Redação Plenax – Flavia Andrade
Movimentação dos animais deve ser considerada na definição de pastagens, corredores, cercas e áreas de manejo
O comportamento do rebanho é um dos fatores que devem ser considerados no planejamento da infraestrutura de uma propriedade rural. A forma como os animais se deslocam, reagem a estímulos e mudam de direção pode influenciar a organização de pastagens, corredores, currais, bebedouros, cochos e cercas.
A avaliação ganha importância na pecuária de corte brasileira, especialmente nos sistemas que trabalham com o gado Nelore, predominante entre os animais destinados à produção de carne no país.
Segundo a médica veterinária e doutora em Zootecnia Vanessa Amorim Teixeira, analista de mercado agro da Belgo Arames, conhecer a dinâmica do rebanho ajuda o produtor a definir estruturas mais adequadas para cada propriedade.
A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) estima que cerca de 80% do rebanho bovino de corte brasileiro, aproximadamente 152 milhões de animais, seja formado por Nelore ou mestiços da raça.
Adaptado às condições tropicais, o Nelore apresenta boa capacidade de deslocamento e elevada percepção dos estímulos do ambiente. Em situações de medo, pressão excessiva ou diante de algo desconhecido, os animais podem reagir rapidamente e buscar rotas de fuga.
Ao mesmo tempo, a raça também apresenta características de docilidade que podem facilitar o manejo e a adaptação a diferentes ambientes. Há, porém, diferenças de comportamento entre indivíduos e linhagens, segundo informações reunidas no livro “ACNB, 70 anos a serviço da raça Nelore”.
Situações podem aumentar pressão sobre cercas
A movimentação do rebanho pode se intensificar em diferentes situações dentro da propriedade. Falta de água, alimento ou sombra, separação entre vacas e bezerros, formação de novos lotes, fêmeas em cio, disputas entre machos e chegada de animais desconhecidos estão entre os fatores que podem provocar maior agitação.
Também podem desencadear respostas de fuga a presença de cães, máquinas, pessoas, ruídos, temporais, incêndios, predadores e animais silvestres.
Por isso, pontos de maior movimentação exigem atenção durante o planejamento. Entre eles estão cantos, porteiras, corredores, áreas próximas ao curral e locais de alimentação e fornecimento de água.
A atenção também deve ser ampliada em áreas destinadas a touros, vacas com bezerros e animais recém-chegados.
Cercas precisam acompanhar a dinâmica do rebanho
De acordo com a especialista, a estrutura das cercas deve ser dimensionada conforme a pressão que cada área da propriedade recebe.
Resistência, elasticidade, visibilidade e tensionamento adequado dos fios estão entre as características que devem ser avaliadas. Mourões, esticadores, porteiras e cantos também precisam apresentar estrutura compatível com o tipo de animal e o sistema de produção.
Vãos excessivos, arames frouxos, passagens próximas ao solo e trechos frágeis podem facilitar tentativas de ultrapassagem e aumentar o risco de acidentes.
O planejamento, portanto, deve levar em conta não apenas o terreno e o sistema produtivo, mas também a categoria e o comportamento dos animais.
Manejo racional reduz riscos
Para propriedades que trabalham com gado Nelore, a combinação entre planejamento da infraestrutura, escolha adequada dos materiais, instalação correta e manutenção preventiva pode contribuir para reduzir riscos de fugas, acidentes e danos às estruturas.
A adoção de práticas de manejo racional também permite que a movimentação dos animais seja considerada desde o projeto da propriedade, tornando as operações cotidianas mais previsíveis e seguras.

