Redação Plenax – Flavia Andrade
Infecção pode desencadear resposta desregulada do organismo e comprometer órgãos vitais; atendimento rápido aumenta as chances de uma boa evolução
Uma infecção que inicialmente parece controlável pode evoluir para um quadro grave quando o organismo reage de maneira desregulada e passa a comprometer o funcionamento de órgãos. Essa condição é conhecida como sepse e exige reconhecimento e tratamento rápidos. Estimativas divulgadas pelo Ministério da Saúde apontam que cerca de 400 mil adultos e 42 mil crianças desenvolvem sepse por ano no Brasil. O Dia Mundial da Sepse, lembrado em 13 de setembro, reforça a importância de reconhecer sinais de agravamento e procurar atendimento médico rapidamente.
A sepse pode surgir a partir de diferentes tipos de infecção, como pneumonia, infecção urinária, abdominal ou de pele. Segundo o infectologista Erivaldo Elias Junior, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), a gravidade está na resposta do próprio organismo. “É uma condição grave que acontece quando o organismo reage de maneira desregulada a uma infecção. O problema não é apenas a infecção em si. É quando, na tentativa de combatê-la, o próprio organismo acaba desencadeando uma resposta tão intensa que pode comprometer o funcionamento dos demais órgãos do corpo”, explica. Podem ocorrer alterações na circulação, na oxigenação e no funcionamento dos rins, pulmões, coração e cérebro. Apesar de ser comum a expressão “infecção generalizada”, ela não descreve corretamente a sepse, que não significa necessariamente que a infecção tenha se espalhado por todo o organismo.
Sinais de alerta
A sepse pode começar tanto no ambiente hospitalar quanto em casa. Por isso, diante de uma infecção conhecida ou suspeita, é importante observar mudanças no estado geral. Falta de ar ou respiração acelerada, queda da pressão arterial, coração muito acelerado, sonolência excessiva, confusão mental e redução importante da quantidade de urina estão entre os sinais que merecem atenção e justificam uma avaliação médica rápida. Nem todos aparecem simultaneamente, e a ausência de febre não elimina a possibilidade de um quadro grave, especialmente entre idosos e pessoas com imunidade comprometida. O risco também é maior para bebês, pessoas com doenças crônicas, pacientes com câncer, indivíduos imunossuprimidos e quem passou recentemente por cirurgias ou internações. “Na sepse, reconhecer que o quadro está se agravando e iniciar o tratamento o quanto antes pode fazer muita diferença na evolução do paciente”, orienta o especialista.
Diagnóstico e tratamento
A avaliação médica considera a presença de uma infecção e possíveis alterações no funcionamento dos órgãos. Exames de sangue, culturas e exames de imagem podem auxiliar na identificação da causa e na avaliação da gravidade. O tratamento deve começar rapidamente e pode envolver antimicrobianos, hidratação intravenosa e medicamentos para manter a pressão arterial, além de outras medidas de suporte. Nos casos mais graves, pode ser necessário acompanhamento em unidade de terapia intensiva. “Quanto mais cedo a gente reconhece, identifica e trata a infecção que o desencadeou e dá o suporte necessário aos órgãos, maiores são as chances de uma boa evolução”, afirma Erivaldo.
No Humap-UFMS, pacientes com suspeita de sepse são avaliados por meio de um protocolo específico, que orienta a equipe desde a identificação dos sinais de gravidade até as medidas iniciais de tratamento e acompanhamento. A equipe investiga o provável foco da infecção, solicita os exames necessários e inicia as medidas de suporte de acordo com a condição clínica. Os resultados das culturas e demais exames podem levar a ajustes no tratamento. Segundo o infectologista, o protocolo busca reduzir atrasos e padronizar condutas. Fora do ambiente hospitalar, algumas medidas também ajudam a reduzir o risco de infecções e suas complicações, como manter a vacinação em dia, cuidar adequadamente de feridas, controlar doenças crônicas e procurar avaliação profissional diante de sinais de piora. Nos serviços de saúde, a prevenção inclui higienização das mãos, cuidados com cateteres e sondas e uso adequado de antimicrobianos.

