brasil, Chile e mais quatro países condenam ataque dos EUA à Venezuela em comunicado conjunto

Foto: LUIS JAIMES/AFP

Redação Plenax – Flavia Andrade

Carta alerta para risco à paz regional e cobra solução política sem interferência externa

Brasil, Chile, Colômbia, Espanha, México e Uruguai divulgaram neste domingo (4) um comunicado conjunto em que condenam o ataque militar realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela. Na nota, os seis países manifestam “profunda preocupação” com as ações conduzidas pelo governo norte-americano e alertam para os impactos da ofensiva sobre a estabilidade regional.

O documento destaca a gravidade da operação militar e reafirma o compromisso dos signatários com os princípios da Carta das Nações Unidas, especialmente o respeito à soberania, à integridade territorial dos Estados e à proibição do uso ou da ameaça de força nas relações internacionais.

“Expressamos nossa profunda preocupação e repúdio às ações militares realizadas unilateralmente em território venezuelano, que contrariam princípios fundamentais do direito internacional”, afirma o texto.

Segundo os governos signatários, a ofensiva representa um precedente “extremamente perigoso” para a paz e a segurança da América Latina e do Caribe, além de colocar em risco a população civil. O comunicado ressalta que a crise venezuelana deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, com base no diálogo, na negociação e no respeito à vontade do povo venezuelano, sem interferência externa.

“Apenas um processo político inclusivo, liderado pelos próprios venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática e sustentável que respeite a dignidade humana”, diz outro trecho da nota, que reafirma o compromisso regional com a América Latina e o Caribe como zona de paz, fundamentada na não intervenção e na solução pacífica de controvérsias.

Ao final do comunicado, os países fazem um apelo à unidade regional, independentemente de diferenças políticas, diante de ações que coloquem em risco a estabilidade do continente. Também solicitam ao secretário-geral da ONU, António Guterres, e a outros organismos multilaterais que atuem para reduzir as tensões e preservar a paz na região.

O texto ainda manifesta preocupação com qualquer tentativa de controle, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, apontando que esse tipo de iniciativa é incompatível com o direito internacional e ameaça a estabilidade política, econômica e social regional.

Contexto da crise

No sábado (3), uma série de explosões foi registrada em bairros da capital venezuelana, Caracas. Durante a ofensiva militar atribuída aos Estados Unidos, o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

A ação marca mais um episódio de intervenção direta dos Estados Unidos na América Latina. A última ocorreu em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi capturado sob acusação de narcotráfico.

Assim como no caso panamenho, Washington acusa Maduro de liderar um suposto cartel conhecido como “Cartel de Los Soles”, alegação que, segundo especialistas em tráfico internacional de drogas, carece de comprovação. À época, o governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.

Para críticos internacionais, a ofensiva tem motivação geopolítica, com o objetivo de afastar a Venezuela de aliados estratégicos como China e Rússia e ampliar a influência sobre o setor energético do país, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

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