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Fim da escala 6×1 acende alerta no setor produtivo e Fiems cobra debate amplo

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Sérgio Longen diz que mudanças na jornada e nas regras de contratação precisam ser discutidas com trabalhadores, empresários e setores da economia

A aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 reacendeu o debate sobre o futuro das relações trabalhistas no Brasil. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems), Sérgio Longen, uma eventual mudança na jornada exige uma discussão mais ampla sobre os impactos para trabalhadores, empresas e para a economia.

A proposta foi aprovada nesta quarta-feira (2) pela CCJ e agora segue para análise do plenário do Senado.

Segundo Longen, a principal preocupação do setor produtivo está na falta de um debate aprofundado sobre as consequências econômicas e sociais da medida.

“Esse projeto da escala 6×1 nos preocupa pelo pequeno debate que tivemos oportunidade de participar. Qualquer projeto que envolve o trabalho precisaria de um amplo debate. Isso passa por ações nos estados, nas regiões, com os setores da economia, com trabalhadores e empresários”, afirmou.

O presidente da Fiems também defende que a população seja informada de maneira clara sobre os possíveis efeitos de uma alteração na legislação trabalhista. Na avaliação dele, trabalhadores e empregadores precisam compreender como uma eventual redução da jornada poderá afetar os custos e o funcionamento das atividades econômicas.

“O discurso fácil é de que o trabalhador vai trabalhar menos e ganhar a mesma coisa. Isso é impossível. Esses custos serão transferidos de alguma forma”, declarou.

Longen vê momento inadequado para mudança

Além dos impactos sobre os custos, Sérgio Longen questiona o momento em que a proposta está sendo discutida. Para ele, a tramitação ocorre em um cenário no qual decisões políticas podem acabar se sobrepondo a uma discussão que deveria envolver diretamente os setores afetados.

“É um momento inoportuno. A política está se sobrepondo a esse assunto, e nós vamos ter mais um custo sendo transferido para a sociedade, engessando ainda mais a contratação do trabalho no Brasil”, afirmou.

A proposta em análise no Senado prevê a redução da jornada semanal de trabalho e a ampliação do período de descanso remunerado.

Com a aprovação na CCJ, o texto está apto a seguir para votação no plenário da Casa, onde ainda poderá ser discutido e sofrer alterações antes de uma eventual aprovação.

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