Redação Plenax – Flavia Andrade
Acompanhamento médico, alimentação equilibrada, atividade física e uso correto dos medicamentos são aliados na prevenção de complicações
O envelhecimento da população brasileira reforça a importância dos cuidados com a saúde na terceira idade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de pessoas com 60 anos ou mais passou de 22,2 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2025, um aumento de 58,7% em 13 anos.
Entre as condições que exigem atenção está a hipertensão arterial, que pode aumentar o risco de complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal, problemas de visão e alterações cognitivas.
Segundo o Dr. Elzo Mattar, cardiologista e diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC), o envelhecimento natural das artérias provoca perda de elasticidade dos vasos, o que contribui para o aumento da pressão arterial.
Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, apontam que, em 2024, 48,2% dos adultos entre 55 e 64 anos e 60,2% daqueles com 65 anos ou mais relataram diagnóstico médico de hipertensão.
“A pressão alta é resultado de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. O histórico familiar pode aumentar a predisposição à doença, enquanto hábitos como o consumo excessivo de sal e álcool, o tabagismo, o sedentarismo e o excesso de peso também contribuem para o aumento da pressão”, explica o especialista.
Diabetes, doenças renais e endócrinas também podem favorecer o desenvolvimento da hipertensão. Nas mulheres, a menopausa é outro fator que pode contribuir para esse processo.
Para ajudar no controle da doença e preservar a qualidade de vida, o cardiologista destaca cinco cuidados importantes.
- Mantenha consultas regulares
O acompanhamento médico deve ser definido de acordo com as necessidades de cada paciente. Manter consultas regulares permite monitorar a pressão arterial, avaliar a resposta ao tratamento e identificar a necessidade de ajustes ou novos exames.
“Por tratar-se de uma doença sem cura, o paciente precisa ser acompanhado para avaliar a resposta ao tratamento e a necessidade de ajustes ou exames”, alerta Mattar.
- Adote hábitos mais saudáveis
Evitar o consumo de álcool e cigarro e manter uma rotina de atividades físicas pode contribuir para o controle da pressão arterial.
Caminhadas, hidroginástica e pilates adaptado estão entre as opções indicadas. Exercícios de equilíbrio e alongamento também podem ajudar na prevenção de quedas.
Antes de iniciar uma atividade física, no entanto, é importante conversar com o médico para avaliar se o exercício é adequado e seguro para cada caso.
- Cuide da alimentação
A alimentação também tem papel importante no controle da hipertensão. A recomendação é reduzir o consumo de sal, açúcar, gorduras e alimentos ultraprocessados, priorizando frutas, verduras, legumes, fibras e proteínas magras.
“O excesso de sódio é um dos principais vilões”, explica o cardiologista.
- Monitore a pressão arterial
A aferição da pressão em casa pode ajudar a identificar alterações e fornecer informações importantes para o acompanhamento médico.
Para obter uma medição mais confiável, é recomendado evitar café, álcool e cigarro nos 30 minutos anteriores à aferição. Também deve-se evitar exercícios físicos por uma hora e meia antes da medição e esvaziar a bexiga previamente.
Anotar a data, o horário e os resultados das medições também é importante.
“Também é importante anotar a data, o horário e os resultados para ajudar o médico a identificar padrões e avaliar a evolução do paciente”, recomenda Mattar.
- Siga corretamente o tratamento
Quando prescritos, os medicamentos são fundamentais para manter a pressão arterial sob controle. Por isso, devem ser tomados nos horários indicados pelo médico.
O uso de alarmes pode ajudar a manter a regularidade do tratamento. A medicação, porém, não deve ser interrompida ou alterada por conta própria.
“Usar alarmes pode ajudar a manter a regularidade. Vale ressaltar que o paciente nunca deve interromper ou alterar a medicação por conta própria”, conclui o especialista.

