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Quantidade de nutrientes não é o único fator que define a qualidade do alimento para cães e gatos

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Escolha das matérias-primas, formulação e processamento influenciam a digestibilidade e o aproveitamento dos nutrientes pelos animais

A qualidade nutricional de um alimento para cães e gatos não depende apenas da quantidade de nutrientes apresentada na formulação. A digestibilidade é um dos principais parâmetros para avaliar quanto desses nutrientes é efetivamente digerido e absorvido pelo organismo dos animais.

Segundo Guilherme Martins Contiero, médico-veterinário e executivo de vendas externo da MCassab Nutrição e Saúde Animal, o indicador permite avaliar o quanto das matérias-primas utilizadas na alimentação é realmente aproveitado pelo organismo.

“O percentual efetivamente aproveitado pelo organismo é influenciado por diferentes fatores, que começam na escolha das matérias-primas e passam pela formulação do alimento”, explica o especialista.

A origem, a qualidade e as características nutricionais de cada componente, além da combinação entre eles, interferem no resultado. A seleção das matérias-primas também segue critérios técnicos e regulatórios estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que determina quais componentes podem ser utilizados na alimentação animal e estabelece regras para o uso de aditivos.

Quantidade não significa, necessariamente, maior aproveitamento

Fontes de proteína podem apresentar diferenças na composição de aminoácidos e na forma como são processadas pelo organismo. O mesmo pode ocorrer com minerais, lipídios e fibras.

Por isso, o teor de um determinado nutriente, analisado isoladamente, não determina quanto dele estará efetivamente disponível para o animal.

“Duas rações podem apresentar quantidades semelhantes de determinado nutriente e, ainda assim, apresentar resultados diferentes. A origem e a qualidade dos componentes interferem no quanto estará efetivamente disponível para o animal”, afirma Contiero.

Processamento também influencia o alimento

Além da escolha dos ingredientes e da formulação, o processamento industrial pode interferir nas características das matérias-primas.

A moagem, por exemplo, determina o tamanho das partículas e contribui para a homogeneidade da mistura e para a distribuição adequada dos nutrientes. O controle das diferentes etapas de produção também é necessário para preservar as características estabelecidas na formulação até a obtenção do produto final.

Resposta do animal influencia a percepção do tutor

Os efeitos das escolhas feitas durante a formulação e a produção também podem ser percebidos na experiência dos tutores com o alimento e na resposta dos animais.

Uma formulação que favoreça o uso eficiente dos nutrientes pode contribuir para a manutenção da condição corporal e para a qualidade das fezes, aspectos observados no dia a dia. Alterações persistentes, como aumento do volume fecal, gases ou perda de peso, por outro lado, podem influenciar a percepção sobre o produto, embora não possam ser atribuídas isoladamente à alimentação.

“Para a indústria, é importante considerar que a qualidade nutricional não termina na questão da formulação. O resultado será percebido na resposta do animal e, consequentemente, na experiência que o tutor terá com aquele produto. É exatamente por isso que todas as etapas, desde a seleção das matérias-primas até o processamento, precisam estar alinhadas e acompanhadas de perto”, finaliza o médico-veterinário.

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