Redação Plenax
Tecnologia agrícola baseada na alga Ascophyllum nodosum melhora absorção de nutrientes e aumenta resistência das plantas a estresses climáticos
A busca por maior produtividade agrícola aliada à preservação ambiental tem levado produtores rurais a investir em soluções naturais para o manejo das lavouras. Entre as alternativas que vêm ganhando destaque no campo estão os bioestimulantes produzidos a partir da alga marinha Ascophyllum nodosum, reconhecida pela alta concentração de compostos bioativos capazes de estimular o desenvolvimento das plantas.
De acordo com especialistas, os extratos dessa alga apresentam resultados consistentes quando aplicados nas culturas, contribuindo para melhorar o desempenho das plantas em diferentes condições de cultivo.
Segundo o biólogo marinho Raul Ugarte, diretor de Pesquisa Científica da Acadian Sea Beyond, os bioestimulantes produzidos a partir dessa matéria-prima se destacam entre os produtos disponíveis no mercado.
“Quando comparamos com outros bioestimulantes, como aminoácidos ou extratos vegetais, os derivados dessa alga costumam apresentar respostas mais consistentes e, em muitos casos, maior eficácia”, explica.
Benefícios para o desenvolvimento das plantas
Os efeitos dos bioestimulantes à base de algas se refletem em diferentes etapas do desenvolvimento das culturas. Entre os principais benefícios estão o estímulo ao crescimento radicular, maior eficiência na absorção de nutrientes do solo e melhor equilíbrio fisiológico das plantas.
Além disso, o uso desses extratos pode aumentar a tolerância das lavouras a condições adversas, como períodos de seca, temperaturas elevadas e outros tipos de estresse ao longo do ciclo produtivo.
Grande parte dessas propriedades está relacionada ao ambiente natural em que a alga se desenvolve. Em regiões costeiras do Canadá, por exemplo, a Ascophyllum nodosum é submetida a condições extremas, com variações significativas de temperatura ao longo do ano.
Segundo Ugarte, a espécie pode enfrentar temperaturas de até 40 °C durante o verão e períodos de congelamento no inverno, com variações térmicas que chegam a cerca de 60 °C. Esse cenário favorece a formação de compostos bioativos que, posteriormente, podem ser utilizados em aplicações agrícolas.
Tecnologia de extração é decisiva
Para que os benefícios da alga sejam aproveitados de forma eficiente nas lavouras, o processo de extração dos compostos é considerado um fator determinante.
A tecnologia utilizada na extração permite preservar a integridade dessas substâncias bioativas, potencializando seus efeitos no metabolismo vegetal. Com isso, os produtores conseguem bioestimulantes mais estáveis, capazes de promover crescimento radicular, melhor uso de nutrientes e maior resistência das plantas a condições climáticas adversas.
De acordo com o especialista, além de garantir a qualidade do produto final, o processo também contribui para a sustentabilidade da cadeia produtiva.
“O cuidado no processamento assegura não apenas a qualidade dos bioestimulantes, mas também a disponibilidade da matéria-prima no longo prazo, o que é fundamental para o mercado”, afirma.

