Redação Plenax – Flavia Andrade
A campanha Setembro Amarelo® começa nesta terça-feira, 1º de setembro, e completa 13 anos de mobilização no Brasil em 2026. A data reforça uma pauta que continua urgente: mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. Para dimensionar o impacto, o número equivale, aproximadamente, à população inteira do estado de Roraima.
O suicídio também está entre as principais causas de morte entre jovens de 15 a 29 anos, o que reforça a necessidade de ampliar o debate sobre prevenção, saúde mental e acesso à informação e ao atendimento especializado.
Uma pesquisa brasileira publicada na revista The Lancet Regional Health – Americas analisou indicadores presentes no início da vida que podem estar associados ao risco de futuras tentativas de suicídio. Entre os principais fatores identificados estão ser do sexo feminino, vivenciar traumas na infância, ter um cuidador principal com histórico de comportamento suicida e apresentar transtornos mentais.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam uma média de 42 mortes por suicídio por dia. No entanto, o número pode ser ainda maior diante da reconhecida subnotificação. Entre os fatores que dificultam a identificação dos casos estão entraves burocráticos, registros de mortes por causas indeterminadas que não são investigadas adequadamente e o próprio estigma que ainda cerca o tema.
A luta contra o preconceito e o silêncio é justamente um dos principais pilares do Setembro Amarelo®. A campanha é realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), desde 2013.
A mobilização busca levar informações sobre prevenção e saúde mental para empresas, instituições de ensino, órgãos públicos, organizações da sociedade civil e diferentes espaços da comunidade. Ao longo dos anos, a campanha passou a promover milhares de eventos, palestras e ações educativas em todo o país.
Em 2026, a Associação Brasileira de Psiquiatria também promove ações simbólicas para ampliar a visibilidade da campanha, com a iluminação de amarelo em importantes pontos do país. Entre os locais estão o Cristo Redentor, a Igreja da Penha, os Arcos da Lapa e o Monumento Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, além do Senado, do Congresso Nacional, da Prefeitura de Belo Horizonte e da Praça da Estação.
Outro instrumento utilizado pela campanha é a produção de cartilhas gratuitas e segmentadas, com informações científicas e orientações sobre prevenção e sobre como buscar ajuda.
O Setembro Amarelo reforça que falar sobre o tema de forma responsável é uma das maneiras de enfrentar o preconceito e incentivar pessoas em sofrimento a procurarem apoio. A prevenção, porém, não deve se limitar ao mês de setembro.
A atenção à saúde mental, a escuta, o acolhimento e a busca por ajuda profissional precisam fazer parte de uma rede de cuidado permanente. Por mais simbólica que seja a campanha, a prevenção do suicídio é uma responsabilidade que deve estar presente durante todo o ano.
Em situações de sofrimento emocional intenso ou risco imediato, é fundamental procurar ajuda profissional e serviços de emergência. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia.

