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Ressincronização pode aumentar em até 10% produção de bezerros e reduzir estação de monta

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Estratégia associada à IATF permite nova inseminação de fêmeas que não emprenharam na primeira tentativa e concentra nascimentos no início da estação de parição

Com o início da estação de monta, produtores de gado de corte buscam estratégias para elevar os índices reprodutivos e aproveitar melhor o potencial das matrizes. Entre as ferramentas utilizadas está a ressincronização, técnica associada à Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) que permite uma nova tentativa de inseminação ainda dentro da mesma estação.

A IATF já responde por mais de 90% das inseminações realizadas em bovinos no Brasil. A ressincronização amplia essa estratégia ao identificar as fêmeas que não emprenharam após a primeira inseminação e submetê-las a um novo protocolo reprodutivo.

“Com a ressincronização, o pecuarista pode inseminar novamente as fêmeas que não emprenharam na primeira tentativa, reduzindo o intervalo entre as inseminações. Essa possibilidade aumenta a eficiência do sistema e permite concentrar mais prenhezes na estação de monta”, explica Fernando Furtado Velloso, diretor técnico da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA).

Mais prenhezes dentro da mesma estação

Com uma taxa média de prenhez de até 50% na primeira IATF, uma parcela significativa das matrizes permanece disponível para uma nova tentativa.

No sistema tradicional, as fêmeas que não emprenham costumam ser submetidas ao chamado repasse, quando permanecem com touros para uma nova oportunidade de prenhez por monta natural.

Segundo Velloso, a ressincronização pode representar 6% a 10% mais bezerros em comparação com o sistema convencional de IATF seguido de repasse.

A estratégia também pode reduzir entre 20 e 30 dias a duração da estação de monta. Com um período reprodutivo mais concentrado, aumenta a possibilidade de reunir um maior número de prenhezes no início da estação.

Diagnóstico mais rápido

A ressincronização pode ser aplicada por diferentes protocolos. No modelo tradicional, o diagnóstico de gestação é realizado por ultrassonografia aproximadamente 30 dias após a primeira IATF. As fêmeas identificadas como vazias podem, então, iniciar um novo protocolo.

Outra possibilidade utiliza o exame com Doppler, que permite antecipar o diagnóstico.

“Em protocolos mais precoces, o uso de Doppler antecipa a avaliação, que pode ser realizada 21 dias após a primeira tentativa de inseminação”, explica o diretor técnico da ASBIA.

A antecipação permite identificar mais rapidamente as fêmeas que não emprenharam e reduzir o intervalo até uma nova inseminação.

Nascimentos mais concentrados

O ganho proporcionado pela ressincronização não está apenas no aumento do número de prenhezes.

Ao concentrar mais gestações no início da estação, a técnica também pode aumentar a quantidade de nascimentos nos primeiros 45 dias da estação de parição.

Na prática, os bezerros nascidos no começo desse período têm mais tempo para ganhar peso até o desmame. A estratégia pode contribuir para aumentar o peso médio dos animais, melhorar a uniformidade dos lotes e facilitar o planejamento do manejo da propriedade.

A concentração dos nascimentos também permite maior organização das atividades relacionadas ao manejo sanitário, nutricional e reprodutivo do rebanho.

Custo precisa ser comparado ao retorno

A decisão de adotar a ressincronização também depende da avaliação econômica do sistema.

O protocolo envolve despesas adicionais com sêmen, hormônios e serviços veterinários. Por outro lado, o potencial de gerar mais bezerros e concentrar os nascimentos pode compensar o investimento, dependendo das condições de cada propriedade.

Velloso recomenda que o produtor considere principalmente o ganho em quilos de bezerros produzidos ao avaliar a relação entre custo e benefício.

“Os custos da IATF representam aproximadamente 5% do valor do bezerro ao desmame. Quando consideramos o potencial de produzir mais bezerros e concentrar os nascimentos, especialmente em um momento favorável para a pecuária, a relação entre investimento e retorno pode ser bastante positiva”, afirma.

Planejamento define resultado da próxima safra

Com a aproximação da estação de monta, o planejamento reprodutivo se torna uma das etapas determinantes para o desempenho da próxima safra de bezerros.

Nesse cenário, a ressincronização amplia as possibilidades oferecidas pela IATF ao permitir uma nova inseminação das fêmeas vazias em intervalo mais curto.

Além de buscar maior número de prenhezes, a estratégia pode contribuir para encurtar a estação de monta, antecipar nascimentos e aumentar a uniformidade dos lotes, fatores que interferem diretamente na eficiência da produção de bovinos de corte.

Para o produtor, o objetivo deixa de ser apenas emprenhar mais matrizes e passa a envolver também quando essas gestações acontecem e qual impacto terão sobre o peso, o manejo e a comercialização dos bezerros.

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