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Canetas emagrecedoras e queda de cabelo: o que o emagrecimento rápido pode causar nos fios

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Uso de medicamentos para perda de peso amplia debate sobre inflamação, massa magra, alimentação e alterações no ciclo capilar

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras no tratamento da obesidade e do excesso de peso também trouxe uma série de dúvidas sobre seus possíveis efeitos sobre a saúde dos cabelos. Entre os questionamentos está a relação entre emagrecimento, metabolismo, inflamação e queda capilar.

Segundo a médica tricologista Dra. Márcia Dertkigil, existe uma conexão que merece atenção: a inflamação. A obesidade é considerada uma condição inflamatória e, de acordo com a especialista, processos inflamatórios também podem estar envolvidos em diferentes tipos de alopecia.

“A obesidade é, por si só, uma condição inflamatória, e as alopecias também apresentam componentes inflamatórios. Quando temos um organismo inflamado, isso pode repercutir em diferentes sistemas, inclusive no ciclo do cabelo”, explica.

Metabolismo também pode influenciar os folículos

A relação entre os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade e a saúde capilar está, de acordo com a tricologista, na possibilidade de interferência sobre alterações metabólicas e inflamatórias que fazem parte do funcionamento do organismo.

“A caneta emagrecedora pode reduzir processos inflamatórios relacionados à obesidade. E essa é uma questão que também nos interessa na tricologia, porque o folículo piloso responde ao ambiente metabólico e hormonal do organismo”, afirma Dra. Márcia.

A especialista, entretanto, ressalta que essa relação não significa que medicamentos para emagrecimento sejam indicados para pessoas que apresentam queda de cabelo. A avaliação deve ser individualizada e considerar as causas do problema.

Emagrecimento rápido também pode favorecer queda

Outro aspecto que precisa ser observado é o próprio processo de perda de peso. Quando o emagrecimento ocorre rapidamente ou é acompanhado por uma redução significativa da ingestão de calorias e nutrientes, o organismo pode passar por um período de estresse fisiológico.

Esse processo pode favorecer o eflúvio telógeno, condição caracterizada por uma queda capilar geralmente temporária.

“Hoje existe muita gente usando essas medicações e perdendo peso rapidamente. Nesse contexto, precisamos olhar também para a massa magra, a alimentação e o estado nutricional. Não podemos simplesmente colocar toda queda de cabelo na conta da caneta”, alerta a tricologista.

Por isso, o acompanhamento do paciente deve ir além do número apresentado pela balança. Composição corporal, alimentação e estado nutricional também precisam fazer parte da avaliação.

Metabolismo, hormônios e cabelo

Com a expansão do uso dos medicamentos para obesidade, os efeitos metabólicos do tratamento também passaram a ser observados por diferentes especialidades médicas.

“Hoje, a gente percebe que essas medicações estão sendo utilizadas e estudadas em diferentes especialidades. O cardiologista pode considerar seus efeitos sobre o risco cardiovascular; o nefrologista, os impactos relacionados à obesidade e à sobrecarga renal; o endocrinologista acompanha principalmente as questões metabólicas”, explica Dra. Márcia.

Na tricologia, a análise envolve a relação entre metabolismo, inflamação, hormônios e funcionamento dos folículos.

“Como tricologistas, também precisamos olhar para o organismo como um todo. Não tratamos apenas o fio que caiu. Precisamos entender por que aquele folículo está sofrendo”, afirma.

As questões hormonais também podem entrar nessa investigação. Segundo a especialista, alterações na relação entre hormônios podem estar associadas a manifestações no couro cabeludo e nos cabelos em determinados pacientes.

“A questão hormonal também precisa ser avaliada. Em algumas mulheres, por exemplo, alterações na relação entre os hormônios podem estar associadas a manifestações no couro cabeludo e no cabelo. Por isso, a avaliação precisa ser individual e baseada na história e nos exames de cada paciente”, explica.

Tratamento precisa ser mantido para sempre?

Outra dúvida que acompanha a popularização das canetas emagrecedoras é sobre a duração do tratamento.

Para Dra. Márcia, a resposta depende das características e da evolução de cada paciente, especialmente porque a obesidade pode ser uma condição crônica.

“Quando um médico indica uma medicação para uma condição crônica, não necessariamente existe uma data determinada para interromper o tratamento. Precisamos pensar da mesma maneira quando falamos sobre obesidade: cada paciente deve ser acompanhado e a estratégia pode ser ajustada ao longo do tempo”, afirma.

A especialista reforça que isso não significa que todas as pessoas devam utilizar os medicamentos continuamente ou em uma determinada dose. A indicação, manutenção ou suspensão devem ser avaliadas pelo profissional responsável.

E a chamada microdose?

A utilização de doses menores dos medicamentos também aparece entre as discussões relacionadas ao tratamento.

Segundo a tricologista, quando há indicação médica, a estratégia deve buscar a menor dose capaz de produzir o resultado esperado para aquele paciente.

“Quando existe indicação médica, trabalhamos sempre buscando a menor dose que produza o resultado esperado para aquele paciente. Não é simplesmente usar mais porque o objetivo é emagrecer mais rápido”, destaca.

A decisão deve considerar a resposta individual, possíveis efeitos adversos, composição corporal, alimentação, histórico clínico e objetivos do tratamento.

Medicamento para obesidade não é tratamento para queda de cabelo

Apesar da relação entre metabolismo, inflamação, hormônios e funcionamento dos folículos ser relevante para a tricologia, a utilização de medicamentos para obesidade especificamente como tratamento para alopecia exige avaliação médica.

A queda de cabelo pode ter diferentes causas e precisa ser investigada antes da definição de qualquer conduta.

“Não estamos falando que toda queda de cabelo deve ser tratada com caneta emagrecedora. O que estamos dizendo é que existe uma conexão entre metabolismo, inflamação, hormônios e saúde dos folículos que precisa ser considerada. Cada paciente precisa ser investigado individualmente”, finaliza Dra. Márcia Dertkigil.

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