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Exame de sangue pode indicar risco de câncer de pulmão anos antes do diagnóstico

crédito: Rob Allen/Flickr

Redação Plenax – Flavia Andrade

Estudo internacional identificou 14 proteínas no sangue associadas a maior risco de desenvolvimento da doença mais de cinco anos antes do diagnóstico

O câncer de pulmão está entre os tipos de câncer de maior impacto na saúde pública e pode permanecer silencioso durante parte de sua evolução. Enquanto estratégias de rastreamento são direcionadas principalmente a pessoas com maior risco, pesquisadores buscam novas formas de identificar alterações associadas à doença antes do surgimento do diagnóstico.

Um estudo internacional publicado na revista científica Cell identificou uma combinação de 14 proteínas presentes no sangue associada a um risco maior de desenvolvimento do câncer de pulmão mais de cinco anos antes do diagnóstico. A pesquisa analisou amostras de sangue de mais de 48 mil participantes e utilizou inteligência artificial e técnicas de análise de proteínas para identificar padrões relacionados ao desenvolvimento futuro da doença.

Para o infectologista Dr. Evaldo Stanislau, coordenador do curso de Medicina da Universidade São Judas, cujo curso integra a Inspirali, a descoberta representa um avanço na busca por estratégias de detecção mais precoce.

“É importante destacar que estamos falando de uma pesquisa que aponta um caminho promissor, e não de um exame disponível para diagnosticar câncer de pulmão na prática clínica. O estudo mostra a possibilidade de identificar, por meio do sangue, sinais biológicos relacionados a um risco aumentado da doença antes que ela seja diagnosticada pelos métodos convencionais”, explica.

Segundo o especialista, a identificação de pessoas com maior probabilidade de desenvolver a doença pode, no futuro, contribuir para estratégias de acompanhamento mais individualizadas. A assinatura de proteínas também foi validada em diferentes bases de dados, incluindo participantes que nunca fumaram, o que amplia o interesse científico pelos resultados.

Tabagismo é o principal fator de risco

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, o câncer de pulmão continua apresentando alta incidência. O tabagismo é o principal fator de risco, mas não é o único. Pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver a doença.

Segundo dados apresentados por Stanislau, o risco de ter câncer de pulmão aos 75 anos é de quase 20% entre fumantes, 5% entre ex-fumantes e cerca de 1% entre pessoas que nunca fumaram. Mesmo entre não fumantes, os casos representam aproximadamente 15% a 20% dos diagnósticos da doença no mundo.

“O câncer de pulmão não é uma doença exclusiva de quem fuma. O tabagismo é, sem dúvida, o principal fator de risco, mas existem outros elementos envolvidos, como exposição à poluição, substâncias presentes em determinados ambientes de trabalho, histórico familiar e algumas doenças pulmonares”, afirma o médico.

Agosto Branco reforça a importância da prevenção

A pesquisa sobre novas formas de detecção precoce ganha destaque durante o Agosto Branco, campanha voltada à conscientização, prevenção e combate ao câncer de pulmão.

A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre fatores de risco, sintomas, diagnóstico e tratamento, além de reforçar a importância de cuidar da saúde mesmo na ausência de sinais aparentes.

Entre os sintomas que devem ser investigados estão tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, cansaço, perda de peso sem causa aparente e presença de sangue no escarro. Esses sinais não significam necessariamente câncer de pulmão, mas precisam de avaliação médica quando persistentes ou associados a outros fatores de risco.

Atualmente, o rastreamento não é indicado para toda a população. Pessoas com histórico significativo de tabagismo ou outros fatores de risco podem ter indicação de acompanhamento específico e exames de imagem, conforme avaliação médica.

Já a combinação de proteínas identificada pelo novo estudo ainda precisa passar por novas etapas de validação antes de ser utilizada rotineiramente como ferramenta de avaliação nos consultórios.

Enquanto novas tecnologias são desenvolvidas, medidas preventivas continuam sendo fundamentais.

Como reduzir o risco de câncer de pulmão?
Não fumar: o tabagismo é o principal fator de risco. Abandonar o cigarro reduz progressivamente os riscos associados ao consumo de tabaco.

Evitar a fumaça do cigarro: a exposição ao tabagismo passivo também aumenta o risco da doença.

Adotar medidas de proteção no trabalho: profissionais expostos a substâncias como amianto, sílica, arsênio, benzeno, cádmio, cromo e níquel devem seguir as medidas de segurança recomendadas.

Reduzir a exposição à poluição: a exposição prolongada à poluição do ar está relacionada a problemas respiratórios e pode contribuir para doenças pulmonares.

Manter acompanhamento médico: pessoas com histórico de tabagismo, doenças pulmonares ou outros fatores de risco devem conversar com um profissional de saúde sobre a necessidade de acompanhamento.

Observar sintomas persistentes: tosse, falta de ar, rouquidão e sangue no escarro, entre outros sinais respiratórios, devem ser avaliados por um profissional.

“A melhor estratégia ainda é reduzir os fatores de risco. Parar de fumar, evitar a exposição à fumaça do cigarro, utilizar equipamentos de proteção em ambientes de trabalho com substâncias potencialmente prejudiciais e manter acompanhamento médico são atitudes que podem fazer diferença. O Agosto Branco é uma oportunidade importante para lembrar que prevenção e informação também salvam vidas”, destaca Stanislau.

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