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Após perder o filho em acidente, mãe transforma dor em esperança com projeto de futebol para crianças da periferia

Foto: Divulgação

Redação Plenax – Flavia Andrade

Iniciativa atende mais de 60 meninos em Sorocaba e usa o esporte como ferramenta de inclusão, disciplina e transformação social com apoio do Instituto Adimax

O que começou como uma brincadeira entre vizinhos se transformou em um projeto social que vem mudando a realidade de dezenas de crianças e adolescentes na periferia de Sorocaba, no interior de São Paulo. Criado por Maria Aparecida Campos de Paula, conhecida como Cidinha, o projeto Monte Leal nasceu do amor pelo futebol e ganhou um significado ainda mais profundo após a perda trágica de seu filho caçula.

Hoje, mais de 60 meninos com idades entre 5 e 17 anos participam gratuitamente da escolinha de futebol, que realiza treinos no campinho de terra do bairro São Bento. Mais do que ensinar fundamentos do esporte, a iniciativa oferece acolhimento, incentivo, disciplina e um ambiente seguro para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

A história do projeto começou há quase dez anos, quando o filho mais velho de Cidinha passou a reunir algumas crianças da vizinhança para treinar futebol. Na época, eram apenas quatro ou cinco participantes. A iniciativa foi interrompida durante a pandemia, mas voltou ainda mais forte e, desde então, o número de alunos só aumentou.

Os treinos acontecem de segunda a quarta-feira e são organizados por faixa etária para garantir a segurança dos participantes.

“Separo os pequenos dos maiores para que ninguém se machuque. A gente cuida de cada um deles”, conta Cidinha.

Dor transformada em propósito

Por trás da dedicação ao projeto existe uma história marcada pela dor. Há oito anos, Cidinha perdeu o filho caçula, então com apenas 14 anos, atropelado por um motorista embriagado.

O adolescente era considerado uma promessa no futebol e havia acabado de ser aprovado em uma avaliação de um grande clube quando teve a trajetória interrompida de forma trágica.

Foi justamente essa perda que motivou Cidinha a transformar o sofrimento em uma missão de vida.

“Eu não tenho mais meu filho, mas agora eu tenho muitos meninos. Deus me permitiu, na minha tristeza, encontrar esse consolo”, relata.

Hoje, o filho mais velho atua como professor voluntário da escolinha, enquanto moradores do bairro também colaboram com o funcionamento das atividades.

Muito além do futebol

Sem campo oficial para treinar, o projeto se mantém graças ao trabalho voluntário, doações e ao apoio da iniciativa privada.

Entre os parceiros está o Programa Pequenos de Raça, do Instituto Adimax, responsável pelo fornecimento de parte dos uniformes utilizados pelas crianças durante treinos e competições.

Segundo o gestor do programa, Edmilson Bueno, investir no esporte é investir no futuro.

“Quando apoiamos o esporte, estamos apoiando o desenvolvimento dessas crianças. Independentemente de seguirem carreira como jogadores, elas levam para a vida valores como disciplina, responsabilidade e trabalho em equipe.”

Esse também é o objetivo de Cidinha, que sonha em formar cidadãos antes mesmo de formar atletas.

“Eu quero que eles cresçam e se tornem homens de bem, trabalhadores. Não precisam ser jogadores de futebol. Daqui pode sair um médico, um professor ou qualquer profissional que faça a diferença na sociedade.”

Instituto Adimax

O Instituto Adimax, sediado em Salto de Pirapora (SP), desenvolve programas voltados à inclusão social, ao apoio de pessoas em situação de vulnerabilidade e ao bem-estar animal.

Além do apoio a projetos esportivos como o Monte Leal, a instituição mantém o Programa Cão de Assistência, responsável pela formação e doação gratuita de cães-guia para pessoas com deficiência visual.

Os animais passam por um período de socialização com famílias voluntárias antes de retornarem ao instituto para treinamento especializado. Após a formação, são entregues gratuitamente aos beneficiários que atendem aos critérios estabelecidos pelo programa.

Ao todo, o Instituto Adimax desenvolve 11 programas sociais, voltados à promoção da inclusão, da cidadania e da melhoria da qualidade de vida de pessoas em situação de vulnerabilidade em diferentes regiões do país.

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