Redação Plenax – Flavia Andrade
Dor generalizada, fadiga, sono não reparador e alterações de memória e concentração estão entre os sintomas associados à síndrome
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica difusa que ainda é frequentemente incompreendida. A condição está relacionada a uma alteração no processamento dos estímulos dolorosos pelo sistema nervoso central e pode provocar dores em diferentes regiões do corpo, além de sintomas que afetam o sono, a disposição e a capacidade de concentração.
A reumatologista Monica Valeria Vechi, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/HU Brasil), explica que a condição é caracterizada principalmente pela presença de dor generalizada acompanhada de outros sintomas.
“A fibromialgia é uma condição caracterizada por dor crônica generalizada, acompanhada de sintomas como sono não reparador, fadiga, cefaleia, alteração de concentração e memória, dentre outros. É comum a sua associação com transtornos de humor, como ansiedade e depressão”, resume a médica.
Como não há exames laboratoriais ou de imagem capazes de confirmar diretamente a fibromialgia, o diagnóstico é essencialmente clínico. O exame físico e os exames complementares são utilizados principalmente para investigar e afastar outras doenças que possam apresentar sintomas semelhantes.
Dor não está necessariamente ligada a uma lesão
A fibromialgia é classificada como uma síndrome de dor crônica difusa. As dores podem ser percebidas em músculos, tendões e articulações de diferentes partes do corpo, mas não necessariamente são provocadas por uma lesão nos locais onde são sentidas.
A condição está associada a uma alteração na forma como o sistema nervoso central processa a dor. Por isso, é considerada uma forma de dor crônica primária, na qual não existe necessariamente uma lesão periférica nos tecidos que explique os sintomas.
Segundo Monica Valeria, o conjunto de sinais e sintomas é fundamental para a avaliação médica.
“O diagnóstico de fibromialgia é eminentemente clínico. O exame físico e os exames complementares ajudam a afastar outras patologias, que podem causar sintomas semelhantes.”
Mulheres são mais afetadas
A predisposição familiar e diferentes fatores biopsicossociais podem contribuir para o desenvolvimento da condição. Transtornos de humor, como ansiedade e depressão, estão entre os fatores associados, assim como situações de estresse elevado, incluindo ambientes familiares disfuncionais e locais de trabalho muito estressantes.
A fibromialgia é mais frequente em mulheres entre 30 e 50 anos, mas pode atingir pessoas de todas as idades e também ocorre no sexo masculino.
Tratamento combina diferentes abordagens
O controle da dor a longo prazo depende, em grande parte, de mudanças no estilo de vida. De acordo com a reumatologista, conhecer a doença e identificar fatores que desencadeiam ou agravam as crises são etapas importantes do acompanhamento.
A atividade física regular faz parte do tratamento, e diferentes modalidades podem trazer benefícios. Entre elas, os exercícios aeróbicos de baixo impacto são destacados pela especialista.
Os medicamentos utilizados atuam no sistema nervoso central e têm como objetivos modular a forma como o cérebro processa os sinais de dor e melhorar a qualidade do sono.
A abordagem também pode incluir fisioterapia, psicoterapia, terapia cognitivo-comportamental e tratamento dos distúrbios do sono. Nos casos em que há transtornos de humor mais relevantes, o acompanhamento com psiquiatra pode ser necessário.
Tratamento deve considerar cada paciente
A fibromialgia apresenta diferentes manifestações entre os pacientes. Enquanto algumas pessoas têm maior comprometimento do sono, outras podem apresentar impacto mais significativo relacionado ao humor.
Por isso, embora existam diferentes opções de medicamentos e abordagens terapêuticas, o tratamento deve ser definido de acordo com as necessidades de cada paciente.
A proposta é combinar estratégias que contribuam para o controle da dor, melhora do sono e da qualidade de vida, com acompanhamento multidisciplinar.
Sobre a HU Brasil
O HU-UFS integra a Rede HU Brasil desde 2015. Criada pela Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) é responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

