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Alta de afastamentos por saúde mental coloca clubes de leitura no radar das empresas

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Com a nova NR-1 e a atenção aos riscos psicossociais, iniciativas coletivas ganham espaço nas estratégias de saúde e bem-estar no trabalho

O aumento dos afastamentos relacionados à saúde mental tem levado empresas a ampliar o olhar sobre prevenção e bem-estar no ambiente de trabalho. Em 2025, o INSS concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais, alta de 15,6% em relação ao ano anterior.

O cenário coincide com a atualização da NR-1, que amplia a atenção das organizações à identificação, avaliação e gestão dos riscos psicossociais. Com isso, iniciativas coletivas voltadas à qualidade das relações e ao fortalecimento dos vínculos passam a ganhar espaço ao lado das ações individuais de bem-estar.

Nesse contexto, clubes de leitura aparecem como uma possibilidade de estimular a chamada saúde social, dimensão relacionada à qualidade das conexões humanas. Segundo a cientista comportamental Gaya Machado, ainda existe espaço para que as empresas explorem mais esse aspecto. “A maior parte das empresas concentra esforços na resposta ao adoecimento, enquanto a prevenção depende também da qualidade das relações no ambiente de trabalho. Clubes de leitura podem contribuir para fortalecer esses vínculos”, afirma.

Pesquisas do Centre for Research into Reading, Literature and Society (CRILS), da Universidade de Liverpool, apontam melhora em indicadores de saúde mental entre participantes de grupos de leitura com diagnóstico de depressão ao longo de 12 meses. Revisões também associam a leitura compartilhada à redução de sintomas depressivos e a ganhos de bem-estar e qualidade de vida.

A prática pode ainda estimular competências relevantes para o ambiente profissional. A leitura trabalha atenção, memória, linguagem e raciocínio, enquanto estudos analisados pela American Psychological Association indicam que a ficção pode favorecer a empatia e a compreensão de diferentes perspectivas.

“Em grupos de leitura, a interpretação do texto é acompanhada pela troca de percepções e experiências. Isso ajuda a estimular pensamento crítico, formular perguntas e compreender diferentes pontos de vista”, explica Gaya.

O contexto organizacional reforça a discussão. Segundo o relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup, o engajamento global caiu para 20%, menor nível desde 2020. O levantamento também aponta crescimento de sentimentos como solidão, tristeza e raiva entre líderes.

Para Gaya, iniciativas de interação podem contribuir para fortalecer o pertencimento, mas precisam ser estruturadas de maneira adequada. “A participação voluntária, a diversidade de curadoria e a ausência de foco em performance são fatores determinantes para que a iniciativa cumpra seu papel no ambiente corporativo”, afirma.

Com a ampliação da atenção aos riscos psicossociais pela NR-1, clubes de leitura podem integrar um conjunto mais amplo de ações coletivas voltadas à prevenção e à melhoria das relações no trabalho. A proposta, porém, não é tratar a leitura como solução isolada, mas como uma ferramenta complementar dentro de uma estratégia mais ampla de saúde organizacional.

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