Redação Plenax – Flavia Andrade
Hortas familiares, pecuária, apicultura, avicultura e artesanato estão entre as atividades desenvolvidas em Brasilândia
As primeiras ações do Projeto de Relacionamento na Comunidade Indígena Ofaié, em Brasilândia, já apresentam resultados na produção de alimentos e na criação de novas oportunidades de geração de renda. Desenvolvida pela Suzano em parceria com o Sebrae e moradores da comunidade, a iniciativa reúne atividades de horticultura, pecuária, artesanato, apicultura e avicultura.
Atualmente, oito hortas familiares estão em produção, enquanto a infraestrutura da pecuária passa por melhorias. O projeto também incentiva o artesanato e novas atividades produtivas, com o objetivo de diversificar as fontes de renda das famílias.
Segundo Andreone Souza, coordenador de Relacionamento Social da Suzano em Mato Grosso do Sul, os primeiros resultados refletem o planejamento realizado com as famílias indígenas.
“Cada etapa concluída representa mais oportunidades de produção, geração de renda e fortalecimento da autonomia da comunidade, sempre respeitando o engajamento culturalmente apropriado e os conhecimentos tradicionais do povo Ofaié”, afirmou.
Hortas já abastecem famílias e geram renda
A horticultura é, até o momento, a frente mais consolidada do projeto. As oito hortas ocupam aproximadamente 400 metros quadrados e produzem uma variedade de alimentos, entre eles quiabo, abóbora, feijão, maxixe, mandioca, berinjela, jiló, banana, abacaxi, tomate, alface, rúcula, cheiro-verde, almeirão, cenoura, beterraba e couve.
Parte da produção é destinada ao consumo das próprias famílias, enquanto outra parcela é comercializada.
Atualmente, seis produtores comercializam alimentos por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), ampliando as possibilidades de geração de renda a partir da produção local.
Pecuária recebe melhorias na infraestrutura
Na pecuária, as ações estão concentradas na melhoria das condições para o manejo dos animais.
Até o momento, foram reformados 10,5 quilômetros de cercas e recuperados 35 hectares de pastagem. A segunda etapa do projeto prevê a implantação de mais cinco quilômetros de cercas.
As intervenções buscam estruturar a atividade e oferecer melhores condições para sua continuidade na comunidade.
Apicultura e avicultura diversificam produção
A apicultura também está em fase de implantação. Doze famílias participam da iniciativa, que atualmente envolve a instalação de caixas-isca e a preparação das futuras colmeias.
A expectativa é que a produção de mel tenha início nos próximos ciclos, criando uma nova alternativa de geração de renda para as famílias participantes.
Outra atividade em implantação é a avicultura. O primeiro galinheiro já foi concluído e será utilizado como modelo para a expansão da criação entre as famílias envolvidas no projeto.
Artesanato amplia oportunidades para mulheres
O artesanato é outra frente que vem sendo fortalecida. Dez mulheres indígenas concluíram a primeira etapa de uma capacitação em costura criativa realizada em parceria com o Sebrae/MS.
Durante sete meses, as participantes trabalharam técnicas de produção, reaproveitamento de materiais, acabamento e precificação. A capacitação também busca ampliar o portfólio de peças e agregar valor ao trabalho das artesãs, preservando as características culturais do povo Ofaié.
Além das capacitações, a Suzano disponibilizou materiais para as diferentes atividades do projeto, incluindo mudas para as hortas, materiais para as cercas, caixas destinadas à apicultura e insumos para o artesanato.
As ações continuam com acompanhamento técnico, expansão das culturas agrícolas, fortalecimento da comercialização e novas capacitações.
Para a cacica Ramona Coimbra Pereira, a iniciativa contribui para o aprendizado de novas técnicas e para o fortalecimento das atividades desenvolvidas pela comunidade.
“Estamos aprendendo novas técnicas, melhorando nossos produtos e fortalecendo nossa forma de trabalho. A gente agradece muito as parcerias que respeitam nossa cultura e trazem conhecimento para que possamos melhorar nossa qualidade de vida”, afirmou.

