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Cada criança tem seu tempo: quando o atraso no desenvolvimento precisa ser investigado

Foto: Reprodução

Redação Plenax – Flavia Andrade

Dificuldades para falar, andar ou interagir podem passar despercebidas nos primeiros anos de vida, mas atrasos persistentes ou a perda de habilidades já adquiridas precisam ser avaliados

Cada criança se desenvolve em seu próprio ritmo, mas algumas dificuldades podem exigir atenção dos pais e responsáveis. Atrasos persistentes para falar, andar ou interagir, assim como a perda de habilidades que já haviam sido adquiridas, devem ser avaliados por profissionais de saúde.

O acompanhamento do desenvolvimento faz parte da rotina de saúde infantil e considera diferentes aspectos, incluindo habilidades motoras, linguagem, interação e comportamento. A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, também auxilia famílias e profissionais no acompanhamento dos principais marcos do desenvolvimento e no registro de dúvidas para as consultas.

“Cada criança tem seu ritmo, mas isso não significa que um atraso persistente deva ser ignorado. Quando uma habilidade não aparece, uma dificuldade continua ou a criança perde algo que já havia aprendido, é importante conversar com o pediatra e investigar”, afirma Hamilton Henrique Robledo, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

O que observar nos primeiros anos

Nos primeiros meses de vida, alguns sinais podem chamar a atenção, como dificuldade para sustentar a cabeça, pouca resposta a sons e vozes, pouco contato visual ou alterações importantes no tônus muscular.

Entre 6 e 12 meses, é importante observar habilidades como sentar sem apoio, tentar se deslocar, apoiar o peso nas pernas, balbuciar, responder ao próprio nome e interagir com outras pessoas.

Depois do primeiro ano, a linguagem passa a ter um papel ainda mais importante na avaliação. Poucas ou nenhuma palavra, dificuldade para compreender comandos simples ou pouca iniciativa para se comunicar podem justificar uma investigação.

Aos 2 anos, a combinação de palavras e a evolução do vocabulário são referências importantes. Com o passar do tempo, também entram na observação a capacidade de conversar, brincar de faz de conta e interagir com outras crianças.

Sinais que merecem atenção

Primeiros meses

Dificuldade para sustentar a cabeça;
pouca resposta a sons e luzes;
pouco contato visual;
dificuldade de reconhecer pessoas conhecidas;
alterações importantes no tônus muscular.

De 6 a 12 meses

dificuldade para sentar;
dificuldade para apoiar o peso nas pernas, se deslocar ou ficar em pé;
ausência ou pouca evolução do balbucio;
dificuldade para responder ao próprio nome;
pouca interação.

De 1 a 2 anos

atraso nas primeiras palavras;
dificuldade para compreender comandos;
dificuldade para andar de forma independente.

A partir dos 2 anos

pouca evolução da linguagem;
dificuldade de interação;
ausência de habilidades esperadas para a idade.
Atraso não significa necessariamente transtorno

A presença de um atraso no desenvolvimento não significa, por si só, que a criança tenha algum transtorno.

As causas podem ser variadas e envolver fatores genéticos ou neurológicos, complicações durante a gestação ou o parto, infecções, alterações auditivas e outras condições.

Por isso, a avaliação deve considerar o conjunto do desenvolvimento da criança, e não apenas uma habilidade isolada.

“Um atraso no desenvolvimento não significa, necessariamente, a presença de um transtorno. As causas podem ser variadas e envolver fatores genéticos ou neurológicos, complicações na gestação ou no parto, infecções, alterações auditivas e outras condições. Por isso, a avaliação considera o conjunto do desenvolvimento, e não apenas uma habilidade isolada”, explica Robledo.

Quando procurar ajuda?

O primeiro passo é conversar com o pediatra, que poderá acompanhar a evolução da criança e, quando necessário, encaminhá-la para outros profissionais.

Dependendo da situação, a investigação pode envolver neuropediatra, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo ou especialista em audição.

A Caderneta da Criança também pode ser utilizada durante esse acompanhamento, ajudando a registrar os principais marcos do desenvolvimento e dúvidas para as consultas.

Mais importante do que comparar uma criança com outra é observar a própria evolução dela.

Quando uma habilidade esperada não aparece, uma dificuldade persiste ou uma capacidade já adquirida é perdida, a orientação é procurar avaliação profissional em vez de simplesmente esperar que a situação se resolva sozinha.

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