Redação Plenax – Flavia Andrade
Especialista do Hospital do Coração MS alerta que o emagrecimento sem acompanhamento pode provocar perda de massa muscular, aumentar o risco de quedas e comprometer a independência na terceira idade
A obesidade na terceira idade exige cuidados que vão além da redução do peso. Na população idosa, o tratamento precisa considerar o controle de doenças crônicas, a preservação da massa muscular e a manutenção da autonomia para as atividades cotidianas. Diabetes, hipertensão e problemas cardíacos estão entre as condições que podem dificultar o controle do peso e aumentar o risco de complicações.
Em Mato Grosso do Sul, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), analisados pela Secretaria de Estado de Saúde, apontam que 56,33% dos idosos acompanhados apresentavam excesso de peso em 2025. O cenário reforça a necessidade de acompanhamento específico, principalmente porque as mudanças naturais do envelhecimento podem alterar a composição corporal e dificultar a identificação de problemas de saúde.
Segundo a médica Dra. Janda de Oliveira Campos Ramos, da Clínica Médica do Hospital do Coração MS, o peso corporal e o Índice de Massa Corporal (IMC), embora sejam indicadores importantes, não são suficientes para avaliar a saúde de pessoas idosas. Com o envelhecimento, é comum ocorrer redução da massa muscular e aumento da proporção de gordura corporal, mesmo quando o peso permanece estável.
Por isso, a avaliação também deve considerar a circunferência abdominal, a força física, a quantidade de massa muscular, a capacidade funcional, os hábitos alimentares, o nível de atividade física e a presença de doenças associadas.
O cuidado exige atenção ainda maior quando o paciente apresenta múltiplas condições crônicas, como diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca e doença renal. O uso simultâneo de diferentes medicamentos, conhecido como polifarmácia, também precisa ser considerado.
Alguns medicamentos podem favorecer o ganho de peso, modificar o apetite ou aumentar o risco de hipoglicemia, tonturas e quedas. A orientação é que os tratamentos sejam revisados periodicamente pelos profissionais responsáveis, sem interrupção de medicamentos por iniciativa do próprio paciente.
Emagrecimento inadequado pode agravar perda muscular
Na terceira idade, emagrecer rapidamente nem sempre significa melhorar a saúde. Quando não há acompanhamento médico e nutricional, a redução de peso pode provocar perda de massa muscular e agravar a sarcopenia, condição caracterizada pela diminuição da força e da musculatura.
Entre as consequências estão fraqueza, dificuldades de locomoção, perda de equilíbrio e maior risco de quedas e fraturas. Essas alterações podem comprometer a capacidade de realizar tarefas simples e reduzir a independência do idoso.
De acordo com a especialista, o emagrecimento precisa ser planejado individualmente, com alimentação adequada, ingestão de proteínas conforme a avaliação clínica e exercícios de fortalecimento adaptados às condições físicas do paciente.
A preservação da musculatura deve caminhar junto com o controle das doenças metabólicas e cardiovasculares. Dessa forma, o tratamento não se limita à redução dos números na balança, mas busca manter a mobilidade, a segurança e a autonomia.
Alterações no peso e dificuldades de locomoção são sinais de alerta
Algumas mudanças no estado de saúde podem indicar a necessidade de uma avaliação médica mais abrangente. Entre os principais sinais de atenção estão alterações repentinas no peso, redução da força muscular, quedas frequentes e dificuldades para caminhar.
Também merecem investigação sintomas como cansaço excessivo, falta de ar, inchaço nas pernas, alterações na glicemia ou na pressão arterial, perda de apetite e dificuldade progressiva para realizar atividades diárias. Confusão mental e alterações cognitivas também precisam ser avaliadas.
Essas manifestações podem estar relacionadas ao agravamento de doenças crônicas, efeitos adversos de medicamentos, desnutrição ou perda muscular. Em situações de dor no peito, falta de ar intensa ou confusão mental súbita, a recomendação é procurar atendimento médico imediato.
Hospital do Coração MS adota abordagem multiprofissional
O acompanhamento de idosos com obesidade e doenças associadas no Hospital do Coração MS envolve as equipes de Clínica Médica e Cardiologia, com possibilidade de suporte multiprofissional das áreas de Nutrição e Fisioterapia, conforme as necessidades identificadas durante o atendimento ou a internação.
A Clínica Médica atua na avaliação global da saúde, no acompanhamento das doenças crônicas e na revisão dos medicamentos utilizados pelo paciente. A Cardiologia, por sua vez, contribui para a identificação e o controle de fatores de risco cardiovasculares e de doenças cardíacas associadas.
A equipe de Nutrição auxilia na adequação alimentar às condições clínicas e às necessidades individuais, considerando também a preservação da massa muscular. Já a Fisioterapia, quando indicada, trabalha na manutenção ou recuperação da força, do equilíbrio, da mobilidade e da capacidade funcional.
A integração entre as especialidades permite estabelecer objetivos terapêuticos compartilhados e adaptar as estratégias de cuidado à evolução clínica de cada paciente.
A proposta, segundo a médica, é oferecer atendimento individualizado, considerando não apenas o controle do peso, mas também o tratamento das doenças crônicas, a preservação da independência e a qualidade de vida na terceira idade.

