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Rota Bioceânica mobiliza investimentos e muda planejamento dos municípios de fronteira em MS

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Porto Murtinho e Ponta Porã concentram ações de infraestrutura, inovação e segurança diante da integração com Paraguai, Argentina e Chile

A implantação da Rota Bioceânica vem alterando o planejamento de municípios de fronteira de Mato Grosso do Sul, especialmente Porto Murtinho e Ponta Porã. A construção da ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, está em fase final, enquanto projetos de infraestrutura, inovação e segurança avançam na região.

A estratégia do governo estadual inclui investimentos em infraestrutura, tecnologia, qualificação e segurança para preparar as cidades para o aumento da circulação de cargas, pessoas e atividades econômicas associado ao corredor internacional. O governador Eduardo Riedel, que é candidato à reeleição, defende que a condição de fronteira deve ser tratada também como oportunidade de integração e desenvolvimento.

“Fronteira não pode ser problema, e sim uma grande oportunidade ao Estado e ao Brasil”, afirmou Riedel.

Porto Murtinho concentra obras ligadas à Rota

Porto Murtinho é um dos principais pontos de entrada da Rota Bioceânica no Brasil. A cidade receberá a conexão rodoviária com Carmelo Peralta, no Paraguai, por meio da ponte internacional que integra o corredor em direção à Argentina e aos portos do norte do Chile.

Além da ponte, estão em andamento obras e projetos relacionados aos acessos rodoviários, ao contorno e à reorganização da estrutura urbana do município. Em setembro, a Prefeitura de Porto Murtinho apresentou projetos de infraestrutura, mobilidade, saúde, habitação e planejamento urbano durante um painel sobre a Rota Bioceânica realizado na UFMS.

O governo estadual também aponta investimentos realizados nos últimos quatro anos como parte da preparação do município. Segundo dados apresentados pela gestão, foram destinados R$ 132 milhões em infraestrutura no período.

“A Rota Bioceânica vai fazer a conexão do Estado com Paraguai, Argentina e Chile, reduzindo a distância do Oceano Pacífico, rumo aos mercados asiáticos. Grandes oportunidades para exportação, importação de produtos, assim como turismo, lazer e cultura”, afirmou Riedel.

Ponta Porã amplia estrutura de inovação

Em Ponta Porã, outra frente de preparação envolve tecnologia, inovação e qualificação profissional. O município inaugurou, em março de 2026, o Parque Tecnológico Internacional (PTIn), estrutura com mais de 1,6 mil metros quadrados voltada ao desenvolvimento tecnológico e econômico da região de fronteira.

O espaço foi estruturado para aproximar empresas, universidades, poder público e sociedade, além de estimular empreendedorismo, startups e cooperação científica entre Brasil e Paraguai.

O PTIn também já conta com iniciativas voltadas à formação e ao empreendedorismo. Entre elas está o programa de pré-incubação Ypy Porã, destinado a projetos de negócios em estágio inicial.

Segurança é outro eixo da fronteira

A segurança pública aparece como outro componente do planejamento para a região. Segundo informações divulgadas pela gestão estadual, foram investidos R$ 275,4 milhões nas forças de segurança, com ações voltadas à inteligência e à integração entre órgãos estaduais, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal e Forças Armadas.

No primeiro semestre de 2026, Mato Grosso do Sul registrou a apreensão de 309.216,51 quilos de drogas, segundo dados apresentados pela comunicação ligada ao governador. No mesmo período de 2023, foram apreendidos 206.030,33 quilos, diferença calculada em 50,08%.

Nesse cenário, a Rota Bioceânica passa a integrar diferentes frentes de planejamento nos municípios fronteiriços. Em Porto Murtinho, as ações estão concentradas principalmente na infraestrutura necessária para a nova conexão internacional. Em Ponta Porã, iniciativas de inovação, empreendedorismo e capacitação buscam ampliar a estrutura econômica e tecnológica da fronteira.

A ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é considerada um dos principais marcos físicos do corredor, que pretende conectar o Brasil ao Paraguai, à Argentina e aos portos do norte do Chile.

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