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Fertilidade após os 35 anos: o que muda e quais são as possibilidades para engravidar

Foto: magnific

Redação Plenax – Flavia Andrade

Adiamento da maternidade exige planejamento reprodutivo; especialista explica impactos da idade, quando buscar avaliação e quais alternativas estão disponíveis

A decisão de adiar a maternidade tem se tornado cada vez mais comum entre mulheres que priorizam a formação acadêmica, a carreira e a estabilidade financeira. No Brasil, esse movimento também aparece nos dados demográficos: entre 2010 e 2022, o número de brasileiras que tiveram filhos após os 40 anos cresceu quase 60%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora a maternidade em idades mais avançadas seja uma realidade cada vez mais presente, o planejamento reprodutivo e o acompanhamento médico ganham importância. Isso porque a idade está diretamente relacionada à fertilidade feminina e aos riscos associados à gestação.

Segundo a ginecologista e obstetra Loreta Canivilo, a partir dos 35 anos ocorre uma redução mais acelerada tanto da quantidade quanto da qualidade dos óvulos. Como consequência, diminuem as chances de uma gravidez natural e aumentam as possibilidades de alterações cromossômicas e abortamento.

“A partir dos 35 anos, ocorre uma redução mais acelerada da quantidade e da qualidade dos óvulos, o que diminui as chances de gravidez natural e aumenta o risco de alterações cromossômicas e abortamentos. Isso não significa que seja impossível engravidar, mas é um período que merece maior atenção”, explica.

O que muda depois dos 35 anos

A gestação após os 35 anos é considerada de maior risco obstétrico porque apresenta maior probabilidade de algumas complicações, entre elas hipertensão, diabetes gestacional, parto prematuro e alterações cromossômicas no bebê.

Isso, porém, não significa que uma mulher com mais de 35 anos necessariamente terá uma gravidez complicada. Com acompanhamento pré-natal adequado, identificação precoce dos fatores de risco e cuidados individualizados, muitas mulheres têm gestações saudáveis.

Por isso, mais do que estabelecer uma idade como limite, o planejamento deve considerar as condições de saúde e o histórico de cada paciente.

Congelamento de óvulos pode ser uma alternativa

Para mulheres que desejam postergar a maternidade, o congelamento de óvulos é uma das possibilidades oferecidas pela medicina reprodutiva.

A idade no momento do congelamento é um dos fatores importantes para o potencial resultado da técnica. Segundo Loreta, o ideal é que o procedimento seja considerado antes dos 35 anos, quando a qualidade dos óvulos tende a ser melhor.

“O ideal é que o congelamento seja realizado antes dos 35 anos, quando a qualidade dos óvulos tende a ser melhor. Ainda assim, é importante esclarecer que essa técnica aumenta as possibilidades de uma gravidez futura, mas não representa uma garantia de que a mulher terá filhos”, ressalta.

Ou seja, o congelamento deve ser entendido como uma estratégia de preservação da fertilidade, e não como uma garantia de maternidade futura.

Quando procurar ajuda para engravidar?

Outro ponto importante é saber quando uma dificuldade para engravidar merece investigação especializada.

De forma geral, a recomendação apresentada pela especialista é iniciar a investigação de infertilidade após 12 meses de tentativas para mulheres com menos de 35 anos. A partir dos 35, esse período é reduzido para seis meses.

A avaliação permite investigar possíveis fatores que estejam dificultando a gravidez e definir, individualmente, quais estratégias podem ser consideradas.

Fertilização in vitro também não é garantia

Entre as alternativas disponíveis está a fertilização in vitro (FIV), indicada em diferentes situações de dificuldade para engravidar. Assim como acontece com o congelamento de óvulos, os resultados variam de acordo com características individuais.

Idade, reserva ovariana e condições de saúde estão entre os fatores que podem influenciar as chances de sucesso.

“Nem o congelamento de óvulos nem a fertilização in vitro garantem uma gestação. São recursos importantes da medicina reprodutiva, porém as taxas de sucesso variam de acordo com cada paciente”, afirma Loreta.

Planejamento começa antes das tentativas

Para mulheres que pretendem engravidar após os 35 anos, a orientação é não esperar o início das tentativas para começar a cuidar da saúde reprodutiva. Avaliação médica pré-concepcional, controle de doenças preexistentes, manutenção de hábitos saudáveis, evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool e manter os exames preventivos em dia são medidas importantes.

“O planejamento reprodutivo permite identificar possíveis dificuldades precocemente e aumenta as chances de uma gestação segura e bem-sucedida”, conclui a ginecologista.

Sugestão editorial: vale acrescentar um box curto de “Mitos e verdades sobre gravidez após os 35”; ele pode deixar a matéria mais didática e aumentar o potencial de leitura.

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