Redação Plenax – Flavia Andrade
Fenômeno climático é classificado como forte e pode atingir intensidade muito forte em setembro; plano prevê salas de situação, kits emergenciais, equipes da Força Nacional do SUS e monitoramento de riscos à saúde
O Ministério da Saúde apresentou nesta semana, em Brasília, o plano de preparação do SUS para os impactos do El Niño 2026-2027, fenômeno climático que poderá intensificar eventos extremos em diferentes regiões do Brasil. A janela considerada mais crítica está prevista entre outubro de 2026 e março de 2027, período em que estados e municípios deverão reforçar medidas de prevenção, monitoramento e resposta a emergências em saúde pública.
A proposta foi apresentada durante a 7ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e reúne estratégias para preparar a rede pública diante de possíveis cenários de seca, estiagem, queimadas, ondas de calor, temporais e inundações.
Segundo o Ministério da Saúde, o fenômeno está atualmente classificado como “forte” e pode chegar ao nível “muito forte” já em setembro. Os impactos esperados variam conforme as características de cada região e bioma.
El Niño pode aumentar riscos à saúde em diferentes regiões
No Norte e Centro-Oeste, a previsão considera a possibilidade de intensificação de períodos de seca e estiagem, além do aumento das queimadas. No Nordeste, o cenário inclui aprofundamento da seca e temperaturas elevadas.
Já no Sudeste, estão previstos riscos relacionados a ondas de calor e temporais. No Sul, a preocupação está concentrada principalmente nas chuvas intensas e no risco de inundações.
Diante desses diferentes cenários, o Ministério da Saúde estruturou o plano em cinco eixos principais.
Plano terá cinco frentes de preparação
De acordo com o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, a estratégia prevê ações de preparação e resposta organizadas em diferentes áreas:
Governança federativa, com a criação de uma Sala de Situação de Emergências Climáticas;
Governança interna, por meio da Sala de Situação Saúde e Clima;
Recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica;
Atuação da Força Nacional do SUS (FN-SUS), com bases regionais preparadas para deslocar equipes em até 48 horas;
Organização dos serviços de saúde e protocolos técnicos de acordo com as características de cada bioma.
A proposta busca permitir que a resposta do sistema de saúde seja adaptada aos diferentes tipos de eventos climáticos previstos para cada região.
Monitoramento será feito por diferentes ferramentas
O acompanhamento dos riscos deverá utilizar ferramentas como o Painel Nacional de Excesso de Calor, o VigiAR, voltado à vigilância em saúde de populações expostas a poluentes atmosféricos, e o GeoRisk.
Também fazem parte da estratégia os Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC), projeto-piloto desenvolvido em oito cidades das cinco regiões brasileiras.
O Ministério prevê ainda a integração de sistemas de vigilância, como e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan, para contribuir com a identificação precoce de possíveis surtos e alterações no cenário epidemiológico.
AdaptaSUS prevê ações até 2035
Além das medidas específicas para o próximo ciclo do El Niño, o Ministério da Saúde trabalha com uma estratégia de médio prazo por meio do Plano Setorial de Adaptação à Mudança do Clima do Ministério da Saúde (AdaptaSUS).
O plano estabelece 27 metas e 93 ações até 2035, com medidas destinadas a preparar o setor de saúde para os impactos das mudanças climáticas.
Entre as iniciativas relacionadas à segurança hídrica em regiões sujeitas à seca e à estiagem, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) contratou 18,8 mil cisternas em 397 municípios de sete estados, com aporte de R$ 226,6 milhões destinado a unidades de melhoria sanitária.
Amazônia terá atenção especial
Na Amazônia, a preparação considera as dificuldades de acesso de parte da população aos serviços de saúde. A estratégia prevê atenção à estrutura disponível para atendimento em áreas remotas, incluindo equipes de saúde e Unidades Básicas de Saúde Fluviais.
A organização da rede busca garantir capacidade de atendimento mesmo em regiões onde as condições climáticas e geográficas podem dificultar o deslocamento de equipes e pacientes.
Ministério criará painel de especialistas em clima e saúde
Outra medida prevista pelo governo é a criação de um painel de especialistas em clima e saúde. Segundo o Ministério da Saúde, uma portaria deverá ser publicada nos próximos dias para instituir o grupo.
A função do painel será fornecer subsídios técnicos para as decisões relacionadas à preparação e à resposta aos impactos dos eventos climáticos.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de preparação do sistema de saúde diante de um cenário de eventos climáticos extremos mais frequentes e de diferentes intensidades.
Com a aproximação do período considerado crítico para o El Niño 2026-2027, a expectativa é que estados e municípios utilizem as ferramentas de monitoramento e os protocolos previstos para antecipar riscos e organizar a resposta do SUS em cada território.

