Redação Plenax – Flavia Andrade
Pesquisa da PM3 aponta salário médio de R$ 13 mil, avanço da presença feminina e maior diversidade regional, mas mulheres ainda são minoria no topo da hierarquia
O mercado brasileiro de tecnologia e produtos digitais passa por uma fase de maior maturidade, marcada pelo aumento da experiência dos profissionais, busca por especialização e interesse em crescimento dentro da própria área. É o que aponta a 7ª edição do Panorama do Mercado de Produto, estudo realizado pela PM3, escola do Grupo Alun voltada à formação em produtos digitais.
A pesquisa ouviu mais de 2,3 mil brasileiros e mostra que a entrada direta na área de Produto aumentou de 4,74% para 8,13% em 2026. Apesar do crescimento, a migração de carreira continua sendo uma das principais portas de entrada para o setor.
O perfil dos profissionais também revela um mercado mais experiente. Atualmente, 84,8% da força de trabalho tem entre 25 e 44 anos, enquanto 62,3% acumulam de três a dez anos de experiência na área.
Especialização ganha espaço
Com o amadurecimento do setor, os planos de carreira também começam a mudar. A maior parcela dos profissionais, 35%, pretende evoluir no próprio cargo, enquanto 13,9% demonstram interesse em seguir uma trajetória de especialista. O percentual é praticamente o mesmo dos que buscam cargos formais de liderança, que representam 13,6%.
Os dados da própria PM3 reforçam esse movimento. Entre os 22,7 mil alunos da escola, 88% já estão em posições consideradas seniores e também se concentram na faixa etária entre 26 e 50 anos.
Para 41,7% desses estudantes, a principal motivação para buscar formação é aprofundar conhecimentos na função atual, enquanto 27,1% apontam a transição de carreira como principal objetivo.
“O profissional de produto no Brasil deixou a fase de experimentação. Não vemos mais aquela corrida desordenada por migração, mas sim uma busca consciente por especialização técnica e visão de negócio. A barra subiu e a complexidade das empresas hoje exige domínio em áreas cruciais como Analytics, Discovery e Growth”, afirma Raphael Farinazzo, CEO da PM3.
Salário médio chega a R$ 13 mil
A maior exigência por qualificação também aparece nos números de remuneração. Segundo o levantamento, o salário médio dos profissionais de Produto chegou a R$ 13.011,33, enquanto mais de 30% dos entrevistados recebem acima de R$ 15 mil por mês.
Nas posições de maior senioridade, a remuneração cresce ainda mais. O estudo aponta que recebem mais de R$ 21 mil mensais:
50% dos Heads de Produto;
53,57% dos profissionais em Gerência;
75,76% dos profissionais em Diretoria/C-Level.
O cargo de Product Manager continua sendo o mais ocupado, concentrando 27,5% dos profissionais pesquisados. Ao mesmo tempo, carreiras multidisciplinares, como Product Designer, também ganham espaço no mercado.
São Paulo perde participação
O mercado de produtos digitais também apresenta uma distribuição geográfica mais ampla. Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, São Paulo passou a concentrar menos da metade dos profissionais do setor: 48,1%, contra 52,3% no ano anterior.
O Nordeste já representa quase 10% do mercado, enquanto o Centro-Oeste responde por 3,7%. O Norte, por sua vez, permanece com a menor participação entre as regiões analisadas, com 1,2%.
Mulheres são maioria, mas ainda enfrentam barreira no topo
Outro destaque do levantamento é o avanço da presença feminina. As mulheres representam 54,5% dos profissionais do setor e são maioria em oito dos nove principais cargos analisados.
A participação feminina chega a 74% em Product Marketing e alcança 50,4% na liderança intermediária, indicando equilíbrio entre homens e mulheres nesse nível hierárquico.
O cenário muda, porém, nas posições mais altas. De acordo com a pesquisa, 88% dos cargos de Diretoria e C-Level ainda são ocupados por homens, evidenciando uma diferença significativa entre a presença feminina no mercado e o acesso aos postos de maior poder de decisão.
No recorte racial, a participação de profissionais negros — pretos e pardos — também aumentou. O grupo passou de 21,7% para 29,9% em três anos.
“Com os nossos dados, observamos uma força de trabalho amadurecida, mais feminina e geograficamente diversa. Porém, as estruturas corporativas ainda não acompanharam esse ritmo na mesma velocidade. Temos o desafio de valorizar a carreira especialista para não forçar talentos técnicos a assumirem gestão apenas pelo salário, assim como contribuir para que mais mulheres alcancem posições de diretoria. Na nova fase desse mercado, reter talentos exigirá corrigir essas distorções”, analisa Farinazzo.

