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Agosto Lilás: violência doméstica também chega ao ambiente de trabalho

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Atualização da NR-1, com a inclusão dos riscos psicossociais, amplia o debate sobre o papel das empresas na prevenção e no cuidado com a saúde emocional dos trabalhadores

A violência doméstica não se limita ao ambiente familiar. Seus impactos podem acompanhar a vítima durante toda a rotina, inclusive no trabalho, afetando a concentração, o desempenho, os relacionamentos profissionais e até a frequência. Ansiedade, medo, insegurança e desgaste emocional estão entre as consequências que podem interferir na vida profissional e também na dinâmica das organizações.

Nesse cenário, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a contemplar a gestão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), amplia a discussão sobre saúde emocional no ambiente corporativo. Embora a norma não trate especificamente da violência doméstica, a mudança reforça a importância de as empresas reconhecerem fatores que podem comprometer a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.

Para Thaís Rodella, especialista em comportamento humano, gestão de pessoas e Medicina do Estilo de Vida, o Agosto Lilás também deve ser um momento de reflexão dentro das organizações.

“Quem sofre violência não deixa esse sofrimento em casa quando inicia o expediente. O medo, a insegurança e o desgaste emocional acompanham essa pessoa ao longo do dia e podem comprometer sua capacidade de trabalhar, tomar decisões e se relacionar com a equipe. Ignorar essa realidade significa deixar de cuidar de um fator que interfere diretamente na saúde e no desempenho profissional.”

Empresas não precisam investigar, mas precisam saber acolher

A atuação das organizações, segundo a especialista, não significa assumir responsabilidades que pertencem às autoridades ou aos serviços especializados de proteção. O papel das empresas está em oferecer um ambiente seguro, respeitoso e preparado para acolher situações de vulnerabilidade.

“Os gestores não precisam investigar a vida pessoal de ninguém. O mais importante é que saibam identificar mudanças significativas de comportamento, conduzir conversas de forma respeitosa e orientar o colaborador sobre os canais de apoio disponíveis. Muitas vezes, um ambiente de confiança representa o primeiro passo para que a vítima procure ajuda”, afirma Thaís.

Mudanças repentinas de comportamento, isolamento, atrasos frequentes, dificuldade de concentração, queda de rendimento e aumento das faltas podem chamar a atenção de gestores e colegas. Isoladamente, esses sinais não permitem concluir que uma pessoa esteja sofrendo violência doméstica, mas mudanças persistentes ou abruptas podem indicar que algo não está bem.

Prevenção também passa pela cultura organizacional

Além da preparação das lideranças, medidas como políticas claras de enfrentamento ao assédio, canais confidenciais de escuta e programas de apoio psicológico podem contribuir para tornar as empresas mais preparadas para situações de vulnerabilidade.

A criação de uma cultura organizacional baseada em respeito e confiança também pode facilitar a busca por ajuda. Para isso, é importante que trabalhadores saibam a quem recorrer e encontrem espaços nos quais possam falar sobre suas dificuldades sem medo de exposição ou julgamento.

“O Agosto Lilás reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher é um compromisso coletivo. A atualização da NR-1 amplia esse debate ao mostrar que a saúde mental também depende da capacidade das empresas de reconhecer fatores que afetam seus colaboradores e agir de maneira responsável, ética e humana”, conclui Thaís Rodella.

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