Redação Plenax – Flavia Andrade
Baixa visão pode comprometer a autonomia e a segurança dos idosos; especialistas recomendam acompanhamento oftalmológico e cuidados dentro de casa
A saúde ocular merece atenção especial na terceira idade. Um estudo publicado na Revista Brasileira de Oftalmologia aponta que 81,4% dos idosos institucionalizados apresentavam algum tipo de déficit visual. O dado é utilizado pelo Hospital CEMA, referência em oftalmologia e otorrinolaringologia, como alerta para a relação entre problemas de visão e o risco de quedas entre pessoas idosas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a visão reduzida está entre os fatores associados às quedas em idosos, juntamente com alterações de mobilidade, equilíbrio e cognição, uso de medicamentos e características do ambiente. Apesar disso, a baixa visão pode passar despercebida, principalmente quando alterações na capacidade de enxergar são atribuídas ao processo natural de envelhecimento.
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) estima que a catarata atinja entre 70% e 75% dos brasileiros com mais de 70 anos. A condição pode ser tratada, mas nem sempre é diagnosticada precocemente. No Brasil, cerca de 6 milhões de pessoas vivem com baixa visão, enquanto outras 29 milhões relatam dificuldade permanente para enxergar mesmo com o uso de óculos, segundo dados do IBGE.
Para o oftalmologista Luis Eduardo Braz S. Melo, do Hospital CEMA, a perda visual pode contribuir para situações de risco dentro da própria residência. “A queda de um idoso raramente é acaso. É, na maioria das vezes, o resultado de um risco que se acumulou silenciosamente — e a visão é um dos fatores mais negligenciados nesse processo”, afirma.
Ainda de acordo com o especialista, dificuldades para identificar degraus, desníveis e obstáculos podem elevar o risco de acidentes, especialmente quando a baixa visão está associada a perda de equilíbrio, fraqueza muscular ou ao uso de determinados medicamentos. Por isso, a avaliação oftalmológica pode ajudar a identificar alterações visuais e indicar medidas de tratamento ou correção.
Prevenção começa pelo diagnóstico
Entre as medidas recomendadas pelo Hospital CEMA para reduzir riscos relacionados à baixa visão estão:
realizar avaliações oftalmológicas periódicas a partir dos 50 ou 60 anos, conforme orientação médica;
manter os óculos com grau atualizado;
reforçar a iluminação em corredores, escadas e banheiros;
retirar tapetes soltos e outros obstáculos das áreas de circulação;
realizar avaliação geriátrica e revisar medicamentos que possam interferir no equilíbrio e na estabilidade.
“Cuidar da visão é, também, cuidar da segurança do paciente. O diagnóstico oftalmológico precoce é uma das formas mais simples e eficazes de reduzir o número de quedas e preservar a autonomia do idoso”, destaca o especialista do Hospital CEMA.
A atenção à saúde ocular, portanto, vai além da correção de dificuldades para enxergar. Para os idosos, identificar alterações visuais e adotar medidas preventivas pode contribuir para uma rotina mais segura e para a preservação da autonomia.

