Redação Plenax – Flavia Andrade
Instituto passou a analisar mais processos do que recebe mensalmente; estoque caiu de 3,1 milhões para 1,25 milhão
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alcançou a meta de atendimento sem fila e reduziu para 34 dias o tempo médio de espera para análise de pedidos. Os dados foram divulgados pelo Governo Federal nesta quinta-feira (3).
A mudança ocorre após uma série de medidas de gestão, modernização e ampliação da capacidade de atendimento. Atualmente, o INSS consegue concluir mensalmente um volume de processos superior ao número de novos pedidos que chegam ao órgão.
Em julho, mesmo com o recorde de 1,435 milhão de novos pedidos de aposentadorias e benefícios assistenciais, o instituto entregou 1,658 milhão de respostas. Com isso, o estoque de processos em análise caiu de 3,1 milhões, registrado em fevereiro, para 1,25 milhão.
O volume atual está abaixo da quantidade média de novos pedidos recebidos mensalmente e, segundo o governo, dentro da capacidade de análise do instituto.
Tempo de espera cai 25 dias
A redução também aparece no tempo médio de atendimento. Em fevereiro, o prazo era de 59 dias. Em agosto, caiu para 34 dias, abaixo do prazo legal de 45 dias para análise das solicitações.
O conceito de “atendimento sem fila” considera que o estoque de processos está dentro da capacidade mensal de resposta do INSS. Na prática, isso permite que os pedidos sejam analisados dentro do prazo previsto em lei.
A chamada fila de Reconhecimento Inicial de Direito (RID) corresponde à etapa em que o instituto realiza a primeira análise da documentação apresentada pelo cidadão para verificar a possibilidade de concessão do benefício.
Concessões aumentam
O ritmo de concessões também vem crescendo nos últimos anos. A média mensal passou de 501 mil benefícios em 2023 para 641 mil em 2025.
Entre janeiro e julho de 2026, a média chegou a 730 mil concessões por mês, um crescimento de 46% em relação ao início de 2023.
Ao mesmo tempo, a demanda aumentou. A média mensal de novos pedidos passou de 897 mil em 2023 para aproximadamente 1,3 milhão em 2026, alta de 40%.
Tecnologia e novas medidas
Para lidar com o aumento da demanda, o Ministério da Previdência Social adotou medidas em cinco frentes.
Uma delas é o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), que prevê pagamento de bônus a servidores que realizem tarefas além das metas estabelecidas. Em julho, 4.311 servidores participaram do programa, responsável, segundo o governo, por ampliar em 2 milhões o número de atendimentos em 2026.
Outra iniciativa é o Atestmed, sistema de análise documental digital utilizado em casos de incapacidade temporária, permitindo a avaliação sem a necessidade de perícia médica presencial em determinadas situações.
Também houve reforço no quadro de servidores, com a nomeação de mais de 2,5 mil profissionais, incluindo 500 peritos médicos federais e 230 assistentes sociais.
A Perícia Conectada passou a utilizar recursos de telemedicina para viabilizar atendimentos em locais onde não há médicos peritos presencialmente. Atualmente, 865 agências realizam atendimentos nessa modalidade.
Os mutirões também foram ampliados. Em 2023, foram realizados 31 mil atendimentos extras. O número chegou a 218 mil em 2025 e alcançou 300 mil nos primeiros oito meses de 2026, segundo os dados divulgados pelo governo.
Reclamações caem 82%
O INSS também passou a acompanhar diariamente o fluxo de processos por meio de um modelo de decisão orientado por dados. A estratégia foi estruturada para permitir que o órgão absorva continuamente cerca de 1,3 milhão de pedidos por mês sem voltar a acumular passivo.
Como reflexo, as reclamações registradas na Ouvidoria do INSS caíram 82% entre janeiro e agosto de 2026.
O instituto afirma ainda manter mecanismos permanentes de controle de qualidade das análises. De acordo com o governo, a metodologia é reconhecida e validada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como forma de reduzir erros tanto em concessões quanto em indeferimentos.
Previdência alcança 82% dos idosos
Durante a apresentação dos resultados, o governo também destacou o alcance do sistema de proteção social brasileiro.
Segundo os dados divulgados, a Previdência Social atende 82% da população com 60 anos ou mais no país. Na área rural, a cobertura chega a 90,3%.
O pagamento dos benefícios previdenciários representa, ainda, R$ 1,149 trilhão por ano movimentado na economia, conforme os números apresentados pelo governo.

