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Em Nova Andradina, programa ajuda cuidadora a conciliar tratamento do filho e trabalho

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Com benefício de R$ 900 mensais, Valdelice Gonçalves consegue custear parte das despesas do filho e manter a própria esmalteria

Entre os horários de atendimento do filho na Apae e os cuidados dentro de casa, Valdelice Gonçalves encontrou uma forma de continuar trabalhando. Aos 39 anos, ela mantém uma esmalteria na própria residência, no bairro Durval Andrade, em Nova Andradina, e organiza os atendimentos de acordo com a rotina do filho, João Vitor, de 14 anos.

“Atendo clientes de toda a cidade que vêm até aqui fazer as unhas. Para mim é ótimo, porque consigo trabalhar e, ao mesmo tempo, continuar dando toda a assistência ao meu filho”, conta.

A rotina ganhou um apoio adicional com o programa Cuidar de Quem Cuida, do Governo de Mato Grosso do Sul, que oferece benefício mensal de R$ 900 a cuidadores familiares não remunerados de pessoas com deficiência. A iniciativa foi criada com o objetivo de reduzir desigualdades sociais e apoiar famílias que enfrentam uma rotina intensa de cuidados.

Valdelice é beneficiária desde o início do programa, há cerca de dois anos. O recurso passou a fazer parte do orçamento familiar em uma rotina marcada pelas necessidades de João Vitor, que recebeu o diagnóstico de paralisia cerebral próximo aos dois anos de idade. Posteriormente, também foram identificados epilepsia, autismo e síndrome de Lennox-Gastaut.

Além dos cuidados com o filho, Valdelice também divide o tempo com a filha Vitória, de 19 anos.

Trabalho organizado entre os horários do filho

João Vitor frequenta a Apae em período integral às segundas e quintas-feiras. Nas terças, quartas e sextas, permanece na instituição durante a manhã. É nesse intervalo que Valdelice organiza parte dos atendimentos na esmalteria.

A possibilidade de trabalhar em casa permite que ela permaneça próxima do filho e, ao mesmo tempo, mantenha uma fonte própria de renda. O benefício estadual é utilizado principalmente nas despesas relacionadas ao tratamento.

“É, sem dúvida, uma ajuda muito importante do Governo do Estado, ainda mais neste momento em que estou enfrentando dificuldades para receber o BPC (Benefício de Prestação Continuada) dele”, afirma.

Segundo Valdelice, os R$ 900 ajudam na compra de fraldas e medicamentos e também no custeio das viagens necessárias para o tratamento de João Vitor.

Com parte dessas despesas atendida, ela consegue manter a atividade profissional e também investir na própria qualificação. Mesmo com as limitações impostas pela rotina familiar, procura fazer cursos pela internet.

“Não consigo sair muito de casa por conta de todo esse contexto, mas estou sempre fazendo cursos on-line. É importante estar em movimento. A vida é um eterno estudo”, diz.

Programa atende famílias em Mato Grosso do Sul

O Cuidar de Quem Cuida integra a política de assistência social do Governo de Mato Grosso do Sul e é administrado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead). O programa prevê o pagamento mensal de R$ 900 a cuidadores que atendam aos critérios estabelecidos pela legislação estadual.

A iniciativa faz parte do conjunto de programas sociais mantidos pelo Estado, ao lado de ações como Mais Social, Energia Social e MS Supera. Em publicação oficial, a Sead destaca o Cuidar de Quem Cuida como uma política voltada à melhoria da qualidade de vida de famílias que possuem pessoas com deficiência e dependem de cuidados permanentes.

Em declaração apresentada na divulgação das políticas sociais do Estado, o governador Eduardo Riedel relacionou o Cuidar de Quem Cuida a outras iniciativas de assistência, como Mais Social e Energia Social.

“Essa é uma de muitas iniciativas que temos no Estado, como o Mais Social, Energia Social, um conjunto de políticas públicas que tem como foco a redução da pobreza ao máximo e o crescimento econômico atrelado ao desenvolvimento social”, afirmou.

Para Valdelice, o efeito da política aparece no cotidiano: está nas fraldas e medicamentos do filho, nas viagens para tratamento e na possibilidade de reservar algumas horas da semana para receber clientes em casa.

Entre o cuidado com João Vitor, a rotina familiar e os atendimentos na esmalteria, ela mantém também um projeto próprio. Uma forma de continuar trabalhando e estudando sem abrir mão da presença necessária na vida do filho.

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