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Parceria da AGCO e TNC apoia recuperação de 40 mil hectares de pastagens no Cerrado

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Iniciativa em Mato Grosso atende 30 produtores, capacitou mais de 200 pessoas e busca ampliar a adoção de práticas de agricultura regenerativa

Uma parceria entre a AGCO Agriculture Foundation (AAF), ligada à AGCO, e a The Nature Conservancy Brasil (TNC) está apoiando a recuperação de áreas degradadas e a adoção de práticas de produção sustentável no Cerrado de Mato Grosso. A iniciativa já alcança 30 produtores rurais em mais de 40 mil hectares, com assistência técnica, diagnósticos e recomendações para melhorar o desempenho das propriedades.

Do total da área acompanhada, 11 mil hectares de pastagens receberam a implementação direta de práticas sustentáveis com apoio técnico especializado. Nas demais áreas, os produtores receberam diagnósticos e recomendações voltados à restauração da vegetação nativa e à adequação ambiental.

A iniciativa também busca fortalecer a governança local e a articulação entre instituições, criando condições para ampliar o modelo no curto prazo.

Assistência técnica e agricultura regenerativa

Desenvolvido em Mato Grosso, o projeto combina assistência técnica, capacitação e acompanhamento das propriedades rurais para apoiar a adoção de práticas de agricultura regenerativa.

Entre as ações estão a recuperação da saúde do solo, restauração de pastagens, integração entre lavoura e pecuária, manejo eficiente da água e monitoramento de indicadores relacionados à evolução dos sistemas produtivos.

Uma das estruturas utilizadas para disseminar conhecimento é a Unidade Demonstrativa instalada na Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), em Nova Xavantina. O espaço já capacitou mais de 200 pessoas em temas como saúde do solo, integração lavoura-pecuária e agricultura regenerativa.

Do total de participantes, 66,8% eram homens, 32,7% mulheres e 47% jovens. A iniciativa também promoveu quatro dias de campo, reunindo produtores rurais, estudantes e profissionais do setor para compartilhar experiências e apresentar resultados das técnicas adotadas.

O projeto envolveu ainda 15 recém-graduados em atividades de assistência técnica, contribuindo para a formação de profissionais voltados à transição para sistemas produtivos mais sustentáveis.

Produtividade cresce com recuperação de pastagens

Os resultados registrados nas propriedades participantes apontam ganhos de produtividade associados às práticas de manejo regenerativo.

Em Nova Xavantina, uma propriedade de pecuária leiteira registrou aumento de 27% na produtividade de leite após três anos de recuperação de pastagens e aprimoramento do manejo do rebanho. A mudança também contribuiu para diversificar a renda e otimizar o uso da terra.

Em Ribeirão Cascalheira, a taxa de lotação animal passou de 0,8 para 1,17 Unidade Animal por hectare (UA/ha) ao longo de três anos de acompanhamento técnico. O resultado foi obtido com ajustes no manejo dos animais e técnicas de recuperação de pastagens degradadas.

Já em outra propriedade de Nova Xavantina, a taxa de lotação aumentou de 0,4 para 1 UA/ha em um ano de assistência técnica, ampliando a produção na área já utilizada para a atividade.

Entre as técnicas empregadas na reforma das pastagens estão o uso de bioinsumos, compostagem e pó de rocha.

Conhecimento para ampliar a transição

Para Marcelo Traldi, gerente geral da AGCO, os resultados mostram a importância da combinação entre conhecimento técnico, planejamento e práticas regenerativas.

“Na AGCO, acreditamos que inovação e sustentabilidade caminham juntas. A parceria com a TNC reforça nosso compromisso em ampliar o acesso ao conhecimento e às soluções que ajudam os produtores a evoluir seus sistemas produtivos, combinando maior eficiência, conservação dos recursos naturais e resiliência no campo”, afirma.

A diretora de Conservação para o Cerrado da TNC, Julia Mangueira, destaca o alcance da iniciativa e a possibilidade de ampliar a adoção dos sistemas regenerativos.

“O marco de mais de 40 mil hectares em processo de transição para modelos regenerativos traduz o potencial de transformação de iniciativas ancoradas em ciência, assistência técnica e engajamento dos produtores. O Cerrado tem um papel estratégico para a conservação da biodiversidade aliada à manutenção e aprimoramento da capacidade produtiva, e parcerias como a construída com a AGCO são fundamentais para ampliar a adoção de sistemas produtivos regenerativos e gerar impacto positivo em escala”, afirma.

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