Redação Plenax – Flavia Andrade
Jegue Land reúne pesquisas em genética, reprodução, nutrição e bem-estar animal em parceria com universidades públicas
Uma fazenda localizada no sertão da Bahia passou a sediar o projeto Jegue Land, iniciativa voltada à pesquisa, conservação genética e desenvolvimento de tecnologias para a criação de asininos do ecótipo Nordestino. Segundo os responsáveis pelo projeto, a proposta é estruturar um polo de ciência e tecnologia dedicado à espécie e aproximar a pesquisa acadêmica da realidade dos produtores do Semiárido.
O projeto reúne pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). A fazenda será utilizada como uma espécie de laboratório a céu aberto, com estudos adaptados às condições climáticas e ambientais da Caatinga.
Entre os objetivos estão a conservação de recursos genéticos e o desenvolvimento de modelos sustentáveis de produção. A iniciativa também pretende avaliar o potencial econômico de atividades relacionadas à espécie, como produção de leite e derivados, carne, cosméticos e outros produtos.
Pesquisas abrangem diferentes etapas da criação
As atividades da Jegue Land estão divididas em cinco áreas principais: conservação e genética; nutrição e utilização de forragens disponíveis no Semiárido; manejo reprodutivo e sanitário; bem-estar animal; e viabilidade econômica da cadeia produtiva.
O acompanhamento deverá incluir diferentes fases da criação, com coleta de dados sobre fertilidade, nascimento, crescimento, ganho de peso, conversão alimentar, qualidade dos produtos e custos de produção.
Para o administrador e zootecnista Alex Bastos, o projeto busca conciliar preservação, conhecimento científico e desenvolvimento econômico.
“É uma iniciativa de respeito à cultura nordestina e uma aposta científica no potencial ainda pouco aproveitado do Semiárido”, afirma.
Segundo Bastos, os estudos também deverão avaliar dietas formuladas com recursos disponíveis aos produtores e estabelecer práticas de manejo compatíveis com as características dos animais.
Reprodução e conservação genética
Na área de reprodução, estão previstos estudos envolvendo inseminação artificial, produção de embriões in vitro, criopreservação de sêmen e embriões e transferência de embriões.
As técnicas poderão ser utilizadas para ampliar a conservação da diversidade genética e a reprodução de animais com características de interesse zootécnico.
“Ainda há uma demanda por pesquisas nessa área. Nosso trabalho busca auxiliar na preservação e no melhoramento genético dos asininos diante da crescente demanda por animais e produtos como leite, queijo, cosméticos, carne e pele”, explica a médica-veterinária e pesquisadora da UFV, Yamê Fabres.
O professor e pesquisador da UFRPE Gustavo Carneiro afirma que a proposta também pretende ampliar a percepção sobre o papel dos asininos na pesquisa e na produção.
“A proposta é transformar a Jegue Land em um polo de ciência, tecnologia e inovação dedicado aos asininos, apoiando pesquisas em reprodução, genética, sanidade, nutrição e comportamento, além do desenvolvimento de produtos derivados do leite”, destaca.
Pesquisa ligada aos produtores
A participação das universidades é apontada pelos responsáveis como uma forma de aproximar os resultados das pesquisas das necessidades dos criadores.
Para o docente e pesquisador da UFAPE Jorge Lucena, a fazenda poderá servir como espaço de demonstração de técnicas relacionadas à reprodução, alimentação, ordenha e manejo.
“O conhecimento gerado precisa chegar aos produtores por meio da extensão, estimulando novas atividades econômicas e contribuindo para o desenvolvimento sustentável da cadeia dos asininos no Nordeste”, afirma.

