Redação Plenax – Flavia Andrade
Educadores destacam temas recorrentes em Ciências da Natureza e orientam candidatos a priorizar interpretação, resolução de problemas e aplicação prática dos conceitos
A prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias será aplicada no segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, em 15 de novembro. Com 45 questões de Biologia, Física e Química, a avaliação exige dos candidatos mais do que memorizar fórmulas e conceitos: é preciso interpretar enunciados, analisar dados e relacionar conhecimentos científicos a situações do cotidiano.
Para orientar os estudantes na reta final de preparação, educadores de escolas de São Paulo apontam os conteúdos que merecem atenção em cada disciplina e compartilham estratégias para otimizar os estudos antes do exame.
Segundo Peter Rifaat, coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville (EIA), em Barueri (SP), o domínio dos processos científicos é fundamental para resolver as questões. A avaliação busca verificar se o participante compreende como as leis da natureza e as transformações da matéria influenciam temas como saúde pública, produção de energia e sustentabilidade.
Biologia: ecologia, genética e saúde pública
A Biologia costuma ocupar uma parcela expressiva da prova, com aproximadamente 15 a 18 questões, conforme a estimativa apresentada pelos educadores. Os conteúdos aparecem frequentemente associados a questões ambientais, saúde pública e biotecnologia, além de exigirem a interpretação de gráficos, esquemas e resultados experimentais.
Para Gabriela Chaves Kirsten, professora de Biologia da Escola Bilíngue Aubrick, em São Paulo (SP), compreender as relações entre os organismos e o ambiente é tão importante quanto conhecer estruturas e processos celulares.
Entre os principais assuntos para revisar estão:
Ecologia: ciclos biogeoquímicos, cadeias e teias alimentares, impactos ambientais, conservação dos biomas e sustentabilidade;
Citologia: organelas celulares, transporte pela membrana e metabolismo energético;
Genética e biotecnologia: hereditariedade, engenharia genética, DNA recombinante, testes e diagnósticos;
Fisiologia humana e imunologia: funcionamento dos sistemas corporais, vacinas, soros, vírus, bactérias e doenças infecciosas e endêmicas.
A professora recomenda resolver simulados e dedicar atenção especial à interpretação de enunciados, tabelas e gráficos. Relacionar os conteúdos estudados a notícias e acontecimentos científicos também pode ajudar a compreender como a teoria é aplicada a situações reais.
Física: interpretação e aplicação das fórmulas
Na Física, a resolução das questões depende da capacidade de identificar os fenômenos envolvidos e selecionar os conceitos adequados para cada situação. Os enunciados frequentemente apresentam problemas relacionados ao consumo de energia, ao movimento de veículos e a outras situações do cotidiano.
Renato Shiotuqui, professor de Física do Brazilian International School (BIS), em São Paulo (SP), orienta os candidatos a compreender o problema antes de iniciar os cálculos.
A recomendação é ler o enunciado com atenção, identificar os dados relevantes e reconhecer o princípio físico envolvido. Somente depois dessa análise, o estudante deve escolher a equação apropriada e realizar as operações necessárias.
Os principais conteúdos destacados pelo professor são:
Mecânica: cinemática, Leis de Newton, trabalho, potência e conservação da energia mecânica;
Eletrodinâmica: circuitos elétricos, leis de Ohm, potência e consumo de energia;
Ondulatória e acústica: reflexão, refração, difração, interferência e características do som;
Termologia: calorimetria, propagação do calor e princípios da termodinâmica.
Shiotuqui também recomenda revisar conversões de unidades, organizar mapas mentais com as principais equações e praticar a leitura de gráficos e esquemas. O objetivo é reconhecer quando e como cada conceito pode ser utilizado, inclusive em questões interdisciplinares.
Química: estequiometria, soluções e química orgânica
Na Química, os candidatos encontram questões contextualizadas que podem envolver processos industriais, problemas ambientais, medicamentos e tratamento de água. A interpretação de tabelas, fórmulas estruturais e equações químicas também faz parte das habilidades exigidas.
Fabrício Bisetto, professor de Química do colégio Progresso Bilíngue, em Campinas (SP), destaca a importância de compreender as transformações da matéria e dominar a linguagem simbólica da disciplina.
Entre os conteúdos que merecem atenção estão:
Química orgânica: funções orgânicas, reações, isomeria e aplicações de compostos presentes em fármacos e polímeros;
Estequiometria: cálculos de rendimento, pureza e relações quantitativas nas reações químicas;
Físico-química: termoquímica, entalpia, equilíbrio químico, princípio de Le Châtelier e concentração de soluções;
Eletroquímica e química inorgânica: pilhas, eletrólise, ácidos, bases, sais, óxidos e escala de pH.
Para a preparação final, Bisetto recomenda organizar ciclos de revisão com exercícios que envolvam interpretação de dados quantitativos e qualitativos. A realização de simulados cronometrados também ajuda a desenvolver agilidade nos cálculos e na análise de gráficos.
Como organizar os estudos na reta final
Com a proximidade da prova, os educadores recomendam concentrar os esforços na revisão dos conceitos fundamentais e na resolução de questões, em vez de tentar aprender todos os conteúdos novamente.
Algumas estratégias podem ajudar nesse processo:
Resolver provas anteriores: conhecer o formato dos enunciados e as formas de contextualização dos conteúdos;
Revisar os erros: identificar dificuldades recorrentes e retomar os conceitos necessários para compreender cada questão;
Praticar cálculos e interpretação: alternar exercícios quantitativos com questões baseadas em gráficos, tabelas e experimentos;
Relacionar teoria e cotidiano: observar como os conhecimentos científicos aparecem em temas ambientais, tecnológicos e de saúde;
Controlar o tempo: realizar simulados cronometrados para desenvolver uma estratégia de resolução compatível com a duração da prova.
A orientação central é priorizar a compreensão dos conceitos e o raciocínio científico. Mais do que decorar fórmulas isoladas, o candidato precisa reconhecer o problema apresentado e aplicar os conhecimentos de maneira adequada.
Enem 2026: datas, provas e oportunidades
O Exame Nacional do Ensino Médio foi criado em 1998 e se consolidou como uma das principais formas de acesso ao ensino superior no Brasil. Seus resultados são utilizados em processos seletivos e programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Instituições de ensino superior também podem utilizar a nota em seus próprios processos de ingresso.
Em 2026, as provas estão previstas para os dias 8 e 15 de novembro. De acordo com os dados informados para esta edição, foram registrados 5.055.818 inscritos, número 5,08% superior ao de 2025 e o maior total de participantes confirmados desde 2020.
No primeiro dia, os candidatos fazem as provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, com 45 questões; Ciências Humanas e suas Tecnologias, também com 45 questões; e a redação.
No segundo dia, são aplicadas as provas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias, com 45 questões de Biologia, Física e Química, e Matemática e suas Tecnologias, com outras 45 questões.
Podem participar estudantes que estejam cursando o ensino médio na condição de treineiros, aqueles que já concluíram essa etapa e os que estão prestes a concluí-la. O resultado também pode ser utilizado para solicitar a certificação de conclusão do ensino médio, desde que sejam atendidos os requisitos estabelecidos pelo Inep para essa finalidade.
Quem são os especialistas
Fabrício Bisetto é professor de Química formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com mais de 20 anos de experiência na preparação de estudantes para vestibulares. Atua no ensino médio e em cursos pré-vestibulares.
Gabriela Chaves Kirsten é licenciada e bacharela em Ciências Biológicas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, mestre e doutora em Ciências, com ênfase em Neurofisiologia, pela Universidade de São Paulo (USP). Atua na educação há mais de 12 anos e é professora da Escola Bilíngue Aubrick.
Peter Rifaat é educador e líder escolar com mais de 20 anos de experiência em educação internacional e bilíngue. É coordenador pedagógico do ensino médio da Escola Internacional de Alphaville, coordenador do Programa do Diploma do International Baccalaureate (IB) e professor de Theory of Knowledge (TOK), além de atuar na orientação universitária e de carreira.
Renato Shiotuqui é licenciado em Matemática pela Faculdade de Guarulhos e atua como professor de Física e Matemática, com mais de 29 anos de experiência em escolas particulares e cursos pré-vestibulares.

