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Manutenção antes da safra ajuda a evitar paradas e prejuízos no campo

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Revisão preventiva durante a entressafra permite identificar desgastes, programar reparos e testar máquinas antes do início das operações

Com a aproximação de uma nova safra, a manutenção preventiva das máquinas agrícolas passa a ter papel estratégico no planejamento das operações. A revisão realizada durante a entressafra permite identificar desgastes, programar reparos e testar os equipamentos antes que tratores, plantadeiras, pulverizadores e colheitadeiras voltem ao trabalho.

Segundo Vinícius Oliveira, gerente de Marketing de Serviços AGCO América Latina, antecipar a revisão dá ao produtor mais tempo para tomar decisões.

“Quando um desgaste é identificado com a máquina parada na fazenda ou na concessionária, ainda é possível planejar a compra de peças, reservar mão de obra, organizar o transporte e testar o equipamento depois do reparo”, explica.

A manutenção preventiva também reduz o risco de paradas inesperadas durante a safra. Componentes como rolamentos, mangueiras, filtros e baterias podem apresentar sinais de desgaste antes de provocar uma falha mais grave.

Quando esses sinais são ignorados, um problema inicialmente simples pode comprometer outros componentes e resultar em uma parada mais longa e de maior custo.

Cada máquina exige uma revisão específica

A inspeção deve começar pelos principais sistemas comuns aos equipamentos agrícolas, como motor, combustível, lubrificação, arrefecimento, filtros, transmissão, sistema hidráulico, elétrica, bateria, pneus ou rodados, freios, direção, vazamentos, proteções e códigos de falha.

Depois dessa avaliação inicial, a revisão precisa considerar a função desempenhada por cada máquina.

Nos tratores, devem ser avaliados itens como transmissão, embreagem, tomada de potência, sistema de levante, comandos hidráulicos, direção, freios, pneus, lastro, engates e comunicação com o implemento.

Nas plantadeiras, a atenção deve incluir discos de corte, sulcadores, rolamentos, correntes, dosadores, tubos condutores, sistema pneumático, pressão de linha, profundidade, rodas compactadoras, sensores e calibração para sementes e fertilizantes.

Nos pulverizadores, a inspeção envolve bomba, filtros, mangueiras, bicos, válvulas, seções, barras, controle de altura, pressão, vazão, agitação, sensores e calibração da aplicação.

Já nas colheitadeiras, a revisão deve abranger a plataforma e o sistema de corte, canal alimentador, correias, correntes, rolamentos, rotor ou sistema de trilha, separação e limpeza, elevadores, sem-fins, redutores finais e sistemas hidráulico e hidrostático.

Também precisam ser avaliados os sistemas de arrefecimento, elétrico e os sensores, além da limpeza de áreas onde podem ocorrer acúmulos de resíduos.

Sinais de desgaste exigem atenção

Alguns sinais podem indicar que o equipamento precisa de manutenção antes de voltar ao campo.

Entre eles estão correias trincadas ou com tensão inadequada, rolamentos com folga ou temperatura elevada, filtros saturados, radiadores e telas sujos, mangueiras deterioradas, vazamentos, terminais de bateria oxidados, falhas no carregamento e combustível contaminado.

Regulagens inadequadas e componentes próximos do limite de desgaste também podem comprometer o funcionamento das máquinas.

Por isso, deixar a revisão para os últimos dias antes do início da safra pode aumentar o risco de problemas. Caso seja necessário substituir uma peça, por exemplo, o reparo poderá depender da disponibilidade do componente ou da agenda da oficina.

Entressafra é o momento de programar

A recomendação é iniciar o processo assim que o equipamento for liberado da operação anterior.

Em vez de estabelecer um prazo único para toda a frota, o produtor pode considerar a data prevista para o retorno ao campo e reservar tempo para inspeção, diagnóstico, aprovação dos serviços, chegada das peças, execução dos reparos e teste final.

Máquinas sem equipamento reserva e colheitadeiras que possam exigir intervenções mais complexas devem receber atenção antecipada.

A manutenção planejada também permite organizar a mão de obra, comprar os componentes corretos, programar deslocamentos e realizar testes sem a pressão da operação.

Itens básicos, como filtros, pneus, sistema de arrefecimento e regulagens, também merecem atenção. Quando estão em boas condições, ajudam o equipamento a operar de acordo com as especificações para as quais foi projetado.

Agricultura de precisão também precisa de revisão

A manutenção pré-safra não deve ficar restrita aos componentes mecânicos. Pilotos automáticos, monitores, sensores e softwares também precisam ser verificados.

A avaliação começa pelo sistema elétrico, incluindo bateria, alternador, aterramentos, fusíveis, chicotes e conectores. Instabilidades de tensão ou de conexão podem provocar códigos de falha e dificultar a identificação da origem do problema.

Também devem ser conferidos terminal, receptor e antena de posicionamento, sensores, câmeras, unidades eletrônicas, comunicação com implementos, fontes de correção, calibrações e versões de software.

As atualizações devem seguir as orientações específicas para cada modelo e ser acompanhadas de configuração e teste. Antes de qualquer intervenção, também é recomendável preservar mapas, parâmetros e outros dados importantes.

Teste final é etapa essencial

A manutenção não termina com a conclusão do reparo. O equipamento deve atingir a temperatura de trabalho e passar por um teste funcional.

Quando possível, o teste deve ser realizado com a plataforma ou o implemento que será utilizado durante a safra. Dessa forma, podem ser identificados problemas que não aparecem com a máquina parada, como vazamentos sob pressão, aquecimento, falhas intermitentes ou regulagens inadequadas.

A inspeção visual pode ser complementada por testes de bateria e análise de fluidos. Óleo, combustível e líquido de arrefecimento podem indicar contaminação, diluição ou desgaste antes que o problema se torne evidente.

O operador também tem papel importante nesse processo. Por acompanhar a máquina diariamente, ele pode perceber alterações de ruído, temperatura, vibração, potência ou qualidade do trabalho.

A rotina deve incluir limpeza, verificação de níveis, vazamentos, pontos de lubrificação, pneus, proteções, alarmes e condição visual dos principais componentes.

Entre as práticas que podem acelerar o desgaste estão continuar trabalhando com alarmes ou sintomas ativos, operar acima da capacidade do equipamento, utilizar regulagens incompatíveis com as condições da lavoura, negligenciar a limpeza de radiadores e áreas com palha, atrasar a lubrificação e utilizar combustível de procedência duvidosa.

O especialista também recomenda atenção aos sintomas que aparecem somente durante a operação.

“Não é necessário que o operador faça o diagnóstico completo, mas ele precisa saber quando parar e acionar o suporte. Um sintoma que aparece apenas sob carga ou depois de algumas horas pode não se repetir na oficina. Por isso, vale registrar a condição de trabalho, o código exibido e, quando possível, fotos ou vídeos”, completa Vinícius Oliveira.

Com a revisão realizada antes do retorno ao campo, o produtor ganha tempo para corrigir problemas, organizar a frota e reduzir a possibilidade de que uma falha mecânica interrompa as atividades justamente durante o período mais importante da safra.

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