Redação Plenax – Flavia Andrade
Nos 127 anos do município, investimentos do Estado incluem melhorias no Hospital Regional, reformas em escolas e ampliação de políticas sociais
Há pacientes internados no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul em condições tão delicadas que não conseguem sequer ser transportados pelos corredores da unidade para realizar uma sessão de hemodiálise. Nesses casos, o tratamento precisa chegar até o leito.
A situação faz parte da rotina da equipe de Nefrologia do hospital, que atende pacientes com doença renal crônica e pessoas que desenvolvem insuficiência renal aguda durante a internação. Atualmente, o setor realiza mais de 600 sessões de hemodiálise por mês, todas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Quando o paciente não tem condições de ser transportado dentro do Hospital, conseguimos realizar a hemodiálise no próprio leito. Isso é especialmente importante para quem está em estado crítico”, explica a nefrologista Ana Carolina Yonamine Rodrigues Dias.
O atendimento é um exemplo de como os investimentos públicos em Campo Grande ultrapassam obras e estruturas visíveis. Enquanto a Capital cresce em população, bairros e empreendimentos, hospitais, escolas e serviços públicos precisam acompanhar a expansão e ampliar a capacidade de atendimento.
Nos últimos anos, o Governo de Mato Grosso do Sul ampliou investimentos e repasses para a saúde de Campo Grande. Entre as intervenções estão melhorias no Hospital Regional, além da ampliação do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) e o projeto de implantação de uma Policlínica, com investimento estimado em R$ 26,1 milhões.
Os repasses estaduais para a saúde na Capital somaram R$ 237,2 milhões em 2023, R$ 269,2 milhões em 2024 e R$ 277,1 milhões em 2025. Até julho deste ano, outros R$ 200,1 milhões haviam sido registrados.
Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, o desafio para os próximos anos é combinar investimentos em infraestrutura com modernização e ampliação dos serviços.
Hospital Regional passa por melhorias
A Nefrologia do Hospital Regional mantém atendimento especializado desde 2004. Em setembro de 2025, o setor foi reinaugurado após passar por ampliação e melhorias estruturais.
Além da hemodiálise convencional, a unidade oferece diálise peritoneal, modalidade que permite, para pacientes com indicação, que o tratamento seja realizado em casa com acompanhamento da equipe especializada.
“A possibilidade de fazer a terapia no domicílio traz mais autonomia para determinados pacientes, mas sempre com o suporte e o acompanhamento da nossa equipe”, explica Ana Carolina.
As intervenções no Hospital Regional também incluem áreas como a Central de Material Esterilizado, enfermaria e UTI pediátrica, fachada, ressonância magnética, climatização do centro cirúrgico e outras estruturas.
Para quem depende do atendimento público, a estrutura representa mais do que uma obra: significa segurança, continuidade do tratamento e condições adequadas para receber assistência.
Investimentos também chegam às escolas
A expansão da infraestrutura pública também alcança a educação estadual. Desde 2023, foram registrados R$ 192,3 milhões em investimentos e 81 obras de reforma e melhoria entregues em escolas de Campo Grande.
As intervenções incluem reformas, ampliações, construção e melhorias de quadras, redes lógicas e instalação de placas solares, alcançando unidades de diferentes regiões da cidade. Entre as escolas que receberam investimentos estão Maria Constança de Barros Machado, Marçal de Souza Tupã-Y, Ada Teixeira dos Santos Pereira, Sebastião Santana de Oliveira e Maestro Heitor Villa Lobos.
Para os próximos quatro anos, o planejamento apresentado pelo governo prevê, além de novas intervenções físicas, modernização das escolas, ampliação do ensino em tempo integral, alfabetização, tecnologia e educação profissional.
Próxima etapa prioriza modernização dos serviços
Para o período de 2027 a 2030, a proposta apresentada para Campo Grande prevê uma nova etapa de investimentos, com maior atenção à forma como os serviços públicos são oferecidos à população.
Na saúde, estão previstas a ampliação de consultas, exames e atendimentos especializados, além de maior utilização de ferramentas de saúde digital. Na educação, a proposta inclui modernização, tecnologia e expansão do ensino em tempo integral.
Também estão previstas ações de digitalização dos serviços públicos, simplificação do atendimento ao cidadão, estímulo à inovação e melhoria do ambiente de negócios.
“Nosso próximo passo é fazer Campo Grande avançar como uma capital moderna sem perder aquilo que mais importa: a qualidade de vida das pessoas”, afirma Riedel.
Proteção social acompanha crescimento da Capital
O desafio também envolve famílias que dependem diretamente das políticas de proteção social. Em março deste ano, 16.350 famílias de Campo Grande eram atendidas pelo Mais Social e 6.197 pelo Energia Social/Conta de Luz Zero.
O planejamento estadual inclui políticas voltadas a mulheres, pessoas com deficiência, cuidadores, população em situação de rua e famílias vulneráveis, além de ações que combinam assistência social, qualificação profissional e acesso ao trabalho.
Entre as propostas estão uma nova Casa Abrigo e a expansão de iniciativas como MS Supera Mulher e Recomeços.
Os números mostram que o crescimento de uma capital também amplia a complexidade das demandas. Mais moradores e novas regiões significam a necessidade de serviços capazes de atender públicos com necessidades diferentes e chegar a quem mais precisa.
Desenvolvimento que chega à vida cotidiana
Campo Grande chega aos 127 anos com uma agenda de investimentos que reúne saúde, educação, infraestrutura e proteção social. Parte das mudanças é percebida em obras e reformas, enquanto outra ocorre dentro de hospitais, escolas e serviços que a população procura quando precisa.
No Hospital Regional, a possibilidade de realizar hemodiálise no próprio leito resume essa dimensão. Para um paciente em estado crítico, modernização pode significar simplesmente ter acesso ao tratamento sem precisar ser deslocado.
Como define Ana Carolina ao falar sobre a reforma da Nefrologia, “mais do que ampliar uma estrutura, a reinauguração representa ampliar a capacidade de cuidar”.
O desafio para os próximos anos será fazer com que o crescimento de Campo Grande seja acompanhado pela capacidade do poder público de oferecer serviços cada vez mais acessíveis, estruturados e preparados para as necessidades da população.

