Redação Plenax – Flavia Andrade
Projeto “De Nariz para Nariz” realizou 362 intervenções em hospitais, UPAs e CAPS de Curitiba e Região Metropolitana ao longo de 14 meses
Quase 40 mil pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde foram alcançados por ações de palhaçaria em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) de Curitiba, Campo Largo e Fazenda Rio Grande, no Paraná. O resultado marca o encerramento da terceira edição do projeto “De Nariz para Nariz”, desenvolvido pela Associação Nariz Solidário.
Entre abril de 2025 e julho de 2026, a iniciativa promoveu 362 intervenções cênicas gratuitas, totalizando 1.450 horas de atuação em ambientes de urgência, emergência e saúde mental. As atividades foram realizadas em 27 unidades de saúde e envolveram 60 palhaços, entre profissionais contratados e voluntários.
Criado durante a pandemia de Covid-19 como resposta ao isolamento e à sobrecarga dos serviços de saúde, o projeto ampliou sua atuação nos últimos anos e passou a integrar a rotina de diferentes unidades do SUS. Atualmente, as ações são realizadas semanalmente em CAPS, UPAs, no Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns e no Hospital Infantil Waldemar Monastier.
Durante as intervenções, os artistas percorrem enfermarias, corredores, salas de espera e setores de atendimento utilizando a linguagem da palhaçaria para estimular encontros, escuta e acolhimento entre pacientes, acompanhantes e profissionais.
A técnica em enfermagem Alboni Izabel afirma que a presença dos artistas transforma a rotina das unidades.
“As mães e as crianças ficam muito felizes e criam uma expectativa, esperando a hora em que eles chegam para brincar. E isso muda o nosso dia também. Às vezes, a gente está mais triste, eles chegam, fazem uma brincadeira e trazem alegria para nós também”, relata.
Para Eduardo Roosevelt, fundador e diretor artístico da Associação Nariz Solidário, os resultados da terceira edição representam mais do que os números alcançados.
“Falar de uma terceira edição em um projeto como esse é ir além de números, é pensar em dar continuidade para algo que se constrói em coletivo, que acessa de forma sutil e única, tornando o ambiente de cuidado ainda mais importante, incluindo a arte como amigo e parceiro da saúde, gerando mais leveza e alegria”, afirma.
Formação também fez parte da iniciativa
Além das intervenções nas unidades de saúde, o projeto investiu na formação de profissionais e voluntários e na continuidade da rede de palhaçaria voluntária.
Ao longo da terceira edição, foram realizadas cinco palestras gratuitas em escolas públicas, alcançando 137 alunos e professores. Também ocorreram seis rodas de conversa com o tema “Palhaçaria como educação e saúde”, que reuniram 108 participantes.
O projeto promoveu ainda sete oficinas de preparação corporal e de Libras, totalizando 104 horas de formação para artistas profissionais e voluntários.
Outra ação foi o 6º Encontro Nacional de Lideranças Voluntárias, realizado de forma online durante dois dias e que reuniu 157 participantes de diferentes regiões do país.
Cuidado com os próprios artistas
A saúde mental dos artistas envolvidos também esteve entre as prioridades da terceira edição. Ao todo, foram realizados oito encontros de acompanhamento terapêutico com os palhaços que atuam nas unidades de saúde.
Para Gabriela Cristina, biomédica e voluntária da Associação Nariz Solidário há cerca de dez meses, o acompanhamento ajuda os participantes a lidar com as experiências vivenciadas durante as visitas.
“É muito necessário falar sobre o que nos marca e como isso influencia em nós, tanto como pessoas quanto como palhaços. Também é importante ouvir nossos parceiros para entender o que há em comum e o que é único nas experiências de cada um”, afirma.
Com o encerramento da terceira edição, o projeto ultrapassa a marca de 200 mil pessoas impactadas desde sua criação.
Angelita Silva, diretora do Centro Médico Comunitário Bairro Novo, destaca que a presença dos artistas também contribui para tornar o atendimento mais humanizado.
“A presença do Nariz Solidário traz leveza para o atendimento e alegria tanto para quem precisa permanecer aqui por mais tempo quanto para os funcionários. É uma forma de quebrar a rotina e fortalecer a humanização do cuidado com uma população que precisa de conforto para além da assistência”, afirma.
Quarta edição está sendo preparada
Com os resultados alcançados, a Associação Nariz Solidário já prepara a quarta edição do projeto, que deverá dar continuidade às ações nas unidades de saúde atendidas.
O “De Nariz para Nariz” é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura e conta com patrocínio do Grupo Uninter, Cia. de Cimento Itambé, Instituto Joel Malucelli, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Worker Ferramentas, Unimed Paraná e Unimed Curitiba.

