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Estudante da Unesp é premiado por pesquisa que transforma resíduo de óleos essenciais em alternativa contra doenças em frutas

Foto: Pedro Neto no laboratório / Foto: Acervo Pessoal

Redação Plenax – Flavia Andrade

Pedro Ferreira da Silva Neto foi bicampeão no Congresso de Iniciação Científica da universidade e recebeu novo reconhecimento na Jornada Nacional de Iniciação Científica da SBPC

Um resíduo gerado durante a produção de óleos essenciais pode se tornar uma alternativa para o controle de doenças que atingem frutas. É essa possibilidade que vem sendo investigada pelo pesquisador Pedro Ferreira da Silva Neto, formado em Engenharia Agronômica pela Unesp, no câmpus de Registro, no interior de São Paulo.

A pesquisa rendeu ao jovem, de 23 anos, uma sequência de reconhecimentos acadêmicos. Em 2024 e 2025, ele conquistou o primeiro lugar entre os trabalhos de Ciências Agrárias no Congresso de Iniciação Científica (CIC) da Unesp. Em 2026, recebeu novo destaque na Jornada Nacional de Iniciação Científica (JNIC), realizada durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), encerrada no início de agosto.

Os trabalhos fazem parte de uma mesma linha de investigação desenvolvida no Grupo de Pesquisa Doenças de Plantas Frutíferas, sob orientação da professora Maria Cândida de Godoy Gasparoto.

O estudo concentra-se nos hidrolatos, materiais obtidos durante a produção de óleos essenciais e que correspondem ao principal resíduo desse processo. A pesquisa busca avaliar o potencial desses compostos no controle de doenças que afetam plantas frutíferas, com atenção especial atualmente para a antracnose.

Pesquisa avançou da identificação dos compostos à aplicação nos frutos

O projeto começou em 2024, quando Pedro recebeu uma bolsa do PIBITI (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) do CNPq.

A partir dos primeiros experimentos, a investigação avançou para questões relacionadas à estabilidade dos compostos e, posteriormente, à aplicação dos hidrolatos diretamente nos frutos.

Um dos focos do estudo é a antracnose, doença que pode provocar perdas mesmo depois que os frutos deixam o campo.

A enfermidade pode se desenvolver durante o amadurecimento, inclusive após a colheita. Segundo Pedro, isso ocorre porque as transformações fisiológicas pelas quais o fruto passa podem criar condições mais favoráveis ao desenvolvimento do patógeno.

“A antracnose é uma doença pós-colheita e, por isso, tem uma dinâmica de interação diferente. Quando o fruto está no campo e ainda está verde, ele pode ter contato com o patógeno sem apresentar sintomas”, explica.

De acordo com o pesquisador, em frutos climatéricos, como o mamão, o processo de amadurecimento continua mesmo depois da colheita. Nesse período, alterações na composição do fruto podem favorecer o desenvolvimento do fungo e acelerar a evolução da doença.

Interesse pela Agronomia cresceu durante a graduação

A trajetória acadêmica de Pedro começou antes da chegada à Unesp. Em 2020, aos 17 anos, ele ingressou no Instituto Federal de Rio do Sul, em Santa Catarina, onde permaneceu por dois anos.

Com as mudanças provocadas pela pandemia e o retorno para São Paulo, o estudante decidiu buscar uma instituição mais próxima da família. Depois de tentar processos de transferência externa, chegou ao câmpus da Unesp em Registro.

“Eu me apaixonei pelo curso quando entrei na Unesp. Fui percebendo que o mundo da agronomia é gigantesco e que existem várias áreas diferentes dentro da profissão”, conta.

Foi na universidade que a iniciação científica passou a ocupar papel central em sua formação.

Orientadora destaca amadurecimento científico

Para Maria Cândida de Godoy Gasparoto, orientadora da pesquisa, os resultados obtidos pelo estudante refletem o amadurecimento adquirido ao longo da graduação e a relevância científica do trabalho.

“Um trabalho se faz com pessoas que estão dispostas a defendê-lo de maneira argumentativa, com base em ciência”, afirma.

A professora também destaca o ambiente do câmpus de Registro, de menor porte, e o trabalho desenvolvido por um grupo de pesquisa reduzido. Segundo ela, essa estrutura permitiu um acompanhamento mais próximo do estudante e contribuiu para seu desenvolvimento científico e pessoal.

A pesquisa sobre os hidrolatos segue inserida em uma área que busca alternativas para o manejo de doenças em plantas frutíferas, ao mesmo tempo em que investiga possibilidades de aproveitamento de materiais que atualmente são descartados durante processos industriais.

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