Redação Plenax – Flavia Andrade
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, iniciou nesta terça-feira (4) a quinta reunião de 2026 para definir o novo patamar da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. A decisão será anunciada na quarta-feira (5), após dois dias de análises sobre os cenários econômico nacional e internacional.
O encontro ocorre em um momento de melhora nas expectativas do mercado em relação à inflação e aos juros, embora o Banco Central ainda mantenha cautela diante das incertezas no cenário externo.
Como funciona a reunião do Copom
As reuniões do Copom são realizadas a cada 45 dias e seguem um cronograma dividido em duas etapas.
No primeiro dia, técnicos do Banco Central apresentam aos integrantes do comitê avaliações sobre o desempenho da economia brasileira, o cenário internacional, inflação, mercado financeiro e demais indicadores econômicos.
No segundo dia, os diretores analisam os dados apresentados e definem o percentual da Taxa Selic, principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação.
Mercado reduz expectativa para os juros
Na véspera da reunião, o mercado financeiro revisou para baixo a projeção da Selic para o fim de 2026.
Segundo o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (3), a expectativa caiu de 14% para 13,75% ao ano, marcando a primeira redução nas projeções desde março deste ano.
Nas últimas reuniões, o Copom chegou a indicar a possibilidade de novos cortes na taxa de juros. Entretanto, o aumento das tensões internacionais, especialmente envolvendo Estados Unidos e Irã, elevou as incertezas sobre a inflação, principalmente nos preços dos combustíveis, levando a autoridade monetária a adotar uma postura mais cautelosa.
Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano, menor nível registrado em 2026 após três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual, promovidas nas reuniões de março, abril e junho.
Inflação segue em desaceleração
Outro fator acompanhado pelo Copom é o comportamento da inflação.
De acordo com o Boletim Focus, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltou a cair pela quinta semana seguida. A estimativa passou de 5,12% para 5,03% em 2026.
Apesar da melhora, a previsão ainda permanece acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, permitindo variação de até 4,5%.
O que é a Taxa Selic
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve de referência para empréstimos, financiamentos e diversas aplicações financeiras.
Quando o Banco Central eleva a taxa, o crédito tende a ficar mais caro, reduzindo o consumo e ajudando a conter a inflação. Em contrapartida, juros elevados costumam desacelerar a atividade econômica.
Já a redução da Selic favorece a queda dos juros cobrados pelos bancos, estimula o consumo, incentiva investimentos e pode impulsionar o crescimento econômico, embora outros fatores, como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro das instituições financeiras, também influenciem as taxas praticadas no mercado.
A decisão do Copom será divulgada após o encerramento da reunião desta quarta-feira e será acompanhada de comunicado explicando os motivos que levaram o Banco Central a manter, reduzir ou elevar a taxa básica de juros.

