Redação Plenax – Flavia Andrade
Falsas imobiliárias, anúncios clonados, documentos falsificados e fraudes com PIX estão entre os golpes; advogado orienta compradores, vendedores e locatários sobre como reduzir os riscos
A digitalização do mercado imobiliário trouxe praticidade para quem compra, vende ou aluga imóveis. Visitas virtuais, assinaturas eletrônicas, anúncios em plataformas digitais e pagamentos instantâneos tornaram as negociações mais rápidas e reduziram distâncias. Ao mesmo tempo, porém, a facilidade abriu novas oportunidades para criminosos.
Falsas imobiliárias, corretores inexistentes, anúncios clonados, documentos falsificados e golpes envolvendo transferências via PIX estão entre as fraudes que exigem atenção de consumidores e profissionais do setor.
Em alguns casos, o prejuízo pode chegar a centenas de milhares de reais. Os criminosos utilizam fotografias e informações reais de imóveis, copiam anúncios legítimos e criam perfis falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens. A partir daí, abordam potenciais compradores ou locatários e solicitam pagamentos antecipados para supostamente garantir a negociação.
Quando a vítima percebe que caiu em um golpe, o dinheiro já pode ter sido transferido para contas de terceiros, tornando a recuperação dos valores mais difícil.
Segundo o advogado especialista em Direito Imobiliário Carlos Alberto Zonta Junior, a sofisticação das fraudes exige que a verificação das informações seja incorporada à rotina de qualquer negociação.
“Hoje os criminosos conseguem reproduzir logotipos, contratos, documentos e até identidades visuais de imobiliárias conhecidas. Muitas vezes a fraude parece absolutamente legítima. Por isso, a conferência das informações deixou de ser uma recomendação e passou a ser uma etapa obrigatória de qualquer negociação imobiliária.”
Falso corretor e alteração de dados bancários
Um dos golpes mais comuns envolve o chamado falso corretor. O criminoso se apresenta como profissional habilitado, conduz a negociação e, em determinado momento, solicita o pagamento de sinal, entrada ou outra quantia em uma conta bancária que não pertence ao proprietário ou à imobiliária envolvida.
Outro risco aparece quando os dados bancários são alterados pouco antes da transferência. Por isso, o especialista recomenda confirmar as informações por um canal independente daquele utilizado durante a negociação.
“É fundamental confirmar os dados da conta por um canal diferente daquele utilizado durante a negociação. Um simples telefonema para a imobiliária ou para o corretor pode evitar prejuízos significativos”, orienta Zonta.
A recomendação vale especialmente para transações de alto valor, nas quais uma alteração aparentemente pequena nos dados de pagamento pode resultar em uma perda financeira significativa.
Documentação também precisa ser investigada
Antes de assinar qualquer contrato ou realizar pagamentos, compradores e vendedores devem verificar a documentação do imóvel e a identidade das pessoas envolvidas na negociação.
Escrituras falsas, procurações fraudulentas e documentos adulterados podem criar uma aparência de legalidade para operações que, na realidade, não existem ou não foram autorizadas pelo verdadeiro proprietário.
“Toda compra ou venda deve passar por uma análise documental criteriosa. Certidões atualizadas, matrícula do imóvel e a conferência da regularidade do corretor e das partes envolvidas são medidas que reduzem consideravelmente o risco de fraude”, explica o advogado.
A conferência deve ocorrer antes da movimentação de valores, e não apenas depois que o contrato já foi assinado.
Preço muito baixo e pressão são sinais de alerta
Outro comportamento que merece atenção são ofertas muito abaixo dos valores praticados no mercado. A estratégia pode ser utilizada para despertar o interesse da vítima e criar a sensação de que ela está diante de uma oportunidade rara.
A urgência excessiva também é um recurso recorrente. O criminoso pode alegar que existe outro interessado, que o imóvel será vendido imediatamente ou que determinado valor precisa ser transferido naquele momento.
Para Zonta, esse tipo de pressão deve ser encarado como um sinal de alerta.
“Quando alguém insiste para que o pagamento seja imediato porque existe outro comprador ou porque a oportunidade vai acabar em poucos minutos, esse comportamento deve servir como sinal de alerta. No mercado imobiliário, cautela nunca é excesso.”
Tecnologia exige novos cuidados
A expansão das ferramentas digitais não significa que as negociações imobiliárias sejam menos seguras. O principal desafio está em adaptar os cuidados tradicionais às novas formas de negociação.
Conferir a identidade dos envolvidos, verificar a documentação, confirmar os dados bancários por canais independentes e desconfiar de ofertas incompatíveis com o mercado são medidas que podem reduzir significativamente a exposição a golpes.
Para Carlos Alberto Zonta Junior, a prevenção é especialmente importante diante dos valores normalmente envolvidos em uma negociação imobiliária.
“A tecnologia trouxe inúmeras vantagens para o mercado imobiliário, mas também aumentou a responsabilidade de quem negocia. Verificar documentos, confirmar informações e buscar orientação jurídica antes de movimentar valores elevados são atitudes que podem evitar perdas financeiras e anos de disputas judiciais.”
Em um mercado cada vez mais digital, a velocidade das negociações não deve substituir a etapa mais importante: confirmar se a pessoa, o imóvel, os documentos e os dados financeiros são realmente o que dizem ser.
“No mercado imobiliário, segurança continua sendo o melhor investimento”, conclui o advogado.
SERVIÇO
Carlos Alberto Zonta Junior
Advogado Imobiliário – OAB/PR 77920
(44) 9925-7972
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E-mail: contato@zonta.adv.br
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