Redação Plenax – Flavia Andrade
Diferenças metabólicas e exigências de proteínas, aminoácidos e gorduras influenciam a formulação dos produtos e a escolha dos ingredientes pela indústria pet.
Embora cães e gatos possam dividir o mesmo ambiente, suas necessidades nutricionais são distintas. As particularidades metabólicas de cada espécie exigem alimentos formulados especificamente para atender às demandas de proteínas, aminoácidos, gorduras, vitaminas e minerais.
Para a indústria de alimentação animal, compreender essas diferenças é fundamental desde a seleção das matérias-primas até o desenvolvimento e o processamento dos produtos.
“Para a indústria de alimentos para pets, compreender essas características é fundamental para selecionar matérias-primas, definir os níveis de inclusão dos nutrientes e garantir a adequação nutricional dos produtos”, afirma Guilherme Martins Contiero, executivo de vendas externo da MCassab Nutrição e Saúde Animal.
A importância desse cuidado acompanha a expansão do setor no Brasil. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e do Instituto Pet Brasil, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os alimentos para animais de estimação representaram 53,3% do faturamento do mercado pet brasileiro em 2025.
Gatos precisam de atenção especial à taurina
Uma das principais diferenças nutricionais entre as espécies está na necessidade de proteínas e aminoácidos. Os gatos são carnívoros estritos e dependem de uma alimentação com aporte adequado desses nutrientes.
Entretanto, não basta considerar apenas o percentual de proteína bruta informado no rótulo. A qualidade das matérias-primas, a digestibilidade e o perfil de aminoácidos também precisam ser avaliados para garantir que o alimento atenda às exigências dos animais.
Entre os nutrientes essenciais para os felinos está a taurina, aminoácido que os gatos não conseguem sintetizar em quantidade suficiente para suprir suas necessidades. Sua ingestão adequada é importante para a visão, o funcionamento cardíaco e a reprodução.
A deficiência pode provocar problemas graves, como degeneração da retina e cardiomiopatia dilatada.
Nos cães, a situação é diferente. Em geral, eles conseguem produzir taurina a partir de outros aminoácidos, embora essa capacidade possa variar conforme características individuais e nutricionais.
Ácidos graxos também diferenciam as espécies
As gorduras são outro componente importante das dietas, pois fornecem energia, auxiliam na absorção das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K e disponibilizam ácidos graxos essenciais para o funcionamento do organismo.
Nesse aspecto, os gatos precisam receber ácido araquidônico diretamente pela alimentação. Já os cães apresentam maior capacidade de sintetizá-lo a partir de outros ácidos graxos.
Essa diferença interfere na escolha das fontes de gordura e no equilíbrio nutricional dos alimentos desenvolvidos para cada espécie.
Processamento influencia a qualidade nutricional
As exigências nutricionais não são consideradas apenas na escolha dos ingredientes. As condições de processamento e armazenamento também influenciam a qualidade e a disponibilidade dos nutrientes presentes no produto final.
Segundo Guilherme Contiero, a formulação precisa levar em conta fatores como digestibilidade, biodisponibilidade e possíveis interações entre os componentes da dieta.
“É fundamental avaliar como cada etapa da fabricação afeta a qualidade nutricional do alimento, especialmente a disponibilidade dos nutrientes essenciais para cães e gatos”, explica.
Quando as necessidades nutricionais não são atendidas, os animais podem apresentar perda de peso e massa muscular, comprometimento da função imunológica e deficiências nutricionais ao longo do tempo.
Por isso, o desenvolvimento de alimentos específicos para cães e gatos exige conhecimento das particularidades metabólicas de cada espécie e controle das diferentes etapas de produção, garantindo que os nutrientes estejam presentes em quantidades adequadas e disponíveis para o organismo.

