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Construção civil cresce em MS e abre espaço para mais mulheres no mercado de trabalho

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

A expansão da indústria da construção civil em Mato Grosso do Sul vem acompanhada por uma mudança no perfil de quem trabalha no setor. Historicamente marcado pela predominância masculina, o segmento passou a registrar uma participação maior de mulheres em funções operacionais, técnicas e de liderança.

A transformação ocorre em meio ao avanço da construção civil como um dos setores importantes da economia estadual, impulsionado por grandes investimentos e pela expansão das cadeias produtivas.

Em Campo Grande, iniciativas de qualificação profissional têm ajudado mulheres a ingressar nesse mercado. É o caso de Marluce de Oliveira Velasquez, que trabalha como auxiliar de serviços gerais em uma construtora e decidiu buscar formação na área depois de ser incentivada por uma engenheira.

Ela está entre as 78 mulheres que iniciaram cursos de Pedreira de Alvenaria, Pintora Imobiliária e Eletricista Predial na Faculdade Senai da Construção.

“Meu pai dizia para eu estudar e melhorar de vida. Eu não dava importância. Hoje sinto o peso daquelas palavras. Hoje entendo o que meu pai falou. Pretendo me aprofundar e aproveitar todas as oportunidades que surgirem. Estou correndo atrás para melhorar cada vez mais”, conta Marluce, que atualmente frequenta o curso de eletricista residencial.

Formação abre portas para mulheres

Uma das iniciativas voltadas à ampliação da participação feminina no setor é o projeto Elas Constroem, que reúne parceiros para oferecer formação gratuita a mulheres interessadas em trabalhar na construção civil.

Além da capacitação, o programa busca aproximar as participantes do mercado de trabalho. Construtoras parceiras, entre elas Plaenge, Vanguard, Joy e MRV, realizam feiras de emprego para selecionar profissionais que concluem os cursos.

Em 2025, o projeto formou 21 mulheres na operação de BobCat, dez em assentamento de revestimentos e nove em pintura de obras. Para 2026, a previsão é ampliar o número de formadas e concluir também uma turma de orçamentista de obras.

A capacitação tem atraído mulheres em diferentes momentos da vida profissional. Ramona Pinto de Souza, por exemplo, decidiu estudar mesmo depois de se aposentar, após mais de 30 anos de atuação no serviço público.

“Na hora de chamar um profissional, às vezes não é o horário que a gente precisa, ou não fica como a gente quer. Então, resolvi aprender as técnicas e fazer por minha conta”, relata.

Mulheres avançam para funções de liderança

A presença feminina também vem crescendo em áreas técnicas e de gestão da construção civil.

Segundo a coordenadora pedagógica do Senai, Dyany Melchior, características como organização e atenção aos detalhes são valorizadas pelas empresas que participam do projeto.

“As empresas parceiras do projeto nos pedem para treiná-las o máximo possível, e muitas mulheres já saem empregadas assim que concluem o curso”, afirma.

O avanço também pode ser observado na engenharia civil. Se no passado a presença de mulheres em cursos e ambientes profissionais ligados à construção era menos comum, atualmente elas ocupam funções estratégicas em grandes empresas do setor.

A engenheira civil Valéria Gabas é um dos exemplos dessa mudança. Depois de iniciar a carreira em um ambiente predominantemente masculino, ela avançou profissionalmente até assumir uma posição de liderança na Plaenge.

Para Valéria, o aumento da presença feminina contribui para que outras mulheres também considerem a construção civil como possibilidade profissional.

“À medida que a gente se fortalece e divulga essa presença feminina, as mulheres se sentem aptas a também avançar nessas carreiras. E aí a importância do projeto Elas Constroem, que impulsiona mais mulheres a entrarem para esse mercado, se desenvolverem e quererem liderar uma área que historicamente foi ocupada por homens”, afirmou durante a aula inaugural de um novo módulo do projeto.

Construção gera 6 mil empregos no primeiro semestre

A expansão da construção civil acompanha o crescimento dos investimentos e da atividade industrial em Mato Grosso do Sul.

Somente no primeiro semestre de 2026, o setor gerou 6.066 novos empregos formais, número equivalente a quase 64% das vagas criadas pela indústria no período.

Ao final do primeiro semestre, a construção civil empregava 44.741 trabalhadores com carteira assinada no Estado, o que correspondia a quase um quarto da mão de obra industrial.

O desempenho ocorre em um cenário de previsão de mais de R$ 115 bilhões em investimentos em Mato Grosso do Sul até 2030, abrangendo segmentos como celulose, bioenergia, mineração e transformação industrial de produtos agropecuários.

A construção civil participa diretamente da implantação da infraestrutura necessária para esses empreendimentos, desde obras industriais até instalações de apoio e logística.

Indústria amplia participação na economia estadual

Desde 2006, o número de indústrias instaladas em Mato Grosso do Sul quase triplicou, segundo dados apresentados pelo Sistema Fiems. O crescimento contribuiu para a geração de mais de 180 mil empregos e para o avanço das exportações de produtos industriais.

Nesse processo, entidades como Fiems, Senai, Sesi e IEL atuam na qualificação profissional, educação, saúde e apoio às empresas, acompanhando a expansão da atividade industrial no Estado.

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, destaca a atuação da entidade no processo de desenvolvimento industrial.

“A Fiems tem participado em cada ponto, em cada lugar, em cada empresa que chega, levando ações para toda a sociedade, seja na área de educação, saúde, qualificação profissional e, acima de tudo, desenvolvimento econômico. A indústria vem fazendo a diferença em todas as regiões, e nós temos a satisfação de entregar os resultados que aí estão nos últimos 20 anos. As pessoas já sentem a força da indústria em todo Mato Grosso do Sul”, declarou.

Enquanto novos investimentos ampliam a demanda por mão de obra, iniciativas de capacitação como o Elas Constroem ajudam a diversificar o perfil dos profissionais que ocupam esse mercado. A mudança ocorre tanto no canteiro de obras quanto em áreas técnicas e posições de liderança, ampliando a participação das mulheres em um dos setores diretamente ligados ao processo de industrialização de Mato Grosso do Sul.

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