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Espetáculo que une ciência e saberes indígenas encerra circulação com apresentações em Bonito e Porto Murtinho

Fotos: Pedro Miyoshi

Redação Plenax – Flavia Andrade

“Jurema e a Criação do Mundo” realiza sessões gratuitas no Assentamento Guaicurus e na comunidade indígena Tomázia nos dias 3 e 4 de setembro

Depois de percorrer diferentes territórios de Mato Grosso do Sul, o espetáculo “Jurema e a Criação do Mundo” encerra sua temporada de circulação pelo Estado com duas últimas apresentações. A montagem será apresentada no dia 3 de setembro, no Assentamento Projeto Guaicurus, em Bonito, e no dia 4, na comunidade indígena Tomázia, em Porto Murtinho. As sessões são gratuitas e contarão com intérprete de Libras.

Em Bonito, a apresentação ocorre às 9h30, na Escola Municipal Rural Ozório Jacques, no Assentamento Projeto Guaicurus. No dia seguinte, o espetáculo chega à comunidade indígena Tomázia, onde serão realizadas as últimas sessões da circulação na Escola Estadual Indígena Antônio Alves de Barros – Extensão Aldeia Tomázia e na Escola Municipal EJIWAJEGI – Extensão Aldeia Tomázia.

Uma viagem pelas diferentes formas de explicar o mundo

Idealizado por Sorrayla Acosta Parra, o espetáculo acompanha a trajetória da Palhaça Jurema, uma personagem curiosa e inquieta que busca respostas para questões relacionadas à origem do universo, da Terra e da humanidade.

Para construir essa jornada, a montagem reúne teatro, palhaçaria, música, circo e contação de histórias. A proposta é apresentar ao público diferentes maneiras de compreender a criação do mundo, aproximando conhecimentos tradicionais e ciência.

A dramaturgia estabelece um diálogo entre as cosmovisões dos povos Guarani Mbya e Desana e a explicação científica do Big Bang, criando uma experiência voltada à descoberta e à reflexão sobre a diversidade de narrativas que procuram explicar nossas origens.

Pesquisa aproximou espetáculo das comunidades

A circulação é resultado de um processo de pesquisa e escuta desenvolvido durante quase dois anos. Segundo a idealizadora, o contato com diferentes territórios ampliou as possibilidades de encontro proporcionadas pela montagem e reforçou a proposta de democratizar o acesso à produção cultural.

“Mais do que transmitir uma mensagem única, espero que cada pessoa saia do espetáculo levando consigo uma nova história. Que possa conhecer outras formas de narrar a criação do mundo, se encantar, se divertir e talvez olhar de outra maneira para a terra, para as diferentes culturas e para as histórias que nos constituem”, afirma Sorrayla.

A apresentação em Tomázia também representa um momento simbólico para a trajetória da montagem, que estabelece relação direta com conhecimentos e tradições dos povos originários.

Entre os elementos incorporados ao espetáculo está o canto Guarani-Kaiowá “Mamo Oimē Nde Rory”, aprendido por Sorrayla junto à comunidade de I’tay, próxima a Dourados, com autorização para utilização na obra.

Teatro fora dos circuitos tradicionais

Durante a circulação, “Jurema e a Criação do Mundo” passou por escolas, praças, assentamentos e outros espaços de convivência. A proposta foi levar a produção teatral para além dos circuitos culturais tradicionais e aproximar diferentes comunidades de uma experiência artística que combina imaginação, diversão e reflexão.

Com as apresentações em Bonito e Porto Murtinho, o espetáculo encerra esta etapa de circulação reafirmando uma de suas principais propostas: mostrar que existem diferentes maneiras de contar a história do mundo e de compreender o lugar ocupado por cada pessoa nele.

O projeto foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), com execução do Governo de Mato Grosso do Sul, através da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), e da Prefeitura de Bonito.

Serviço

Jurema e a Criação do Mundo

Bonito – 3 de setembro de 2026
Assentamento Projeto Guaicurus
Escola Municipal Rural Ozório Jacques
Horário: 9h30

Porto Murtinho – 4 de setembro de 2026
Comunidade Indígena Tomázia
Escola Estadual Indígena Antônio Alves de Barros – Extensão Aldeia Tomázia
Escola Municipal EJIWAJEGI – Extensão Aldeia Tomázia

Entrada: gratuita
Acessibilidade: intérprete de Libras

Ficha técnica

Idealização e produção: Sorrayla Acosta Parra
Dramaturgia: Amanda Carneiro
Direção e concepção cênica: Ulisses Nogueira
Elenco: Sorrayla Acosta Parra, Ulisses Nogueira, Júnior Mendes e José Antônio Domingos
Cenografia: Ronald Rosa e Adrian Hardt
Figurino: Marianne Sguissardi
Costura: Ateliê J.R. – João e Rosana
Trilha sonora, sonoplastia e música: Júnior Mendes, José Antônio Domingos e Flávio Teixeira
Fotografia e produção multimídia: Pedro Miyoshi e Fotografando Bonito – Eveline e Diego
Assessoria de imprensa: Gabriela Rodrigues e Lucas Arruda

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