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Quilombo Tia Eva recebe reconhecimento histórico nacional em cerimônia com Margareth Menezes em Campo Grande

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Comunidade é a primeira do país inscrita no novo Livro do Tombo do Iphan; título foi entregue nesta segunda-feira (28)

A Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, conhecida como Quilombo Tia Eva, recebeu nesta segunda-feira (28), em Campo Grande, o título de tombamento como Patrimônio Cultural Brasileiro. A cerimônia foi realizada no próprio território quilombola, em frente à Igreja de São Benedito, e contou com a participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes.

O reconhecimento torna a Comunidade Tia Eva a primeira comunidade quilombola inscrita no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos, criado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O tombamento foi declarado em março de 2026 e a inscrição no novo livro ocorreu em maio.

A programação reuniu moradores, descendentes de Tia Eva, representantes de outros territórios quilombolas de Mato Grosso do Sul, gestores culturais, artistas e representantes do poder público. Antes da entrega do título, foi realizado o encontro “Cultura Transforma o Território: as políticas públicas de cultura do presente e para o futuro do Brasil”, voltado ao debate sobre políticas culturais e sua relação com os territórios.

Um dos principais marcos históricos da comunidade é a Igreja de São Benedito, conhecida como “igrejinha”. Construída em alvenaria em 1919, a edificação já possui proteção como patrimônio cultural nos âmbitos municipal e estadual e integra as referências históricas e religiosas preservadas pela comunidade.

A história do território está ligada à trajetória de Eva Maria de Jesus, mulher negra nascida em condição de escravização no interior de Goiás e posteriormente alforriada. No início do século XX, ela se estabeleceu na região e adquiriu as terras onde a comunidade se formou. Sua trajetória também está relacionada à religiosidade em torno de São Benedito e às tradições mantidas por seus descendentes.

Durante a cerimônia, a candidata a deputada estadual Ladi Souza acompanhou o ato e falou sobre o significado do reconhecimento para a memória da população negra em Mato Grosso do Sul.

“É um momento que nos faz olhar para a nossa história e reconhecer a trajetória de quem construiu e preservou esse território ao longo de gerações. A Comunidade Tia Eva carrega uma memória que faz parte da história de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Ver esse reconhecimento acontecer dentro da própria comunidade é muito simbólico, porque preservar a memória também é reconhecer a contribuição e a resistência da população negra na construção do nosso Estado”, afirmou Ladi.

A candidata também relacionou o reconhecimento patrimonial à discussão sobre políticas públicas voltadas à população negra e quilombola. Entre as propostas apresentadas por Ladi estão ações de enfrentamento ao racismo estrutural e institucional, políticas afirmativas em áreas como qualificação, inovação e empreendedorismo e medidas para ampliar a participação de empreendedores negros, indígenas e quilombolas em compras públicas.

Na área da educação, ela defende políticas específicas para estudantes indígenas e uma política de permanência para estudantes quilombolas na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), com medidas como bolsas, moradia, transporte, alimentação, apoio acadêmico e incentivo à iniciação científica.

Moradora da comunidade, Tatiane Penha também destacou a presença da ministra Margareth Menezes durante a cerimônia e relacionou o momento à representatividade de mulheres negras em espaços de poder.

“É muito grandioso ter a nossa ministra da Cultura, Margareth Menezes, aqui na nossa comunidade. É uma forma de valorização para a população quilombola, aqui da comunidade Tia Eva. Hoje a Margareth Menezes também está aqui para mostrar que é possível também chegarmos lá, ela como mulher negra nos representa. Precisamos de mais representantes negras em lugares de poder”, afirmou Tatiane.

Para Ladi Souza, o tombamento amplia a discussão sobre a preservação da memória e sua relação com políticas públicas.

“Reconhecer uma comunidade como a Tia Eva também nos lembra que a igualdade racial precisa estar presente nas políticas públicas, na educação, na cultura e nas oportunidades. A memória não pode ser apenas preservada; ela precisa ser conhecida, valorizada e incorporada às decisões que constroem o futuro”, completou.

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