Redação Plenax – Flavia Andrade
Comentário de participante durante prova chamou atenção para técnica japonesa associada ao BDSM, mas que também possui vertentes artísticas e de intimidade
Uma referência inusitada durante o MasterChef Brasil desta terça-feira chamou atenção dos espectadores. Durante uma das provas, a participante Carla Araújo comparou a técnica usada para amarrar um frango ao shibari, prática japonesa de amarração com cordas que também ganhou espaço no universo BDSM.
A menção repercutiu nas redes sociais e levou o termo a ser pesquisado por pessoas que não conheciam a prática. Embora o shibari seja frequentemente relacionado a fetiches e à sexualidade, a atividade também pode envolver expressão artística, estética, concentração e conexão entre os participantes.
Das técnicas japonesas à expressão artística
O shibari tem raízes no hojojutsu, conjunto de técnicas de imobilização utilizadas no Japão feudal. Ao longo do tempo, as amarrações passaram por transformações e ganharam novas interpretações, incluindo abordagens artísticas e performáticas.
No contexto contemporâneo, a prática pode envolver diferentes objetivos e formas de interação. No BDSM, quem realiza as amarrações é geralmente chamado de rigger, enquanto a pessoa que é amarrada pode receber diferentes denominações, dependendo da dinâmica estabelecida.
O artista Amauri Filho, conhecido pelo perfil @liononadiet e praticante de shibari desde 2017, explica que a experiência não se resume à restrição de movimentos.
“O shibari é uma prática sobretudo de intimidade. Ainda que seja possível praticar por diversão, como acontece em festas de fetiche, a prática sempre exige alguma entrega, algum cuidado e conexão.”
A atividade também pode ser explorada sem finalidade sexual. Algumas pessoas utilizam as cordas como forma de expressão artística ou para experimentar sensações corporais, concentração e diferentes estados de atenção.
Consentimento e segurança são fundamentais
Apesar da curiosidade despertada pela brincadeira no programa de televisão, o shibari envolve técnicas que exigem conhecimento e cuidado.
As cordas podem exercer pressão sobre a pele, músculos, vasos sanguíneos e nervos. Amarrações realizadas de maneira inadequada podem provocar lesões, o que torna importante conhecer os princípios de segurança antes de experimentar técnicas mais complexas.
A orientação de praticantes experientes é buscar materiais educativos, cursos e profissionais qualificados antes de reproduzir determinadas amarrações. O consentimento entre as pessoas envolvidas também é um elemento central das práticas de BDSM.
Por que o BDSM desperta tanta curiosidade?
Para Amauri, parte do interesse pelo universo BDSM está justamente na curiosidade provocada por aquilo que ainda é pouco conhecido ou cercado de tabus.
“Acho que o fascínio do BDSM está no fascínio do proibido.”
Segundo ele, enquanto para quem já conhece esse universo o BDSM pode representar uma forma de expressão, para quem está de fora existe a curiosidade em relação a práticas que permanecem pouco discutidas.
O interesse por fetiches e diferentes formas de vivenciar a sexualidade também aparece em levantamentos realizados pelo Sexlog, plataforma voltada ao público adulto. A empresa afirma observar crescimento do interesse dos usuários por diferentes práticas e experiências.
Para quem teve o primeiro contato com o termo após o MasterChef, conhecer o shibari exige ir além da associação automática com fetiche. A prática reúne diferentes possibilidades, que vão da expressão artística à intimidade, sempre dependendo da intenção e dos limites estabelecidos entre os participantes.
Sobre o Sexlog
O Sexlog se apresenta como uma rede social voltada ao público adulto, reunindo usuários interessados em sexualidade, relacionamentos e diferentes experiências. Segundo a própria plataforma, são mais de 25 milhões de usuários cadastrados.

