Redação Plenax – Flavia Andrade
Doença neurológica rara e de progressão rápida pode provocar alterações cognitivas, comportamentais e motoras
A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma condição neurológica rara, progressiva e de evolução rápida que afeta o cérebro e pode comprometer memória, comportamento, movimentos e outras funções neurológicas. Apesar de pouco frequente, a doença chama atenção pela velocidade de progressão dos sintomas e pela dificuldade de identificação em suas fases iniciais.
A DCJ pertence ao grupo das doenças causadas por alterações em proteínas chamadas príons. Quando essas proteínas assumem uma conformação anormal, podem desencadear um processo que provoca danos progressivos às células do sistema nervoso.
Quais são os primeiros sinais?
Os sintomas variam entre os pacientes e podem envolver aspectos cognitivos, comportamentais e neurológicos. Entre as manifestações iniciais estão perda de memória, dificuldade de concentração, confusão mental e mudanças de comportamento.
Com a evolução da doença, podem surgir dificuldades para caminhar e coordenar os movimentos, alterações na visão e na fala, rigidez muscular e movimentos involuntários.
“Por se tratar de uma doença rara e com sintomas que inicialmente podem se sobrepor aos de outras condições neurológicas, é importante observar não apenas a presença de alterações cognitivas, mas principalmente a rapidez com que elas aparecem e evoluem”, explica Yasmin Coelho, médica neurologista e professora do curso de Medicina da Uniderp.
DCJ pode ser confundida com Alzheimer?
Alterações de memória podem levar inicialmente à suspeita de doenças mais comuns, como o Alzheimer. A principal diferença está, entre outros aspectos, na velocidade de progressão da DCJ.
Enquanto algumas demências apresentam evolução ao longo de anos, a doença de Creutzfeldt-Jakob pode provocar uma deterioração neurológica em um período significativamente mais curto. Por isso, alterações cognitivas de início rápido acompanhadas por problemas de equilíbrio, coordenação, fala, visão ou movimentos involuntários devem ser investigadas.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação considera a história clínica, a evolução dos sintomas e os resultados de diferentes exames. Entre os recursos que podem ser utilizados estão ressonância magnética, análise do líquido cefalorraquidiano e eletroencefalograma, além de outros exames neurológicos.
“Não existe um único exame simples que, isoladamente, seja suficiente para avaliar todos os casos. O diagnóstico depende da combinação dos sinais clínicos e dos resultados dos exames, além da exclusão de outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes”, esclarece a especialista.
A confirmação definitiva depende da análise do tecido cerebral, geralmente realizada após a morte. Durante a vida, portanto, a investigação busca reunir evidências que permitam estabelecer um diagnóstico provável ou possível.
A forma mais comum da doença, chamada esporádica, ocorre principalmente em pessoas mais velhas. Existem também formas relacionadas a fatores genéticos e formas adquiridas, que são extremamente raras.
“Existem diferentes formas de Creutzfeldt-Jakob. Além da forma esporádica, há casos relacionados a fatores genéticos e formas adquiridas, que são extremamente raras. Por isso, a identificação da causa depende de uma avaliação médica individualizada”, aponta Yasmin.
Por que a doença evolui tão rapidamente?
A progressão acelerada é uma das principais características da DCJ. Os príons anormais podem provocar alterações progressivas no tecido cerebral, levando à perda de neurônios e ao comprometimento de diferentes funções do sistema nervoso.
A velocidade da evolução pode variar, mas a doença é considerada grave e, atualmente, não existe tratamento capaz de interromper ou reverter o processo causado pelos príons.
Como é feito o cuidado do paciente?
Na ausência de uma terapia curativa, o cuidado é direcionado ao controle dos sintomas, ao conforto e à qualidade de vida. O acompanhamento pode envolver diferentes profissionais de saúde, conforme as necessidades apresentadas pelo paciente.
Também é importante acompanhar dificuldades relacionadas à mobilidade, alimentação, comunicação e outras funções que podem ser afetadas pela evolução da doença.
“O suporte aos familiares e cuidadores é igualmente importante, já que a rápida progressão da doença pode exigir mudanças significativas na rotina e na assistência ao paciente”, afirma a neurologista.
Embora seja uma condição rara, reconhecer os principais sinais da doença de Creutzfeldt-Jakob pode ajudar a identificar situações que precisam de investigação especializada. Alterações cognitivas de evolução rápida associadas a dificuldades motoras, mudanças de comportamento ou outros sinais neurológicos devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

