Redação Plenax – Flavia Andrade
RPPN Cerrado Protegido reúne 1.209 hectares de vegetação nativa, nascentes e áreas de veredas e passa a integrar o conjunto de unidades federais de conservação de Mato Grosso do Sul
Uma área de 1.209 hectares de vegetação nativa em Ribas do Rio Pardo, a 98 quilômetros de Campo Grande, passou a ter proteção permanente com a criação da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cerrado Protegido.
A área pertence à Suzano e será administrada pelo Instituto Ecofuturo, organização sem fins lucrativos mantida pela empresa. O reconhecimento da unidade foi oficializado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), por meio da Portaria nº 4.100, publicada no fim de agosto.
A nova reserva reúne diferentes formações características do Cerrado, incluindo áreas de cerrado stricto sensu, cerradão e veredas, além de nascentes. A proteção da área contribui para a conservação da vegetação nativa, da biodiversidade e dos recursos hídricos, além de favorecer a conexão entre fragmentos de habitats na região.
Para Beatriz Greco Tavora, gerente de Sustentabilidade da Suzano e do Instituto Ecofuturo, a criação da RPPN representa mais uma etapa das ações de conservação desenvolvidas pela empresa em Mato Grosso do Sul.
“A criação da RPPN Cerrado Protegido é um passo concreto para a conservação do Cerrado no Mato Grosso do Sul. A área reúne nascentes, diferentes tipos de vegetação nativa e espécies que dependem de grandes extensões preservadas, como o tatu-canastra e o mutum-de-penacho. Com o Instituto Ecofuturo à frente da gestão, vamos ampliar as ações de pesquisa e monitoramento de fauna e flora, além de criar oportunidades para educação ambiental, especialmente para jovens da região”, afirma.
Área abriga espécies da fauna e flora do Cerrado
Os levantamentos realizados para subsidiar o Plano de Manejo da reserva identificaram 164 espécies de flora, distribuídas em 52 famílias botânicas.
Entre os registros está a catuaba (Anemopaegma arvense), espécie classificada como Em Perigo na lista nacional de flora ameaçada.
A diversidade também se estende à fauna. Os estudos reuniram registros de 363 espécies, sendo 29 de peixes, 31 de anfíbios, 20 de répteis, 234 de aves e 49 de mamíferos.
Entre os animais considerados de interesse para a conservação estão a anta, o tamanduá-bandeira, a queixada, o tatu-canastra (Priodontes maximus), o macaco-prego, o lobo-guará, o mutum-de-penacho (Crax fasciolata) e o tico-tico-de-máscara-negra.
O tatu-canastra e o mutum-de-penacho também são classificados como prioritários pela abordagem RHINO, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Além da biodiversidade, as nascentes identificadas dentro da área reforçam a importância da reserva para a conservação dos recursos hídricos. As áreas de veredas e ambientes úmidos do entorno contribuem para a manutenção de funções ecológicas importantes, oferecendo condições para alimentação, abrigo, reprodução e deslocamento da fauna.
Área protegida é maior que a RPPN
Os 1.209 hectares reconhecidos oficialmente como RPPN fazem parte de uma área maior destinada à conservação pela Suzano.
Ao todo, são aproximadamente 3.543,5 hectares que combinam áreas de proteção formal, ações de gestão e programas voltados à conservação da vegetação nativa, dos recursos hídricos e da biodiversidade.
A estratégia está relacionada ao Compromisso Público de Conservação e Restauração da Biodiversidade (CPRV) da empresa, que prevê ações de proteção, restauração e melhoria da qualidade dos habitats considerando a conservação da biodiversidade em escala de paisagem.
Com a criação da Cerrado Protegido, a Suzano passa a manter nove RPPNs no Brasil, distribuídas por quatro estados e três biomas. Juntas, as reservas somam 12.697 hectares protegidos por essa categoria de unidade de conservação.
Pesquisa e educação ambiental
A gestão da nova RPPN ficará sob responsabilidade do Instituto Ecofuturo, que terá entre as prioridades o desenvolvimento de pesquisas científicas e o monitoramento da fauna e da flora.
O acompanhamento das espécies permitirá observar as mudanças na dinâmica ecológica da área e fornecer informações para ações de manejo e conservação.
A unidade também deverá receber atividades de educação ambiental voltadas principalmente para jovens da região. Entre as iniciativas previstas está o projeto Entorno, desenvolvido em parceria com a OBB Brasil.
A proposta é aproximar as comunidades do território protegido e ampliar o conhecimento sobre a importância da conservação do Cerrado, especialmente em uma área que reúne biodiversidade, nascentes e diferentes formações de vegetação nativa.

