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Horta comunitária fortalece segurança alimentar e solidariedade no bairro Pioneiros, em Campo Grande

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Projeto do Sesc MS reúne cerca de 20 famílias, incentiva o cultivo de alimentos, promove oficinas de culinária e estimula a troca de conhecimentos entre moradores

Um terreno no bairro Pioneiros, em Campo Grande, está se transformando em um espaço de cultivo, aprendizado e solidariedade. Desde julho, cerca de 20 famílias participam de uma horta comunitária na Comunidade Negra São João Batista, por meio do projeto Territórios Solidários, desenvolvido pelo Sesc MS. A iniciativa já resultou na colheita de sete caixas de verduras e busca fortalecer a segurança alimentar e os vínculos entre os moradores.

Além de cultivar alimentos para consumo próprio e doação, os participantes aprendem técnicas de plantio, compartilham experiências e participam de oficinas de culinária com receitas acessíveis. A proposta também incentiva a criação de hortas domésticas, para que os conhecimentos adquiridos continuem sendo aplicados mesmo após o encerramento do acompanhamento do projeto.

Horta comunitária já rende as primeiras colheitas

Entre as hortaliças cultivadas estão alface e almeirão, além de salsinha, cebolinha e outras ervas. Os moradores também preparam novos canteiros para ampliar a produção, com o plantio de legumes como a berinjela.

O trabalho coletivo envolve todas as etapas do cultivo, desde a preparação do solo até a irrigação e a colheita. A analista de desenvolvimento social Tatiane Correia Rodrigues explica que um dos principais objetivos é garantir que a comunidade tenha autonomia para manter a horta no futuro.

“A gente ensina a comunidade a montar a horta, a organizar, plantar e cuidar, para que, quando o projeto termine, as pessoas continuem mantendo esse espaço e o vínculo entre elas”, afirma.

Segundo Tatiane, os resultados já ultrapassam o espaço comunitário. Alguns participantes levam mudas para casa e compartilham sementes, plantas e conhecimentos com familiares e vizinhos.

Cultivo aproxima gerações e fortalece vínculos

Moradora do bairro Pioneiros há cerca de 20 anos, a auxiliar de serviços gerais Rosicléia da Silva Pereira encontrou no projeto uma oportunidade de estreitar a convivência com os vizinhos e transmitir à filha conhecimentos que aprendeu com a família.

“Esse contato com a terra vem desde a época da minha avó. Eu a via fazendo a hortinha dela, hoje vejo meu pai plantando e agora estou mostrando para minha filha”, conta.

Para Rosicléia, os encontros também contribuem para a união da comunidade. “A gente se une todo sábado, troca ideias e faz esse trabalho para trazer benefícios para a nossa comunidade”, relata.

O cultivo é acompanhado pelo engenheiro agrônomo Gilson Silveira Arevalo, que orienta os participantes sobre adubação, irrigação e manejo das plantas. O trabalho combina conhecimentos técnicos com as experiências dos próprios moradores.

“Aqui a gente junta o conhecimento técnico com o conhecimento empírico. A dona Lourdes, por exemplo, tem vivências de fazenda e traz práticas que aprendeu no dia a dia. A gente soma esses conhecimentos”, explica Gilson.

Entre os desafios, ele destaca a organização da divisão de tarefas para assegurar os cuidados necessários em todas as etapas do cultivo.

Oficinas ensinam receitas econômicas e aproveitamento integral

O projeto Territórios Solidários também promove rodas de conversa e oficinas de culinária. As atividades apresentam receitas de baixo custo, incentivam o aproveitamento integral dos alimentos e exploram possibilidades de geração de renda.

Em uma das oficinas, a analista em nutrição do Sesc Mesa Brasil, Cristina Lubas, ensinou a preparar uma panqueca doce de abobrinha verde. A receita utiliza um ingrediente geralmente associado a pratos salgados e também pode ser adaptada para o formato de bolo.

“Durante o curso, a gente faz receitas focando no aproveitamento integral dos alimentos e também no que elas plantam na horta. São preparações gostosas, sustentáveis, acessíveis e de baixo custo, que também podem ser feitas para vender”, explica Cristina.

As participantes recebem as receitas para reproduzir as preparações em casa e compartilhar o aprendizado com outras pessoas.

Produção também permite doações de alimentos

Integrante da Comunidade Negra São João Batista há mais de 30 anos, Maria de Lourdes Gouveia Costa comemora os resultados da iniciativa e a possibilidade de compartilhar a produção com outras pessoas.

“Foi uma das coisas mais maravilhosas que fizemos, porque tanto a gente come quanto pode doar para outras pessoas”, afirma.

Além das atividades de cultivo e formação, o projeto prevê a distribuição mensal de cestas básicas às famílias participantes. Os alimentos são adquiridos pelo próprio Sesc para complementar a alimentação dos moradores durante o desenvolvimento das atividades.

Segundo a gerente de Unidade Executiva do Sesc Mais, Adriane Zadi, a medida integra as ações de segurança alimentar da iniciativa.

“Como a gente fala de segurança alimentar, também estamos falando da complementação alimentar dessas pessoas. Por isso, ao final de cada mês, elas recebem uma cesta básica”, explica.

Ao reunir produção de alimentos, formação e convivência comunitária, o Territórios Solidários busca fortalecer a autonomia das famílias e incentivar práticas que possam permanecer no cotidiano dos moradores mesmo após o fim do projeto.

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