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Livro resgata ano de polarização, fake news e atentado contra Prudente de Morais

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Obra de Ely Carneiro de Paiva revisita os acontecimentos de 1897 e mostra como disputas políticas, desinformação e conflitos marcaram os primeiros anos da República brasileira

O ano de 1897 ficou marcado por alguns dos episódios mais turbulentos dos primeiros anos da República brasileira. A Guerra de Canudos, a morte de Antônio Conselheiro, a decretação de estado de sítio, a divisão do Partido Republicano Federal e a tentativa de assassinato do então presidente Prudente de Morais compõem parte do cenário retratado pelo escritor e pesquisador Ely Carneiro de Paiva no livro 1897: A República polarizada e o atentado contra Prudente de Morais.

A obra também aborda um período em que ameaças de golpes militares, escândalos de corrupção, discursos de ódio e notícias falsas faziam parte do ambiente político e social do país.

Em um dos trechos do livro, o autor mostra como a imprensa teve papel importante na propagação de informações fantasiosas naquele período. Os jornais utilizavam textos sensacionalistas, relatos suspeitos e até depoimentos fictícios, enquanto a distinção entre notícia, editorial e crônica nem sempre era clara.

Ao revisitar esses episódios, Ely Carneiro de Paiva estabelece paralelos entre os desafios enfrentados pela jovem República e questões que continuam presentes no debate político brasileiro.

“O mundo era muito diferente no final do século XIX. As mulheres não tinham direitos, e o racismo era algo natural e incentivado. A evolução da nossa República ficou mais evidente somente depois da Constituição de 1988. Apesar disso, os discursos de ódio, a defesa do militarismo e a ditadura, que são marcas do início dos governos republicanos, têm voltado a nos assombrar nos últimos 10 anos”, afirma o autor.

Dez anos de pesquisa

O livro recebeu o endosso do escritor Laurentino Gomes, que classificou a obra como um livro de narrativa fluida e acessível mesmo para leitores menos familiarizados com o tema.

A pesquisa que deu origem à publicação foi realizada ao longo de uma década e reuniu mais de 600 referências, incluindo documentos oficiais dos anais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, além de materiais publicados por jornais da época.

Entre as fontes consultadas estão veículos como Jornal da Manhã, Jornal do Brasil e Jornal do Comércio.

Dividida em 27 capítulos curtos, a publicação não se limita aos acontecimentos políticos. O autor também apresenta aspectos da vida social do Rio de Janeiro no final do século XIX, então capital federal.

Entre os episódios retratados estão a inauguração do Palácio do Catete, uma confraternização no Itamaraty para celebrar a relação entre Brasil e Chile, rumores sobre um possível golpe de Estado, a chegada de grupos indígenas à capital e até relatos sobre um suposto fantasma na Rua das Laranjeiras.

Um julgamento para 1897

A atmosfera de instabilidade que atravessa a obra também aparece no prólogo, única parte do livro em que o autor recorre à ficção.

Na narrativa, um tribunal popular é realizado no Natal, na Rua do Ouvidor, para julgar os acontecimentos daquele ano. A sentença simbólica é a pena de morte para 1897.

O promotor apresenta o ano como um período marcado por violência, conspirações, fanatismo, corrupção e perdas humanas.

A escolha do recurso literário reforça a proposta de apresentar ao leitor um período histórico conturbado não apenas pelos grandes acontecimentos políticos, mas também pelas transformações e tensões presentes no cotidiano da sociedade brasileira.

Ficha técnica

Título: 1897
Subtítulo: A República polarizada e o atentado contra Prudente de Morais
Autor: Ely Carneiro de Paiva
Editora: Ayran
ISBN: 978-65-89177-20-3
Páginas: 291
Preço: R$ 72 (edição física)
Onde comprar: Editora Ayran

Sobre o autor: Ely Carneiro de Paiva é graduado em Engenharia Elétrica, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e correspondente associado do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHGMS).

Como escritor, publicou O Homem do Cavalo Branco (2012), sobre um estelionatário da República Velha, e Jean Serrou Camy – Um francês dos Pirineus no coração do Brasil (2018), sobre um imigrante francês que viveu no interior do país no século XIX.

Instagram: @elypaivacarneiro
Site: Site de Ely Carneiro de Paiva

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