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África do Sul recebe 1º lote de vacinas contra febre aftosa e aciona plano para conter surto

Foto: Divulgação

Redação Plenax

Um milhão de doses produzidas na Argentina desembarcam em Joanesburgo; empresa prevê novos envios nos próximos meses

A Biogénesis Bagó entregou à África do Sul o primeiro lote de vacinas de alta potência contra febre aftosa, em meio à emergência sanitária provocada por surtos da doença no país. O carregamento, com um milhão de doses voltadas às cepas SAT 1 e SAT 2, desembarcou no aeroporto de Joanesburgo no sábado (21).

As vacinas foram produzidas na fábrica da companhia em Garín, na província de Buenos Aires, e fazem parte de um acordo com o Ministério da Agricultura sul-africano que prevê novos envios nos próximos meses.

Emergência sanitária e impacto econômico

A África do Sul possui um rebanho estimado em 14 milhões de bovinos e enfrenta perdas significativas no setor pecuário, com reflexos diretos na economia e nas exportações de proteína animal.

O objetivo do governo sul-africano é recuperar o status de país livre de febre aftosa dentro de um plano nacional de erradicação com horizonte de dez anos.

Segundo a empresa, o fornecimento integra uma estratégia mais ampla de resposta rápida a emergências sanitárias globais. A Biogénesis Bagó afirma ser atualmente a maior produtora de vacinas contra os sete sorotipos da febre aftosa em circulação no mundo, além de fornecer reservas de antígenos para formulação emergencial.

Histórico de atuação internacional

A companhia argentina já atuou em surtos registrados em países como Taiwan (1997), Argentina (2001), Uruguai (2002), Coreia do Sul (2016) e Indonésia (2022), entre outros na Ásia e no Oriente Médio.

De acordo com a empresa, sua atuação internacional já contribuiu para a proteção sanitária de mais de 1,1 bilhão de animais em 30 países, em quatro continentes.

Relevância estratégica para o Brasil

No fim de 2025, a Biogénesis Bagó passou a ser responsável pelo banco estratégico de antígenos e vacinas contra febre aftosa no Brasil, por meio de acordo de cooperação tecnológica com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e o governo federal.

O estoque funciona como reserva estratégica para formulação rápida de vacinas em caso de eventual foco localizado da doença no território nacional.

O momento é considerado sensível para o Brasil, que avança na consolidação do status sanitário sem vacinação contra a febre aftosa — condição que amplia a competitividade internacional da carne brasileira, mas exige vigilância constante e capacidade de resposta imediata.

Especialistas reforçam que a febre aftosa é altamente contagiosa e não respeita fronteiras. Assim, o controle de surtos em países com forte inserção no comércio global contribui para reduzir riscos sanitários e proteger mercados estratégicos também para exportadores como o Brasil.

Com novos carregamentos previstos para os próximos meses, a operação na África do Sul passa a integrar um esforço internacional para conter a doença e preservar a estabilidade do comércio global de proteína animal.

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