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Vacinas podem ser tomadas juntas? Veja quando é seguro e quando é preciso esperar

Foto: Reprodução

Redação Plenax – Flavia Andrade

Coadministração de imunizantes é segura em diversas situações, mas algumas combinações exigem intervalo específico

A possibilidade de receber diferentes vacinas em uma mesma visita voltou ao centro das discussões diante do avanço do sarampo nas Américas e das recentes decisões do governo dos Estados Unidos sobre a vacinação infantil. Mas, afinal, é seguro tomar mais de uma vacina no mesmo dia ou algumas aplicações precisam ser separadas?

Segundo as recomendações apresentadas no material, a resposta depende do tipo de imunizante e da combinação indicada. Em diversas situações, diferentes vacinas podem ser administradas simultaneamente com segurança. Algumas combinações, especialmente envolvendo vacinas vivas atenuadas, exigem atenção aos intervalos.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu alerta diante do aumento dos casos de sarampo nas Américas. Entre as semanas epidemiológicas 1 e 29 de 2026, encerradas em 25 de julho, foram registrados 47.026 casos confirmados e 48 mortes pela doença.

Nos Estados Unidos, o tema ganhou um novo capítulo com a publicação da Executive Order 14420 pela Casa Branca. O documento defende, quando houver produtos monovalentes disponíveis, a substituição da vacina MMR — equivalente à tríplice viral (SCR) utilizada no Brasil — por aplicações separadas contra sarampo, caxumba e rubéola. Também recomenda, sempre que possível, que vacinas infantis sejam administradas em consultas diferentes.

A decisão norte-americana, porém, não modifica as recomendações brasileiras.

No Brasil, vacinas inativadas, recombinantes, conjugadas e polissacarídicas podem ser administradas na mesma visita em diversas situações. Quando há indicação para mais de um imunizante, cada vacina é aplicada separadamente, com seringa própria e em pontos distintos do corpo.

Já as chamadas vacinas combinadas são desenvolvidas e licenciadas para reunir diferentes componentes em uma única aplicação, como ocorre com a tríplice viral.

“Receber diferentes vacinas em uma mesma visita não sobrecarrega o sistema imunológico. As combinações recomendadas são avaliadas em estudos que verificam tanto a segurança quanto a resposta produzida para cada doença”, explica Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista e coordenadora em vacinas da Dasa.

Quais vacinas podem ser aplicadas juntas?

Dependendo da idade, do histórico vacinal e das condições clínicas, uma mesma visita pode incluir imunizantes contra influenza, hepatites A e B, HPV, doença pneumocócica e herpes-zóster.

Estudos também avaliaram combinações específicas. Um ensaio randomizado analisou a aplicação simultânea da vacina HPV-16/18 com uma vacina combinada contra hepatites A e B e encontrou respostas imunológicas não inferiores às observadas quando os produtos foram administrados separadamente.

A vacina recombinante contra herpes-zóster também foi estudada em conjunto com vacinas pneumocócicas polissacarídica 23-valente e conjugada 13-valente em adultos com 50 anos ou mais. Nos estudos citados, a coadministração preservou a resposta imunológica esperada para as combinações avaliadas.

“É possível receber diferentes vacinas em uma mesma visita. Elas são aplicadas separadamente, muitas vezes em braços diferentes ou em pontos distintos do mesmo membro, respeitando a via e o local indicados para cada imunizante”, explica Alberto Chebabo, infectologista no Bronstein e Sérgio Franco, no Rio de Janeiro.

Quando é preciso esperar?

A principal atenção está relacionada às vacinas vivas atenuadas.

Esses imunizantes podem ser aplicados no mesmo dia. Entretanto, quando duas vacinas desse grupo não são administradas simultaneamente, a regra geral é aguardar 28 dias entre as aplicações.

O intervalo não significa que o organismo precise “descansar” após receber uma vacina. A recomendação está relacionada à possibilidade de uma vacina interferir na resposta imunológica à outra.

Há ainda uma orientação específica no Brasil para crianças menores de 2 anos. Em situações de rotina, a vacina contra febre amarela e a tríplice viral ou tetraviral não devem ser administradas simultaneamente. Nesses casos, recomenda-se um intervalo mínimo de 30 dias entre as aplicações.

Um ensaio randomizado realizado no Brasil identificou possível interferência na resposta imunológica quando essas vacinas foram administradas no mesmo dia nessa faixa etária.

“Os intervalos existem porque algumas combinações podem interferir na resposta esperada, e não porque o organismo precise se recuperar de uma vacina para receber outra. Por isso, é importante seguir o esquema indicado para cada idade e condição de saúde”, afirma Maria Isabel.

Nirsevimabe não é vacina

Outro ponto que costuma gerar dúvidas é o nirsevimabe, comercializado como Beyfortus. O produto não é uma vacina, mas um anticorpo monoclonal que oferece proteção passiva contra o vírus sincicial respiratório (VSR).

Enquanto as vacinas estimulam o próprio organismo a produzir uma resposta imune, os anticorpos monoclonais fornecem proteção passiva.

“Vacinas estimulam o organismo a desenvolver uma resposta imunológica. Anticorpos monoclonais, como o nirsevimabe, fornecem proteção passiva. São mecanismos diferentes e cada produto tem suas próprias recomendações de uso”, explica Annelise Correa Wengerkievicz Lopes, diretora médica da Dasa e responsável técnica do laboratório Santa Luzia.

A administração do nirsevimabe junto às vacinas de rotina deve seguir as recomendações específicas para a idade da criança. Para gestantes e adultos mais velhos, as vacinas contra o VSR possuem indicações próprias.

Carteira atrasada não significa que é preciso esperar

Para quem está com a vacinação atrasada, criar intervalos sem indicação pode prolongar o período sem proteção.

Quando diferentes vacinas estão indicadas e não existe uma recomendação específica para separá-las, a coadministração pode permitir a atualização da proteção em uma única visita.

A orientação, porém, deve considerar idade, histórico de vacinação e condições de saúde. Por isso, a decisão sobre quais imunizantes podem ser administrados juntos e quais precisam de intervalo deve seguir o calendário e as recomendações específicas para cada situação.

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