Redação Plenax – Flavia Andrade
Tecnologia passa a calcular demanda, identificar necessidades de reposição e emitir ordens de compra, reduzindo tarefas manuais e liberando equipes para atividades estratégicas
A inteligência artificial começa a avançar de uma função de apoio para uma atuação mais direta na operação hospitalar. Na Unimed Campinas, a tecnologia passou a executar etapas do processo de gestão de suprimentos, desde o cálculo da demanda até a emissão de ordens de compra.
A mudança foi implementada por meio da GTPLAN AI, plataforma desenvolvida pela GTPLAN, empresa especializada em tecnologia SaaS para Supply Chain. A ferramenta automatiza processos que anteriormente dependiam de análises manuais, permitindo que os profissionais direcionem mais tempo para o acompanhamento da operação, análise de exceções e decisões estratégicas.
Segundo Felipe Noronha, Customer Success Manager & Partner da GTPLAN, a mudança representa uma nova etapa na utilização da inteligência artificial dentro das empresas. “A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma tecnologia de apoio para assumir um papel operacional dentro das empresas. Quando ela consegue calcular demandas, identificar necessidades de reposição e iniciar automaticamente fluxos de abastecimento, estamos falando de um novo patamar de automação”, afirma.
O consultor Jorge Humberto Crivelli também destaca os resultados observados durante a implementação. Segundo ele, a percepção dos ganhos obtidos na rotina da Unimed Campinas abriu espaço para a ampliação da automação para outros itens.
Mais automação na gestão de suprimentos
A tecnologia passou a atuar em uma área considerada estratégica para o funcionamento dos hospitais. O planejamento adequado de medicamentos e materiais influencia tanto a continuidade do abastecimento quanto o controle dos recursos financeiros das instituições.
Com a automação de parte desse processo, a proposta é reduzir atividades repetitivas, minimizar riscos de falta de produtos e aumentar a previsibilidade da operação. Na Unimed Campinas, a mudança também alterou a rotina dos profissionais responsáveis pelo planejamento de materiais.
“A principal mudança foi deixar de gastar tempo com análises repetitivas para atuar de forma muito mais estratégica. Hoje, a inteligência artificial realiza grande parte das análises operacionais e conduz automaticamente diversos fluxos do planejamento até a emissão das ordens de compra. Isso trouxe mais agilidade, previsibilidade e segurança para nossa rotina, além de permitir que a equipe concentre seus esforços nas exceções e nas decisões que realmente agregam valor”, explica Rodrigo Gatti, Analista de Planejamento e Suprimentos Hospitalares da Unimed Campinas.
De acordo com Danilo Akio, também consultor da GTPLAN, a implementação priorizou processos com grande volume de itens. “Trabalhamos lado a lado para mapear quais itens e quais estratégias de suprimento fariam mais sentido automatizar, priorizando ganho operacional em uma grande volumetria de SKUs”, afirma.
Para Aline Dalacqua, Coordenadora de Suprimentos da Unimed Campinas, a automação trouxe mudanças na organização do trabalho e no acompanhamento dos processos.
“Automatizar etapas críticas do planejamento trouxe mais consistência para a operação e reduziu significativamente o tempo dedicado às atividades manuais. Hoje, temos uma visão muito mais estratégica da gestão de suprimentos, com processos padronizados, maior previsibilidade e uma equipe focada naquilo que gera mais valor para o hospital e para o atendimento aos pacientes”, comenta.
IA assume tarefas, mas mantém supervisão humana
A experiência da Unimed Campinas acompanha uma mudança no uso da inteligência artificial em diferentes setores: a tecnologia passa a executar determinadas tarefas com base em parâmetros e regras previamente estabelecidos, enquanto os profissionais permanecem responsáveis pelo acompanhamento dos processos e pelas decisões que exigem análise.
No ambiente hospitalar, esse modelo pode ser aplicado à gestão de estoques e abastecimento, áreas nas quais previsibilidade e disponibilidade de materiais são fundamentais para a operação.
Para Felipe Noronha, a evolução representa uma mudança na relação entre profissionais e sistemas de gestão. “Os hospitais estão migrando de um modelo em que as pessoas operam os sistemas para outro em que passam a gerenciar processos conduzidos pela inteligência artificial. A tecnologia assume atividades repetitivas e analíticas, enquanto os profissionais ampliam seu papel estratégico”, conclui.

