Redação Plenax – Flavia Andrade
Nova matriz inclui avanços em cirurgia mamária, reconstrução, procedimentos radioguiados e tratamento sistêmico do câncer de mama
O Ministério da Educação (MEC) aprovou atualizações na matriz de competências da residência médica em Mastologia, modernizando os parâmetros de formação dos profissionais que atuam no diagnóstico e tratamento das doenças da mama.
A revisão contou com contribuições da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e de outras entidades médicas e deverá ser oficializada por meio de resolução do órgão federal.
Segundo o mastologista José Pereira Guará, coordenador do Departamento de Residência Médica da SBM, a entidade vinha apresentando propostas de atualização desde 2022. As discussões avançaram após reuniões realizadas com representantes do Ministério da Educação no primeiro semestre de 2026.
“Na Comissão Nacional de Residência Médica, que é o principal órgão deliberativo e normativo responsável por debater, votar e definir as regras dos programas de residência médica no Brasil, tivemos a oportunidade de apresentar sugestões que visam modernizar os parâmetros de formação em uma especialidade que demanda conhecimentos, abordagens e tratamentos cada vez mais diversificados e complexos”, afirma.
Formação passa a contemplar novas abordagens
No Brasil, a Mastologia é uma especialidade médica voltada ao diagnóstico e tratamento das doenças da mama. O programa de residência específico é destinado a profissionais que concluíram formação em Cirurgia Geral ou Obstetrícia e Ginecologia e tem duração de dois anos.
Durante a residência, os médicos desenvolvem competências clínicas, de diagnóstico por imagem e de tratamento cirúrgico de doenças benignas e malignas da mama.
A formação também contempla procedimentos de maior complexidade, incluindo cirurgias oncológicas, reconstrutivas e oncoplásticas.
Com a atualização da matriz, a formação passa a consolidar e ampliar competências relacionadas a diferentes áreas da cirurgia mamária.
Entre os pontos destacados pela SBM estão o tratamento cirúrgico de doenças benignas e do câncer de mama, cirurgias de afirmação de gênero, procedimentos reparadores, reconstrutivos e estéticos, além da ampliação da atuação dos mastologistas em procedimentos radioguiados.
A nova matriz também prevê maior ênfase na formação relacionada às terapias sistêmicas utilizadas no tratamento do câncer de mama.
Modelo brasileiro tem formação específica
De acordo com a SBM, o modelo brasileiro de residência em Mastologia apresenta uma característica própria em relação à formação de especialistas em outros países.
Em países europeus e nos Estados Unidos, procedimentos relacionados às doenças da mama podem ser realizados por profissionais de diferentes especialidades, como ginecologistas, cirurgiões gerais e cirurgiões oncológicos, frequentemente integrados a equipes multidisciplinares.
No Brasil, existe uma formação específica em Mastologia, regulamentada pela Comissão Nacional de Residência Médica.
Para Guará, a atualização da matriz acompanha justamente a evolução da própria especialidade e das técnicas utilizadas no tratamento das doenças mamárias.
“Temos agora a chancela do órgão oficial com um norteador dos processos de formação de especialistas no Brasil inteiro”, afirma.
A expectativa é que a nova matriz estabeleça parâmetros mais alinhados às necessidades atuais da Mastologia e contribua para uniformizar a formação dos especialistas nos programas de residência médica do país.

