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A saúde mental na era digital

Foto: Divulgação

*Por Guilherme Carvalho

Muitos pesquisadores relatam que a geração atual tem enfrentado diversos problemas de saúde, justamente devido ao excesso de uso da tecnologia. Por mais que, em alguns momentos, a ansiedade seja saudável, uma vez que é indispensável ficarmos alertas em determinadas situações, o grande problema é quando esta ansiedade faz parte da rotina das pessoas. E este é um dos fatores que têm prejudicado a saúde de muitos indivíduos.

Jonathan Haidt (2024), um importante psicólogo social, afirma que o aumento da ansiedade, depressão e desregulação emocional tem crescido devido à infância hiperconectada. A depressão é muito mais comum em indivíduos que interagem menos com outras pessoas e, por sua vez, acaba levando o indivíduo a se isolar ainda mais. O excesso de tecnologia tem contribuído para que as pessoas se encontrem menos, causando esse distúrbio, de acordo com o especialista. Sendo este apenas um dos problemas que o excesso de tecnologia tem provocado.

Quando falamos de saúde, discorremos sobre um aspecto que vai além do bem-estar do corpo, trata-se de uma disposição mental e física, onde o equilíbrio é um princípio que guia o indivíduo. Desta forma, a nossa mente e corpo seguem dispostos e equilibrados. Preservar a saúde mental em tempos em que ficar conectado é praticamente uma lei é uma atitude essencial. Ter um tempo de descanso e solitude, cultivar momentos para contemplar o belo sem ser interrompido por uma notificação de celular é indispensável.

A cultura de hoje valoriza muito mais a rapidez e o imediatismo, os constantes e altos níveis de estímulos e uma abundante quantidade de informação, levando o ser humano a perder a sua capacidade de se concentrar e observar com cuidado o entorno, gerando ansiedade devido aos excessos de estímulos, entre tantos malefícios que estão sendo diagnosticados por conta do excesso de conectividade.

A falta de leitura profunda é outra realidade que alguns neurocientistas como Maryanne Wolf, têm apontado, mostrando como o excesso de redes sociais e telas, prejudica a capacidade de leitura das pessoas. Este tipo de leitura leva o leitor a imaginar o mundo que o autor relata em seu texto, sendo que a hiperconectividade impede os leitores de chegarem a esse estágio importante da leitura.

Cuidar da mente é preservar um bem muito valioso, uma vez que mente e corpo estão interligados. Por isso, construir momentos de ócio criativo e solitude é indispensável para conseguirmos manter a mente criativa e saudável, o que se reflete na saúde do nosso corpo.

O ócio gera boas ideias, sendo o primeiro passo para a contemplação, para desfrutar da vida e perceber os detalhes e as maravilhas do nosso entorno. E como vemos muitos visitando locais, mas olhando a vida através das lentes do celular, perdendo de contemplar e se maravilhar com o belo, constatamos como muitos têm uma mente que nunca relaxa, que não conseguem parar, admirar o belo e descansar.

Por isso, busque construir uma rotina onde parar, desligar-se dos estímulos tecnológicos e descansar a mente seja uma realidade cotidiana. É por meio desta prática que a mente conseguirá permanecer saudável, influenciando toda a saúde do corpo.

(*) Guilherme Carvalho é Professor regente mestre da Uninter, atua na área de Geociências, vinculado à Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas (ESEHL) na Uninter.

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